Siluars foi o primeiro senhor do inferno.
Na sua tortuosa jornada ele foi a procura da decadência por carregar em si a amargura de não poder alcançar o bem.
Por anos seguiu os ensinamentos do bondoso Palumó. Foi um de seus monges e mais tarde um de seus anjos. Porém em si sempre carregava a inadequação ao paraíso.
Quando em suas funções de anjo era chamdo aos campos de batalha para curar os feridos era extrememente eficiente por causa de seu talento de sentir a dor do próximo em si mesmo. Sempre alcançava os feridos antes de seu último suspiro.
E sempre era chamado a sacrificar seu prazer da ausência de dor em função de sua eficiência. E o fazia de coração.
Mas curar para que no dia seguinte seus beneficiados ferissem outros e seus serviços fossem novamente necessários. Quem consegue carregar a dor e a ingratidão do mundo sem a compartilhar? Não Siluars.
Instituiu o Dia da Paz onde todo ferimento era sentido pelo seu causador.
os homens o chamaram e Dia Maldito.
Palumó repreendeu-o por maltratar os homens.
As guerras em vez de acabarem viraram carnificinas de soldados dopados.
E pior que a dor do corpo dos outros sentiu a dor do diafragma próprio.
Siluars então se revoltou contra o mundo que lhe causava dor e não lhe ouvia.
Contra Palumó e sua inação.
E envergonhado da sua revolta se instalou no céu. O céu cinzento e Narbádia lhe desagradava em sua uniformidade. Então num esforço sobre-divino reuniu a luz e o calor em uma esfera que chamou sol.
ontou a Palumó sobre seu presente aos homens. Uma hora de descanso paz e frescor chamada noite.
Palumó então lhe mostrou as cidades sendo devastadas à noite, desprevenidas porque todos estavam dormindo e as famílias serem assassinadas em suas camas.
Siluars então foi ao topo do Cáucaso onde estava Prometeu acorrentado e lhe perguntou:
— Se seu castigo não fosse dado pelos deuses, mas pelos homens que você presenteou, o que você faria?
— Me daria a morte de presente — falou o ancestral supliciado.
Nesse momento Siluars se matou diante de Prometeu e de suas cinzas, tal qual a Fênix renasceu como o senhor dos céus e do sol, senhor dos infernos fumegantes que criara e Deus da Dor.