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Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for September, 2006

Siluars

Siluars foi o primeiro senhor do inferno.
Na sua tortuosa jornada ele foi a procura da decadência por carregar em si a amargura de não poder alcançar o bem.
Por anos seguiu os ensinamentos do bondoso Palumó. Foi um de seus monges e mais tarde um de seus anjos. Porém em si sempre carregava a inadequação ao paraíso.
Quando em suas funções de anjo era chamdo aos campos de batalha para curar os feridos era extrememente eficiente por causa de seu talento de sentir a dor do próximo em si mesmo. Sempre alcançava os feridos antes de seu último suspiro.
E sempre era chamado a sacrificar seu prazer da ausência de dor em função de sua eficiência. E o fazia de coração.
Mas curar para que no dia seguinte seus beneficiados ferissem outros e seus serviços fossem novamente necessários. Quem consegue carregar a dor e a ingratidão do mundo sem a compartilhar? Não Siluars.
Instituiu o Dia da Paz onde todo ferimento era sentido pelo seu causador.
os homens o chamaram e Dia Maldito.
Palumó repreendeu-o por maltratar os homens.
As guerras em vez de acabarem viraram carnificinas de soldados dopados.
E pior que a dor do corpo dos outros sentiu a dor do diafragma próprio.
Siluars então se revoltou contra o mundo que lhe causava dor e não lhe ouvia.
Contra Palumó e sua inação.
E envergonhado da sua revolta se instalou no céu. O céu cinzento e Narbádia lhe desagradava em sua uniformidade. Então num esforço sobre-divino reuniu a luz e o calor em uma esfera que chamou sol.
ontou a Palumó sobre seu presente aos homens. Uma hora de descanso paz e frescor chamada noite.
Palumó então lhe mostrou as cidades sendo devastadas à noite, desprevenidas porque todos estavam dormindo e as famílias serem assassinadas em suas camas.
Siluars então foi ao topo do Cáucaso onde estava Prometeu acorrentado e lhe perguntou:
— Se seu castigo não fosse dado pelos deuses, mas pelos homens que você presenteou, o que você faria?
— Me daria a morte de presente — falou o ancestral supliciado.
Nesse momento Siluars se matou diante de Prometeu e de suas cinzas, tal qual a Fênix renasceu como o senhor dos céus e do sol, senhor dos infernos fumegantes que criara e Deus da Dor.

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Recusas

Me nego determinantemente a ser uma solução, simplificação, resumo ou mesmo explicação.
Armado contra os filisteus sem saber se jogo a bóia ou a bomba para os retraços burros confrangidos pelas monstruosas calamidades deformantes da rotina da rotina e da necessidade falsa.
A antítese que me habita se divide entre a miséria e a magnanimidade enqunato um solitário cérebro flutua em líquido aminiótico.

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A Imotalidade

Cada movimento me dói.
Essa prisão chamada vida me desmonta pouco a pouco.
O que resta pra min além da morte?
E que não haja alma imortal, mas apenas o fim do mundo e da dor.
Quem ler isso vai pensar que é porque Vanessa morreu. Não é.
A solidão não me assusta. Desde que nasci como eu, aos 13 anos que sou só.
Uma solidão grande como os crepúsculos que pinto. Vanessa era igualmente só em suas notas musicais.
Nossas solidões faziam-se companhia, nós não.
Dormíamos na mesma cama separados por um abismo incomensurável. Casado há sete anos, viúvo há dois meses morro virgem e só como nasci.
Os mórbidos interessados que lêem essa despedira escritqa enquanto o sangue escorre ara a bolsa perguntam-se: “O que se tonou pior?”
Nada. Se morro hoje e não ontem é porque hoje acabei o meu último quadro.
Enquanto fico fraco penso em Vanessa, sua luta para sair do vício.
Sua irmã a viviou em prozac.
Seu desespero de saber que toda a dor se desfaz no comprimido verde e branco e depois volta. O inferno que virou sua vida triste depois de provar o frugaz gosto da felicidade.
Eu alcancei a felicidade infinita ao terminar aquele quadro. Ele resume tudo que me é caro. Traduz tudo que há de importante.
Naquele momento eu fui imortal. Uma imortalidade que transcende o tempo.
Após a glória, o momento de definição caí mais que lúcifer, que manteve a realeza. Caí à mortalidade, à miséria humana e ao vazio depois de provar a divindade.
Tudo no universo deve acabar no seu momento de glória.
Esse mundo que já era vazio, inútil e morto se tornou uma aberração.
Eu, que já fora vivo ardi no fogo da minha glória e hoje sou nada mais que restos mortais.
Retiro o sangue das minhas veias porque é impossível viver como flor seca ou ruínas.
Explico isso tudo ao mundo de que falei tão mal para que saiba a importância que tem esse quadro.
Esse quadro que mostra apenas o crepúsculo do sol, da lua, do mar e do homem.
Eu sou imortal. Em uma fração de segundo me imortalizei. esse quadro, esse corpo podem ser destruídos, mas eu me tornei imortal em minha glória e por isso mato essa ossada decadente que restou.
destruam o quadro se quiserem, mas ele traduz a minha imortalidade efêmera.

Ass.: Anúbis

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Eu…

Eu…
Essa palavra com o peso do mundo.
Quando eu inicio um poema por eu é ao mesmo tempo fácil e difícil.
Fácil porque é a única coisa sobre a qual realmente posso falar.
Difícil porque é um peso incalculável de uma vida consciente, grave, vil, tomada pela avalanche inconsciente.
Com a mão distraída escrevo inconscientemente “Eu” e logo depois um instante de pânico. Que dizer depois desse ideograma?
Sim, Eu não é uma palavra. É um ideograma. Pelo que podemos traduzir Eu? Ele expressa uma idéia tão……………………………………………………….

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Quando eu puder ir embora será como tirar um peso das costas, mas será tirar um corpo da alma.

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Prometeu

Definir indefinidos.
Levantar montanhas.
Forjar deuses.

Dá mais trabalho
que ser Prometeu
e sofrer uma eternidade
por uma ação generosa.

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O Abismo

O abismo
             pede o salto
                               sobre
ou o mergulho?
A sedução da queda
é o desejo de ascensão.
E para a margem
                         do abismo
                         do mar
                         do céu
é o pecado mortal.
Nadar rumo ao infinito
pular sobre o abismo
voar rumo ao céu
    flutuar nas ondas
    mergulhar no abismo
    ser guiado pelo vento
ou não
ou parar no portal
indeciso.
Ou ouvir nos umbrais
Nunca mais.

A força ou a abnegação
       mas nunca
                      a inação.

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O Abismo

O abismo
             pede o salto
                               sobre
ou o mergulho?
A sedução da queda
é o desejo de ascensão.
E para a margem
                         do abismo
                         do mar
                         do céu
é o pecado mortal.
Nadar rumo ao infinito
pular sobre o abismo
voar rumo ao céu
    flutuar nas ondas
    mergulhar no abismo
    ser guiado pelo vento
ou não
ou parar no portal
indeciso.
Ou ouvir nos umbrais
Nunca mais.

A força ou a abnegação
       mas nunca
                      a inação.

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nessa tarde paramos para transcrever…

Nessa tarde peguei um caderno velho e rascunhos e transcrevi alguns dos meus tesouros sem valor para alegrar minha alma com a sensação de dever cumprido.

Se a alguém agradar não agradeço porque é-me indiferente.
Se quiserem me agradecer, de nada, mas isso não tem importância.
O importante é que digitando aqui estou mais perto do Volume 1.

É, ninguém entendeu porque eu nunca disse  a ninguém. Mau primeiro livro se chamará simplesmente Volume 1.

Sintam-se abraçados.
Calor humano faz bem no frio do comercial de margarina com corações aquecidos a resistência elétrica.

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Dr. Frankstein

No chão das ruas
onde cai meu suor
não sei mais se existe presa.

Fogo de carros queimados com certeza não há.
Que frankstein sou costurando pedaços poders de sonhos…
De onde virá o vitæ para animá-los?

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