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Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for December, 2006

Limites

Há certas coisas que nunca devem ser itas. Dizê-las é o mesmo que pedir para que as coisas nunca mais sejam as mesmas. Dizer no entanto é a continuação de pensar. Elas nunca devem ser pensadas. Há limites que mesmo as pessoas que desafiam o mundo deviam respeitar.
Eu estou falando aqui de coisas que não se deve dizer prque o mundo é cheio de poderes auto-evidentes que nunca devem ser ditos pois isso os torna sabidos. Isso faz com que alguma coisa tenha que ser feita, isso faz com que seja necesário refazer, porque o mundo como estava e como era aceito se torna um podre conhecido e ão mais auto evidente.

Porque eu estou dizendo isso? Porque eu disse e pensei coisas que nao devia e agora tenho que conviver com o mundo que ou muda ou se esfacela.

Bem, a vida é assim, ou se encara e muda ou nada feito e continua tudo a mesma porcaria de sempre.

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Poesias Velhas e Mofadas

PARO

Calo e paro
Meu corpo está cansado,
Minha mente em pedaços.
Desejo descanso.
Mas desejo mais ainda
Cumprir o acordado:
Revolucionar mentes.
Mas esou parando, parado
E tudo gira em torvelinho
Tão rápido

Calo e paro
Não exatamente desistir
Mas não aguentar ir em frente
Paro e penso
Nos destinos longamente esperados
E desejos longamente gestados.
Paro e fico.
Não desistir
Mas descansar e esperar
A provação recomeçar.

Bem, meses depois disso digo o seguinte:
Desistir sim. de todos esses desejos estúpidos em nome do novo que já nasce velho por ser nada mais que um velho produto da mesma cabeça.

CINZAS

Quando a minha ebúrnea essência…
    PARA!PARA!PARA!PARA!PARA!PARA!!!
Ebúrneo, além de piegas é arcaico
E falso.
Eu não sou marfim
Eu sou chumbo.
Eu sou cinzento
A suavidade e equilíbrio do cinza
Suavemente luz
E suavemente sombra.
A imprecisão polivalente do chumbo
Fluido chumbo dos vitrais que escorre.
Denso chumbo das balas
Que mata.
Mole entre os metais
Duo entre os meus iguais
Carnais.
Eu sou chumbo animado.
Filho do solo, neto de stardust
Irmão das  plantas.
Mas contido num corpo animal.
Sou o minério da minha alma,
Sou o ego vegetal,
Numa limutação animal.

Inundado de liberdade cósmica
Eu sou a cinza
A mistura arrefecedora
E fértil
O plumbus desencarnado
Da janela cristalina
E tornado ser.

ANGÚSTIA
Essas gotas que caem
se cumprem em cair,
se resolvem em formar ondas.
Essas plantas que crescem
se cumprem em doar,
se resolvem em amar.
Esses pássaros que voam
se cumprem em cantar,
se resolvem em liberdade.
Essaa Lua que vela
se cumpre em inspirar,
se resolve em confortar.
Essa noite que abraça
se cumpre em entristecer,
se resolve em melancolia.

Tudo isso é tão tácito.
Tudo isso se identifica em beleza.

O ser humano não se cumpre.
O ser humano não se resolve.
O ser humano está vazio.

O ser humano se esvazia
quando se determina
por sua função.
    … como as máquinas.

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Amargura

Continuando a falar sobre a vida, a amargura é a coisa mais fascinante.
Odeio tudo que é amargo, da cerveja ao boldo. Mas que raio de vida amarga essa que eu levo.
(Não, as confissões não podem entrar num espaço tão público quanto esse)

Eu gostaria de poder matar todos vocês e ficar como um deus negro sobre a pilha de ossos, mas falta alguma coisa para isso realmente dar prazer. Falta vocês valerem a pena ser mortos. Seria muito legal se o mundo valesse ao menos cuspir nele, mas não vale.
É isso que é amargo na vida. Nem o ódio vale a pena. A única coisa que vale a pena é a arte, mas a arte nada mais é que eu mesmo com outra roupa e noutro lugar.
Agora dá pra entender o que quer dizer solidão ou a verdade precisa ser mais um pouco mastigada?

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Mais Kuri

Ao invés de editar o antigo, crio um novo, já que gosto de recomeços.

GUETO

Venha beber conosco, os placidamente aflitos,
pernoitar em nossas pequenas casas sem teto,
partilhar nossa dimensão em que o sonho
e a realidade não se distinguem, não se excluem.
Venha embriagar-se conosco, os anjos tortos,
desatrelar-se, aventurar-se pelo praxzer da descoberta
e brindar a loucura com a mesma reverência
com que os outros brindam a coerência
das linhas retas, das quadras, dos quadrantes.
Venha misturar-se a nos, crianças medonhas,
radicar-se nesse gueto entrincheirado
além do território das engrenagens metálicas,
provar a lucidez mágica da poesia
que, de súbito, é uma dor e uma alegria.

COMPROMISSO

Amar as pessoas como são —
integralmente.
Não dissecar, analisar, rotular…
Quero querê-las inteiras, absolutas
— sem quebrar-lhes as pernas,
os dedos das mãos.

Amar as pessoas,
apesar de suas virtudes.

MARÍTIMO Nº 9

Se eu lhe disser a vedade,
esarei mentindo.

MARÍTIMO Nº  10
… e me sinto às vezes
tão humana
que me envergonho…

ASSOMBRAÇÃO

Daria mais um passo,
se não reconhecesse
a inutilidade dos caminhos.
O improvável me define.
Sempre.
E não tenho medo
de assombrações:
sou uma ou duas.

VENENO

Todo meu organismo
vem funcionando
— não como máquina —
como se fosse a víbora
que tem que sobreviver
ao próprio veneno.

Gostaria de dizer outras coisas, mas sinto que a força se esvai, então deixo a responsabilidade de dizer alguma coisa para vocês.
Sinceramente, adoraria explodir tudo, inclusive esse meu corpo. Mas fico tão cansado de ver que o mundo é apenas um a brincareira de mau gosto de um velho sádico que se diverte ao ver até que pnto o livre arbitrío pode nos levar a decair que fico pensando em parar de escerver.

Ah, foda-se o mundo. Se alguém (que eu sei que não existe) quise escerver algo nos comentários a gente discute.

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Caminhando pelas bibliotecas…

Caminhando pelas bibliotecas a gente sempre encontra alguma coisa interessante.
Quase no final do ano descobri um livro que valeu a pena pegar, o melhor livro do ano. Gueto, da Kuri.

Já que ela é uma das pessoas que eu leio e ninguém mais leu (como Lovecraft) eu coloco alguma coisa aqui.

Estrangeiro

Sei que vim de outro país.
Noitadas na praia:
éramos confrades
e bebíamos nosso sangue
em grandes talagadas.
Bêbados, atravessávamos a areia
e nos afogamos no mar.
Éramos náufragos
e os peixes e polvos e algas
perpassavam nossos corpos,
brincando labirintos.
Mortos, vencíamos as areias do tempo
e podíamos renascer com o sol.

Eu sou aquele

Eu sou aquele que vive
nosd sótãos e, às vezes,
desce aos porões.
A casa inexiste.
A mim só interessa as próximidade
do céu, onde tudo é simples
e respeita leis misteriosas,
ou o aconchego da terra,
onde tudo é natural e prenuncia
meu leito derradeiro.

Veneno
Todo o meu organismo
vem funcionando
— não como máquina —
como se fosse a víbora
que tem que sobreviver
ao seu próprio veneno.

Esse post será amplioado dentro em breve, talvez no sábando.

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Um monte de coisas do tempo do Descanso

            Paro

Calo e paro.
Meu corpo está cansado,
minha mente em pedaços.
Desejo descanso.
Mas desejo mais ainda
Cumprir o acordado:
Revolucionar mentes.
Mas estou parando, parado
E tudo gira em torvelinho
Tão rápido.

Calo e paro.
Não exatamente desistir
Mas não agüentar ir em frente.
Paro e penso
Nos destinos longamente esperados
E desejos longamente gestados.
Paro e fico.
Não desistir
mas descansar e esperar
A provação recomeçar.

Assassinatos Noturnos

Naquela Noite
Matei Milhas
Náuticas Nanicas;
Maravilhas Mesquinhas;
Novidades Natimortas;
Mandando Massacrar
Nortes Natos;
Mentes Maniqueistas;
Nauseantemente Nativas;
Marés Macabras,
Naturais Nanicadoras,
Matadoras Mentais;
Normalidade Néscia;
Matutina Malandra,
Normal Navegação
Mecânica-Mentes

        Extrapolação

Sob as chamas do sol
os carros não param de passar.
Que espécie de bemol eu tenho
se não posso o dobrar?

Uma vida clara em tons pastel.
Cinza tácita contornada
sem atirar tempo ao léu;
sem chance desperdiçada.

E esses carros diurnos trafegam
na certeza do amanhã e sem sentido
na década em que negam
a resposta do respondido.

Meu zero tende ao infinito
e meu domínio é entre
menos setenta e cinco e setenta e cinco centésimos.
Desejo renascer no sentido de sair de meu próprio ventre.

        Angústia

Essas gotas que caem
Se cumprem em cair,
Se resolvem em formar ondas.
Essas plantas que crescem
Se cumprem em doar,
Se resolvem em amar.
Esses pássaros que voam
Se cumprem em cantar,
Se resolvem em liberdade.
Essa lua que vela
Se cumpre em inspirar,
Se resolve me confortar.
Essa noite que abraça
Se cumpre em entristecer,
se resolve em melancolia.

Tudo isso é tão tácito.
Tudo isso de identifica em beleza.

O humano não se cumpre.
O humano não se resolve.
O humano está vazio.

O humano se esvazia
Quando se determina
Por sua função.

Como as máquinas.

Identidade Marinha

                De quem nunca viu o mar

“Foi desde sempre o mar”
E eu sou o mar.
A viagem constante dentro de si,
O movimento na imobilidade,
As espumas brancas, efêmeras,
Dançando na crista do ar,
A vida vária e colorida
Escondida no monocromático,
O caminho dos astros
E também o Céu.

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