Mais Kuri
Ao invés de editar o antigo, crio um novo, já que gosto de recomeços.
GUETO
Venha beber conosco, os placidamente aflitos,
pernoitar em nossas pequenas casas sem teto,
partilhar nossa dimensão em que o sonho
e a realidade não se distinguem, não se excluem.
Venha embriagar-se conosco, os anjos tortos,
desatrelar-se, aventurar-se pelo praxzer da descoberta
e brindar a loucura com a mesma reverência
com que os outros brindam a coerência
das linhas retas, das quadras, dos quadrantes.
Venha misturar-se a nos, crianças medonhas,
radicar-se nesse gueto entrincheirado
além do território das engrenagens metálicas,
provar a lucidez mágica da poesia
que, de súbito, é uma dor e uma alegria.
COMPROMISSO
Amar as pessoas como são —
integralmente.
Não dissecar, analisar, rotular...
Quero querê-las inteiras, absolutas
— sem quebrar-lhes as pernas,
os dedos das mãos.
Amar as pessoas,
apesar de suas virtudes.
MARÍTIMO Nº 9
Se eu lhe disser a vedade,
esarei mentindo.
MARÍTIMO Nº 10
... e me sinto às vezes
tão humana
que me envergonho...
ASSOMBRAÇÃO
Daria mais um passo,
se não reconhecesse
a inutilidade dos caminhos.
O improvável me define.
Sempre.
E não tenho medo
de assombrações:
sou uma ou duas.
VENENO
Todo meu organismo
vem funcionando
— não como máquina —
como se fosse a víbora
que tem que sobreviver
ao próprio veneno.
Gostaria de dizer outras coisas, mas sinto que a força se esvai, então deixo a responsabilidade de dizer alguma coisa para vocês.
Sinceramente, adoraria explodir tudo, inclusive esse meu corpo. Mas fico tão cansado de ver que o mundo é apenas um a brincareira de mau gosto de um velho sádico que se diverte ao ver até que pnto o livre arbitrío pode nos levar a decair que fico pensando em parar de escerver.
Ah, foda-se o mundo. Se alguém (que eu sei que não existe) quise escerver algo nos comentários a gente discute.

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