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Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for December, 2007

Ainda intimado.

Lixo
O que não presta
Vai pro lixo
O que resta
Lixo
Descarta com pressa

Besoura Barata
Mosca Rato Papel
Lixo é playground
Para criaturas
Que não querem
o céu

Achar um pedaço
de especial podridão
é uma glória
até pra um escorpião.

Besouro Barata
Mosca Rato Jornal
Rasteja no lixo
Por aqui até que
é normal

Besouro Barata
Mosa Rato Pedal
A galera do lixo
Faz um som legal.

Besouro Barata
Mosca Rato Bossal
É do descarte
Que surge a cara
de mau.

OK, gente. Essa poesia é um chute no rim, mas eu não vou pedir desculpas.

Na última parte
O que importa

Não venha me falar de decadência.
O undo do poço é o início da queda.
Estive lá.
Caí.
E daí?
NÃO QUERO NEM SABER!
Não vou fazer odes aos decaídos.
Nem vou louvar a ressurreição.
Muita coisa acontece comigo.
Eu aconteço!
… em jogos de furacão.

Na última parte
O que importa:
Vontade de poder,
Sonho, Razão.

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Dentro do bolso

“Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,

arrastando-se pelas ruas do bairro negro da madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,”

Isso é Allen Ginsberg. É o início de um poema chamado Uivo.

Descobri esse livro em minha peregrinação por estantes. Andando pela livraria e descobrindo que os livros de bolso são os melhores. São a única seção que eu consigo passar título a título, porque as outras estão lotadas de autores modernos/best-sellers/máquinas de ajuntar palavras que eu prefiro acreditar que não são seres humanos porque senão eu vou ter que lembrar que existem pessoas que escrevem os livros de Paulo Coelho, Danielle Stell ou Sidney Sheldon, e não programas de computador ainda não aperfeiçoados que realizam exaustivas variações sobre o mesmo tema.

Nos livros de bolso achei livros baratos e melhores que as edições de bolsa. Onde eu acharia Jack Kereouac, Allen Ginsberg ou Ivan Klima senão nos livros de bolso?

Nesse mesma visita pude comprovar que a edição de luxo de 300 é realmente épica. Abra aquele album hrizontal e olhe o (creio que) um metro e vinte e tente não se sentir um espartano olhando para um largo horizonte com olhos duros.

O problema é que é desajeitado, caro e grande demais. Mas se desculpa Frank Miller por isso, afinal O Homem sem Medo, 300 e Cavaleiro das Trevas valem a pena, mesmo o album sendo desajeitado.

PS: O que não me agrada tanto em Allen Ginsberg é o excesso de falar de pessoas que eu não conheço, mas se meus planos de me aprofundar nos beats der certo, isso vai mudar.

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Cavaco

Hoje resolvi tomar vergonha na cara e resolvi ver qual foi a minha nota no ENEM.

Nota de conhecimentos gerais (A): 92.06 Nota da redação (B): 60.00

Que jóia não? Um escritor que se julga talentoso com 60% na redação.
Bem n verdade eu me orgulho muito desse resultado. Isso quer dizer que eu sei pensar. Porque eu fugi propositalmente do tema por achar que ele é uma coisa idiota que já foi debatida a exaustão.

A promoção da igualdade é uma grande piada. A gente gasta tempo e dinheiro com campanhas a favor da diversidade cultural porque é bonito e ético, porque todo mundo quer ser bonzinho, porque todo mundo tem uma imagem a zelar. Nenhum político ou apresentador de TV tem coragem de dizer que não gosta da cultura popular.
POIS EU NÃO GOSTO! E isso não tem nada a ver com não a reconhecer como cultura legítima que tem significado para seu grupo social ajudando a formar identidade. Tem a ver com eu não gostar.

Virou um grande circo de interesses onde a hipocrisia faz com que se vá ao morro ouvir pagode mas em casa a empregada negra (porque preta é politicamente incorreto e isso é um escândalo intolerável) dorme em um quarto de 2×3 e recebe salário mínimo.
A academia se aproveita da massa pra dizer que a cultura popular é ótima enquanto continua ouvindo Jazz e MPB. Os políticos se aproveitam enquanto continuam a colocar impostos sobre salário e consumo ao invés de propriedade e mídia se aproveita transformando esses exóticos em quadros pitorescos do Fantástico para que o Brasil da Av Paulista conheça esses estrangeiros. Não sei porque mas acho que as pessoas que aparecem no Minha Periferia e quadros semelhantes se parecem muito com animais em um zoológico. Estranhos, Exóticos e responsáveis por momentos de divertimento para os cidadãos na nossa plutocracia.
A igualdade está um passo além. Está em todas as pessoas receberem bem. É comum ver pessoas reclamando que um pedreiro ganha dois ou três mil reais por mês.
Pois eu acho pouco. E acho menos ainda o que eu recebo. E menos ainda o que os professores recebem. E menos ainda o que os lixeiros recebem.

Enquanto o brasil não começar a fazer campanhas não pela diversidade cultural, mas pela igualdade social não vamos sair daqui.
Pagar um salário mínimo para uma pessoa devia ser considerado imoral, mas não é. Mas falar mal do pagode de quem ganha um salário mínimo é. Por que? Porque não existe interesse de ninguém um diversidade cultural, mas em autopromoção. E falar que o “problema nacional” que é tema da redação do ENEM é uma soma de besteira e hipocrisia só vai me render nota baixa. Mas dane-se.

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