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02/08

Cochise César – Manual de instruções (ou desabafo, se preferir, ou ainda ultimato)

23:13 by cochise. Filed under: digressões

Sou um cara legal, bem humorado, com senso de humor, inteligente, sensível, algumas tantas idiossincrasias, bom ouvinte, me preocupo com as pessoas que gosto e tento resolver seus problemas.
Se o mundo fosse um lugar justo eu seria uma pessoa feliz. Mas como o mundo não é um lugar justo, eu sou um carregador de piano.
As pessoas me procuram sempre que tem problemas na vida sentimental, afetiva e amorosa (e isso são coisas diferentes sim) ou em seus computadores.
Fosse só isso tudo bem. Gosto de ajudar as pessoas. O problema é que em sua maioria elas SÓ lembram de mim nessas horas.
Não se lembram de mim nas partes interessantes da vida. sair com os amigos, conversar, criar e agendar programas.
É claro que estou generalizando, mas quase sempre que meu telefone toca é alguém pedindo ajuda.
Pô. Não sou técnico.
Como disse mais cedo: Paga ingresso faz favor.
Leiam o que eu escrevo, se interessem pela minha vida, me convidem para as suas.
Então, resolvi que não vou ficar rastejando atenção ou carregando piano para ninguém, que com as qualidades acima seria mais que justo inverter a polaridade das relações vampiricas que mantenho.
Resolvi dar um basta nisso depois de domingo.
Passei a semana organizando um encontro. Dez pessoas. Duas se justificaram (Marcella Oliveira e Andreza Cristina), duas deram desculpas esfarrapadas (filho feio não tem pai e se eu fizer ataques pessoais me ferro) e uma presença (Karla Patrícia).
Ou seja, sete bolos.
E na segunda já tinha duas coisas quebradas pra consertar.
esse encontro foi uma porta aberta para o passado entrar no futuro, e o Expresso 2222 vai partir direto de Bom Sucesso pra depois do anos 2000.

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02/08

Textos Impressionistas – Vacas e cigarro

23:13 by cochise. Filed under: conto


O cigarro queimava em sua mão. Não o fumava. Não agora. Do outro lado da rua, nem tabacaria, nem pequenas comendo chocolates. Apenas prédios, multidões e carros.
Pelas frestas da janela o frio vento do inverno entrava no apartamento. passeava pelos seios semi suaves.
Hoje aliterações não adiantariam. Hoje o cigarro queimava entre seus dedos sem ser tragado, os carros passavam pelas ruas sem ser notados, as pessoas iam para seus destinos abscôndidos sem perceber a figura na janela do terceiro andar e sem serem percebidas.
Nenhuma palavra difícil faria o cigarro ter gosto ou as pessoas lá embaixo terem valor.
Ela estava só.
Não faltava ninguém que lhe acariciasse os seios ou sussurrasse palavras de amor no ouvido.
Com empenho isso se acha, mesmo que falte.
A janela a deixava solitária.
Um mundo inteiro acontecendo lá fora sem seu consentimento, permissão ou participação.
Se cometesse suicídio nesse apartamento quantos dias até ser encontrada?
Mesmo que trabalhasse, se faltasse ligariam para cobrar a presença, não para saber se estava bem. Como não atenderia em poucos dias outra pessoa a substituiria no serviço. Outra pessoa a substituiria no mundo.
Quem fazia falta? Talvez só os lixeiros e os policiais. Sem esses não se vive em uma cidade. Lixeiros de dois tipos para lixos de dois tipos.
E tudo isso sem sua participação.
Fechada num apartamento do terceiro andar, vivendo da mesada da mãe viúva de veterano da segunda guerra.
O mundo já estava aqui quando chegou. Vai continuar quando for embora.
Quem dera houvesse uma pequena do outro lado da rua a comer chocolates para ensinar metafísica.
Mas de que adianta uma metafísica dispensável? Quando a metafísica por fim e acabar, o mundo que acontece sem sua participação vai continuar acontecendo, sem perceber a falta de uma metafísica qualquer.
O cigarro lhe queimou os dedos. Já estava no filtro há algum tempo. Não largou. Não gostava de sentir dor, muito menos precisava dela para se sentir real. Se a realidade fosse um problema já estaria gorda e feia (pelo menos teria seios maiores, apesar de não ter ninguém para os acariciar) de tanto comer chocolates.
Não largou o cigarro porque havia força, beleza em continuar acontecendo apesar da queimadura. Como todo o resto acontecia apesar dos esforços, dos divertidos esforços plásticos da arte interferindo no espaço urbano.
Havia força em ser indiferente.
As vacas ainda estavam na calçada. (deus, como doía) Pretas, PVC, presas. Em alguns dias a prefeitura com britadeiras iria retirá-las da calçada (Esse filtro não acaba mais?) e elas iriam para algum depósito, ou quem sabe algum museu.
Escrito nelas “Roube-me”. Chumbadas no chão e pedindo abrigo. Um incômodo na cidade como o cigarro era um incômodo para ela.
Mais que um incômodo. Suava, tremia.
Não estava solitária. Não pensava em nada. Apenas no incômodo. Apenas no cheiro de tabaco, misturado com o de espuma queimada e de seus dedos. Seus dois lindos dedos, queimados.
Seis vacas incomodam menos que um cigarro.
Incomodam. Quem sabe da próxima vez usem elefantes.
O último pedaço de espuma vira cinza e cai. A jaqueta está encharcada de suor num dia até há pouco frio. Trôpega vai até o banheiro mergulhar a mão em água. A dor sobe pelo braço em ondas à cada volta que a broca em seus dedos dá.
Resistiu. Resistiu ao incômodo sem tirar as vacas.
Mas não conseguiu continuar seu caminho. Desviar do obstáculo e continuar seu caminho, como todos que passavam pela rua onde as vacas já estavam há quatro dias.
Não passava por sua cabeça qualquer pensamento sobre ser menos indiferente que os passantes, mas sobre o cigarro ser mais forte que sua arte.

28

02/08

Textos Impressionistas – Guarda Chuvas

23:10 by cochise. Filed under: conto


Lá estava ele. Caído. Morto. Em desalinho.
Ele tinha um guarda chuva. Como devia ser. Usava um terno. Como devia ser. Estava com um impermeável, como devia ser.
Mas o guarda chuva estava quebrado, torcido. Mas uma vítima dela. De sua volúpia. De sua ira.
Todos eles. Nenhum estava a salvo. Quando ela deposita seu olhos arrebata para si. Rouba, mata, destrói um homem, por mais sóbrio e respeitável que ele seja. Uma mãe ingrata a procura de um primogênito que não existe mais.
O pobre coitado aos meus pés, uma casca vazia. Roubado.
Deve estar agora andando por alguma rua não confiável. Sem responsabilidade. Faltando com suas obrigações para o mundo.
Certamente que não tem mais um guarda chuva. muito menos um impermeável. Um pecado se esconder de seu pai. Nenhum impermeável, para não se afastar de sua mãe.
Mal vestido em algum beco com uma cítara nas mãos.
Para nós está morto.
Melhor estar morto.
Abandonar seu nome para se chamar Väinämöinen? Adorar uma deusa que não existe chamada Ilmatar?
Está morto. Morto e agora que lamentamos essa egoísta deusa inexistente ter posto os olhos nele, ter quebrado seu guarda chuva e desalinhado sua roupa.
Agora que lamentamos os lamentos sérios e responsáveis, sóbrios, mas revoltados, o dever aguarda.
E será cumprido.
Amaldiçoada seja, deusa mãe, deusa vento e seu filho, o primeiro artista inventor da cítara.
Nós, os homens de bem, sérios fundadores do estado de direito te renegamos, te abandonamos.
O único pedido que endereçamos a tí, deusa inexistente é que nos abandone.

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02/08

Textos Impressionistas – Os Morangos

10:43 by cochise. Filed under: conto,poesia

Os morangos que não eram morangos foram colhidos por mãos suaves e profissionais. Ainda estavam verdes. Eram apenas botões, já que os morangos eram flores.
Foram trancados no escuro e no frio. Sem noção de tempo passaram anos de angústia entre a vigília e o pesadelo.
Os poucos que sobraram sãos depois da tortura puderam encontrar a luz do sol em seus rostos vermelhos.
Toda uma vida passada. De novo o sol somente perto da morte.
Ao lado de seus irmãos balbuciantes eles tentavam chamar com beleza e perfume seus parceiros. Eles precisavam frutificar. O fim estava próximo.
A angústia o desespero. Ninguém vinha.
Quantos outros tantos enlouquecidos.
Vez por outra mãos desajeitadas passavam por suas peles frágeis.
Concorrendo com eles pelos parceiros infinitas outras flores. Mais cheirosas, mais vermelhas. E os parceiros não vinham.
Mãos delicadas passaram por eles, os três irmãos.
Tão suaves como suas tenras faces.
Não era importante.
Não era o parceiro.
Mãos habilidosas os prenderam em uma gaiola transparente.
Em um lugar escuro uma luz cegava de tempos em tempos.
Em um lugar escuro as mãos voltavam e mudavam suas posições de tempos em tempos.
Depois um lugar escuro, fétido e úmido. Pequeno, redondo e cheio de coisas que machucavam a doce pele vermelha.
O parceiro estava lá.
Entrou no morango e sorveu com prazer o néctar. Transportou o pólem dos estames para os pistilos.
As coisas finalmente foram como deveriam ser.
As lendas eram corretas. Depois do destino o sono que antecede o paraíso.
Na manhã seguinte o lixo foi retirado e um fruto em formação nunca alcançou o paraíso.

P.S.: Eu também achei a foto linda.

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02/08

Engenheiros do Hawaii

9:44 by cochise. Filed under: digressões

Toda vez que reinstalo meu Linux (E faço isso para experimentar distribuições, não porque ele trava) o AmaroK (Programa que uso para escutar e gerenciar músicas) reseta as informações sobre as músicas.
Hoje adicionei todas dos engenheiros e organizar por pontuação crescente, para que as que eu ainda não ouvi desde a última vez que reinstalei o sistema.
Isso porque há alguns dias estou navegando pelo Som Barato e ouvindo muita MPB.
Qual a minha surpresa. Todas as músicas que não ouvi são aquelas “pauleira”.
Aí a gente percebe que está ficando velho.
Ontem, no celular que eu já não gosto algum retardado ficou me ligando o dia todo de um número confidencial. Não atendo.
Hoje deixei o celular em casa e não conferi se tem ligações não atendidas.
Aliás tomei a alguns dias a decisão de não atender até quem eu quero me ligar.
Principalmente depois que dei uma olhada no contador de tempo e vi o quanto eu é que tenho que ligar para as pessoas que eu quero, e o quanto elas me ligam.
E enquanto isso vou muito bem, que as minhas ocupações estavam um tanto atrasadas por conta da minha vida social.

Tem horas que você se cansa de ser um porto seguro num mar tempestuoso e quer ser um porto seguro inacessível por causa da tempestade.

E Sim, amar e mudar as coisas ainda me interessa mais, mas estou deixando de ser fácil ou acessível.

Paga ingresso por favor.

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02/08

VAIPROINFERNO!

7:53 by cochise. Filed under: digressões

Preferia não ter que digitar isso tudo.
sério, mas ontem percebi que enquanto não espalhasse isso aos quatro ventos não teria sossego.
Então coloquei esse singelo título para explicar para meus grandes amigos boêmios que esse texto é endereçado especialmente à eles.

Sou o cara que as pessoas consideram certinho, responsável, conservador.
O romântico poeta que pouco fala de amor.
O consciente militante político com história e conhecimento.
O pensador que já leu filosofia alemã.
Beleza. Sou isso.
Mas também sou a pessoa mais hedonista que eu conheço.
Não hedonista no sentido bom. No mau mesmo. Aquele casado com o egoísmo e a despreocupação.
Agora para quem estiver tentando assimilar a imagem que tem de mim (mocassims sem meia, calça social preta, camisa quase sempre cinza, óculos e quase sempre boina) com a filosofia hedonista, abra as portas da percepção.
Sou tão ou mais hedonista que Jim Morrison ou Cazuza. Mas não ou porraloca, inconsequente, viciado em sexo e drogas como os dois.
O Hedonismo é aquela filosofia que prega e a satisfação dos desejos e a busca do prazer, irrefreado pelos limites castradores da sociedade como o camiho da felicidade.
“Mas esse é o Gim, digo Jim Morison” (Tá certo que falr de castração é o puro Nietzsche)
Nem tanto. Nem todo prazer é carnal.
viciados que estamos em Woodstock à primeira menção de hedonismo pensamos em sexo e drogas.
Larguei uma faculdade onde tinha bolsa integral (e pouca gente realmente entende isso) só porque ela não estava sendo prazerosa o bastante para eu continuar. Estava na metade do curso.
Como funcionário público abuso da minha estabilidade e falto ao serviço quando tenho atividades mais importantes para fazer. Por importante entenda-se prazerosa. E sim, é claro que descontam do meu salário, mas prefiro perder dinheiro à diversão.
Estou terminando meu quarto livro, como os outros, escrito pelo prazer de escrever. Ou melhor, de escrever bem. tanto é que faço muito pouca pesquisa sobre o assunto que vou escrever, só aqueles dez minutos de Google que são sempre divertidos e carregados de surpresas.
Nem todo hedonista tem que ser pervertido. Eu sou um romântico. Acredito em amor verdadeiro e outras coisas que 99% da Terra acha que são contos da carochinha. E SOU MUITO FELIZ ASSIM!
se houve uma coisa que aprendi com Jung foi que o importante sobre construir os próprios valores é construí-los conscientemente e não arranjá-los na infantilidade de achar que para serem livres os valores tem que ser o contrário dos estabeleceidos.
Renegar tudo em uma fúria negadora à lá Cazuza é estar tão preso ao sistema quanto aceitar tudo.
Porque quis criei o Espalhando Câncer. A iniciativa cultural que nasceu com três anos de sucesso garantido e em seis meses, quando ele não me satisfazia, desfundei-o. Porque sou hedonista e egoísta a ponto de exigira a liberdade de trair o movimento para ser fiel a mim mesmo. Mesmo que seja o movimento que eu fundei.
Ou mesmo que não seja. Saí da vida política onde tinha um futuro promissor (razoavelmente) pelo mesmo motivo.
E a culpa disso tudo é de Sartre e de eu não acreditar em alma imortal.
Vamos ser francos. Só se vive por falta de opção. A única opção a viver é morrer e pode ser que o outro lado sequer exista.
Diante o imperativo de TER que viver fica a dúvida básica: “para que serve?”
Nenhuma imortalidade social me atinge. De que adianta um nome gravado em um livro de história se eu não mais existo? Analisar sua vida sob a perspectiva da morte anula tudo. Perceber que “Tudo será esquecido e nada será reparado” pode ser um pouquinho desesperador.
Então chegamos à primeira conclusão de Sartre sobre o sentido da vida:
Não existe nenhum sentido externo à vida.
Nada ora da vida pode justifica-la. Ou seja, se até a morte não foi, aí é que não vai mesmo.
Ms se o homem é livre (e o raciocínio para chegar até aqui é tão comprido que eu vou declarar isso um axioma) o sentido, que tinha se restringido À vida passa a se restringir à UMA vida, porque não é aceitável um sentido social. Esse feriria a liberdade humana. Só existe uma autoridade sobre a tera. Quem vive.
Então olhando todos os anos passados e futuros, dê, você e mais ninguém, um sentido que se concretize aqui, nesse mundo material, nessa vida mortal, e está sendo existencialista (OK, pulei toda a parte da fenomelologia, essência, existência, e a discussão de psicologia social mas não sei resumir isso em dez linhas)
EU resolvi escolher o mesmo sentido que Sylvia Plath (apesar de não gostar das poesias dela) Ser feliz.
Para isso, mais um pouco de filosofai (nunca é demais, não é?)
A Felicidade é um conceito abstrato, e como os demais tem uma origem concreta.
A noção de felicidade se constrói ao longo da vida a partir de generalizações sobre o prazer. (aliás as generalizações sobre o prazer, além de construir o conceito de felicidade constróem o de bem)
A felicidade é um estado que deriva do prazer.
então para ser feliz não deveria seguir nenhuma filosofia zen, dez mandamentos ou manuais de auto ajuda. Mas se hedonista com liberdade o suficiente para ver no hedonismo mais que esbórnia, já que a esbórnia NÂO ME ATRAI!

P.S.:
Talvez você não tenha lido tudo, ou mesmo que tenha lido não tenha percebido essa nuance que está implícita: Cuidado! Acabo de dizer que minha liberdade permite mudar princípios e que a coisa mais importante é meu prazer pessoal. Posso abandonar idéias, posturas, movimentos e pessoas sem um pingo de remorso.
No mais gosto muito de vocês.

P.S.2:
Aos meus amigos boêmios do início recomendo que parem de me ver como uma cópia covarde e enrustida de vocês!
Parem de achar que sou uma vítima!
Percebam que a minha vida é mais recheada de prazer que as suas!
Quando eu precisei de ajuda vocês não puderam me ajudar e agora que não preciso vocês apenas me cansam.
Por isso o título do texto. Não odeio muitas coisas, mas das coisas que me enfastiam me afasto.

24

02/08

Suportando um Longo Destino

7:49 by cochise. Filed under: poesia

Suportando o longo destino
De não haver destino
Mais um dia se passa
Sem o sentido
Ou algo que o faça.
Cada passo dado é cantado
nos versos longos de agora
O motivo do próximo passo
. . .
. . .
Suportando o longo destino
De não haver pureza
Mais um dia se passa
Sem a práxis
Ou algo que a faça
Tudo tão bem idealizado
E se perde no próximo passo
O motivo do próximo passo
. . .
. . .
Suportando o longo destino
De não haver certeza
Mais um dia se passa
Sem a segurança
Ou algo que a faça
Hesitar o próximo passo
O motivo do próximo passo

O futuro não dá garantias.
Nem exige planejamento.
Nos assoma estejamos preparados ou não.
Os acontecimentos se somam em uma avalanche imobilizadora.
Sem destino para cumprir.
Sem teoria para seguir.
Sem certeza para o guiar.
O homem só tem a si para arcar com os custo da vida.
Para decidir, para acreditar para dar o próximo passo.
Ele o motivo do próximo passo.

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02/08

Improviso

10:13 by cochise. Filed under: digressões

Há tanto tempo transcrevendo poesia e prosa que faz muito tempo que não sento diante desse editor WYSISG com a decisão de fazer sair um texto.
Aqui estou eu ouvindo Oswaldo Montenegro e querendo falar da vida.
Seja pessoalmente, seja virtualmente, sempre tive dificuldade em encontrar vida inteligente.As pessoas tem o mau costume de ser burras ou pelo menos não aparentar a pouca inteligência que tem, porque acham que inteligência só deve ser usada nos chatos momentos do trabalho e que para a vida pessoal para ser divertida tem que ser burra.
O primeiro lugar virtual onde parei e fiquei foi o Café Paris, da fabulosa Tatoca. (fui saber seu nome verdadeiro há poucos dias)
Ela foi um pouco a minha inspiração para abrir um pequeno negócio na internet. Um negócio de expressão.
Pesquisando outros lugares, achei vários quase bons o bastante para ter continuado a visitá-los e para lembrar seus nomes e colocá-los aqui.
É claro que tenho um grande número de blogs que visito, mas a maioria com finalidades muito específicas. O Vertigem é apenas um lugar onde baixo quadrinhos e eventualmente coloco um agradecimento e um elogio.
Os vários sites sobre Linux são apenas um conjunto de notícias, tutoriais e análises. De vez em quando uma discussão mais densa sobre usabilidade e liberdade, mas nada demais.
Exceto o Karlisson com seus quadrinhos do Nerdson.
Aguardo ansiosamente uma nova ira ou página.
Pelos orkuts da vida a gente acaba achando algumas pessoas com quem vale a pena conversar pelos MSNs como a Tér… com quem falo agora.
A mais nova aquisição à minha coleção antropofágica de gente inteligente a ser consumida sem moderação é o G do Pós Sobretudo de Lona, a quem eu cheguei pela K do Incompletudes. (Aliás, será que isso tem alguma coisa a ver com a guerra eterna entre G(nome) e K(DE) do mundo Linux?
Sempre tem aquelas pessoas com quem posso passar horas pessoalmente e ter certeza de que nunca vou encontrar na internet, a não ser por email, porque ele é mais pessoal. Tem as pessoas que eu arrastei para a Internet como a Marcella (com dois ELES) em seu Palavras Livres no qual, repito, você está intimada!
Não faço mais jornadas fantásticas visitando deuses e monstros.
O que me importa são as ruas.

Passeando pelas ruas da minha cidade sinto pena das putas da rua São Paulo, converso com os hippies vendendo artesanato, de vez em quando compro alguma coisa.
Dou abraços em ex professoras e presentes gratuitos para as pessoas que eu gosto.
Passeio pelo passado e reencontro as pessoas que abandonei em maior ou menor grau me recebendo de braços abertos.
O vento poluído da cidade não está carregado de perfume, mas eu amo o vento, e não só o dos contos de fadas.
Não encontro verdade ou amor nos olhos dos desconhecidos com quem cruzo pelas calçadas, mas isso não é importante. Depois de anos jogando Mago a Ascensão finalmente entendi o que significa realidade subjetiva.
Andando pelas ruas carrego um sorriso sem motivo aparente e não uma arma. Não contagio alegria e não me importa. O poema se escreve em passos.
Esses passos me trouxeram de volta pessoas que ficaram pra trás, pessoas que viajaram, pessoas com quem não conversava há muito, muito mesmo.
Passos que me dão momentos calmos, lugares bons, agenda vazia, para poder escrever.
Passos que me levam do volta onde saí para fazer o que sempre quis fazer e ainda não consegui.
Passo que me afastam de metáforas, porque estou mais interessado nas “pessoas cinza, normais”. Em dar um abraço apertado em quem gosto, em ouvir a música que quero, em sentir o calor da sua mão e me preocupar se você está com febre.
Em rir da piada que entendi, em não ser pai, terapeuta ou sabe tudo a quem as pessoas recorrem quando precisam. Em escrever sinceramente o que eu quero e entregar para quem eu quero.
Os meus passos me levam a descobrir que ser adulto não é fácil, mas pensei ser mais difícil.
Que ser adolescente não foi fácil, mas foi necessário, e que não faria tudo de novo porque a possibilidade de repetir anos de vida não existe.
Meus passos me levam ao jardim, onde escrevo debaixo de uma árvore sabendo que em breve vou ser agradavelmente interrompido.
Resumindo, vou parar de ser redundante, apesar de ter sido breve, é difícil traduzir isso em palavras, mas o sentido da vida está aqui e agora e depois de anos de teorias, filosofias e muitas metáforas e metafísica, estou atolado até os cabelos nessa nossa querida bolinha de lama, e estou gostando muito disso.
Ser um “déspota esclarecido nessa escura e profunda mediocracia” continha sendo a tarefa para a qual nasci, e a tarefa que desempenho, mas pela primeira vez percebo o quanto os déspotas esclarecidos não exercem poder algum e são humanos. Humanos demais.

19

02/08

Quase uma autobiografia, quase um diário

15:42 by cochise. Filed under: Sem categoria

Ando escrevendo quando termino uma poesia antes de começar outra, alguns comentários sobre ela que logo se tornam comentários sobre mim e a vida. Quase um diário, quase uma autobiografia, quase uma resenha de poesia.

Para publicar esses textos aqui, teria que mutilá-los cortando as partes que não posso deixar as pessoas que manipulam meu caderno chegar a ver.
Mas por que digo isso? Fazer vontade? Não, vontade de falar mesmo. Ando falando tudo que me dá vontade, e danem-se os problemas que vierem disso.

Achei um blog pra lá de bom chamado Som Barato. (HTTP://SOMBARATO.BLOSPOT.COM) Tem discos para download, mas ao invés de colocar esses discos extremamente comuns por aí de RAP americano pornográfico ou EMOcore-mais-comercial-que-pop tem MPB de extrema qualidade.
De Som Imaginário (conhece esses gênios?) a Chico Buarque, passando por Mundo Livre S/A, Paulinho Moska, Tom Zé, Luiz Tatit, e até Chico Buarque.
A lista é gigantesca. Vá lá e veja.

A Reunião do Núcleo Duro de Coisa Nenhuma (NDCN) vai de vento em popa. Muito obrigado

Voltei para o Resulinux depois de quase dois meses de ausência por causa da má qualidade do prover de internet que me fez usar Windows por quase um mês e depois disso uma curiosidade que me fez ir ver o Mandriva e o Kubuntu e o Epidemic.
Pessoal do Epidemic. Vocês tão de parabéns viu.
Luciano. A 2.5 final é o bicho. Essa semana pretendo dar uma olhada no Texas Flood 3 alpha e aguardo o alpha do Resulinux 3.0 com KDE 4.

Marcella, vocês está intimada.

Marcela você tem dever de casa.

Karla bem vinda de volta.

Andreza.
(Pra que falar…)

Ambidestra já tem seu final definido.
Espero terminar de escrevê-lo e digitá-lo em breve para poder lançar o livro antes do Mercado da Carne, então vão ser quatro livros em um ano, já que O Homem Solitário começou a ser escrito no segundo dia do mercado da Carne.

Um beijo para todo mundo.

19

02/08

Nostalgias Inúteis

15:10 by cochise. Filed under: digressões

Não sei o que vocês que são desse tempo acham, mas eu acho que antigamente era mais fácil.
O mundo hoje é tão estúpido, superficial,
Talvez sempre tenha sido. Talvez Woodstock ão tenha tido pessoas comprometidas com a paz e o amor, mas apenas alguns chapados. Talvez a luta contra a ditadura tenha sido feita por idiotas fanáticos e bitolados. Talvez a gente tenha que perder a esperança na raça humana.
Talvez a gente devesse colonizar Marte e torcer para sermos melhores lá.
Ninguém aguenta o peso da vida o tempo todo. Mas eu só aguento fugir do peso por um tempo. Me descobri um work aholic. Talvez aos 40 eu me descubra um work aholic em crise como os outros, mas isso não está na minha lista de prioridades.
Talvez romantizemos o passado porque não temos esperança de futuro. Talvez, cansados ou cientes da dificuldade de salvar o mundo, sem sonhar futuro além desse hoje escuro, inventemos um passado perfeito para nos refugiar.Talvez inventemos a idéia da decadência para nos desculpar. Talvez a decadência natural e irrefreável seja um consolo.

talvez eu tenha voltado a escrever sobre historiografia.

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