Preferia não ter que digitar isso tudo.
sério, mas ontem percebi que enquanto não espalhasse isso aos quatro ventos não teria sossego.
Então coloquei esse singelo título para explicar para meus grandes amigos boêmios que esse texto é endereçado especialmente à eles.
Sou o cara que as pessoas consideram certinho, responsável, conservador.
O romântico poeta que pouco fala de amor.
O consciente militante político com história e conhecimento.
O pensador que já leu filosofia alemã.
Beleza. Sou isso.
Mas também sou a pessoa mais hedonista que eu conheço.
Não hedonista no sentido bom. No mau mesmo. Aquele casado com o egoísmo e a despreocupação.
Agora para quem estiver tentando assimilar a imagem que tem de mim (mocassims sem meia, calça social preta, camisa quase sempre cinza, óculos e quase sempre boina) com a filosofia hedonista, abra as portas da percepção.
Sou tão ou mais hedonista que Jim Morrison ou Cazuza. Mas não ou porraloca, inconsequente, viciado em sexo e drogas como os dois.
O Hedonismo é aquela filosofia que prega e a satisfação dos desejos e a busca do prazer, irrefreado pelos limites castradores da sociedade como o camiho da felicidade.
“Mas esse é o Gim, digo Jim Morison” (Tá certo que falr de castração é o puro Nietzsche)
Nem tanto. Nem todo prazer é carnal.
viciados que estamos em Woodstock à primeira menção de hedonismo pensamos em sexo e drogas.
Larguei uma faculdade onde tinha bolsa integral (e pouca gente realmente entende isso) só porque ela não estava sendo prazerosa o bastante para eu continuar. Estava na metade do curso.
Como funcionário público abuso da minha estabilidade e falto ao serviço quando tenho atividades mais importantes para fazer. Por importante entenda-se prazerosa. E sim, é claro que descontam do meu salário, mas prefiro perder dinheiro à diversão.
Estou terminando meu quarto livro, como os outros, escrito pelo prazer de escrever. Ou melhor, de escrever bem. tanto é que faço muito pouca pesquisa sobre o assunto que vou escrever, só aqueles dez minutos de Google que são sempre divertidos e carregados de surpresas.
Nem todo hedonista tem que ser pervertido. Eu sou um romântico. Acredito em amor verdadeiro e outras coisas que 99% da Terra acha que são contos da carochinha. E SOU MUITO FELIZ ASSIM!
se houve uma coisa que aprendi com Jung foi que o importante sobre construir os próprios valores é construí-los conscientemente e não arranjá-los na infantilidade de achar que para serem livres os valores tem que ser o contrário dos estabeleceidos.
Renegar tudo em uma fúria negadora à lá Cazuza é estar tão preso ao sistema quanto aceitar tudo.
Porque quis criei o Espalhando Câncer. A iniciativa cultural que nasceu com três anos de sucesso garantido e em seis meses, quando ele não me satisfazia, desfundei-o. Porque sou hedonista e egoísta a ponto de exigira a liberdade de trair o movimento para ser fiel a mim mesmo. Mesmo que seja o movimento que eu fundei.
Ou mesmo que não seja. Saí da vida política onde tinha um futuro promissor (razoavelmente) pelo mesmo motivo.
E a culpa disso tudo é de Sartre e de eu não acreditar em alma imortal.
Vamos ser francos. Só se vive por falta de opção. A única opção a viver é morrer e pode ser que o outro lado sequer exista.
Diante o imperativo de TER que viver fica a dúvida básica: “para que serve?”
Nenhuma imortalidade social me atinge. De que adianta um nome gravado em um livro de história se eu não mais existo? Analisar sua vida sob a perspectiva da morte anula tudo. Perceber que “Tudo será esquecido e nada será reparado” pode ser um pouquinho desesperador.
Então chegamos à primeira conclusão de Sartre sobre o sentido da vida:
Não existe nenhum sentido externo à vida.
Nada ora da vida pode justifica-la. Ou seja, se até a morte não foi, aí é que não vai mesmo.
Ms se o homem é livre (e o raciocínio para chegar até aqui é tão comprido que eu vou declarar isso um axioma) o sentido, que tinha se restringido À vida passa a se restringir à UMA vida, porque não é aceitável um sentido social. Esse feriria a liberdade humana. Só existe uma autoridade sobre a tera. Quem vive.
Então olhando todos os anos passados e futuros, dê, você e mais ninguém, um sentido que se concretize aqui, nesse mundo material, nessa vida mortal, e está sendo existencialista (OK, pulei toda a parte da fenomelologia, essência, existência, e a discussão de psicologia social mas não sei resumir isso em dez linhas)
EU resolvi escolher o mesmo sentido que Sylvia Plath (apesar de não gostar das poesias dela) Ser feliz.
Para isso, mais um pouco de filosofai (nunca é demais, não é?)
A Felicidade é um conceito abstrato, e como os demais tem uma origem concreta.
A noção de felicidade se constrói ao longo da vida a partir de generalizações sobre o prazer. (aliás as generalizações sobre o prazer, além de construir o conceito de felicidade constróem o de bem)
A felicidade é um estado que deriva do prazer.
então para ser feliz não deveria seguir nenhuma filosofia zen, dez mandamentos ou manuais de auto ajuda. Mas se hedonista com liberdade o suficiente para ver no hedonismo mais que esbórnia, já que a esbórnia NÂO ME ATRAI!
P.S.:
Talvez você não tenha lido tudo, ou mesmo que tenha lido não tenha percebido essa nuance que está implícita: Cuidado! Acabo de dizer que minha liberdade permite mudar princípios e que a coisa mais importante é meu prazer pessoal. Posso abandonar idéias, posturas, movimentos e pessoas sem um pingo de remorso.
No mais gosto muito de vocês.
P.S.2:
Aos meus amigos boêmios do início recomendo que parem de me ver como uma cópia covarde e enrustida de vocês!
Parem de achar que sou uma vítima!
Percebam que a minha vida é mais recheada de prazer que as suas!
Quando eu precisei de ajuda vocês não puderam me ajudar e agora que não preciso vocês apenas me cansam.
Por isso o título do texto. Não odeio muitas coisas, mas das coisas que me enfastiam me afasto.