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11/08

A Genealogia dos Anjos

20:52 by cochise. Filed under: conto

A primeira vez que o vi foi antes de entrar para a escola. Enquanto… enquanto meu pai fazia o que não devia ele apareceu e não olhou para mim com desejo, pena ou desprezo, mas com um ar interrogativo. Como se me perguntasse o que eu ia fazer a respeito.

Poucos dias depois eu o vi de novo quando ele batia na minha mãe. O que eu podia fazer? Até hoje não sei direito o que eu fiz. Lembro de minha mãe me dando um banho, tirando muito sangue de mim e que nunca mais vi meu pai.

Lembro de vê-lo novamente só na quarta série. Os garotos estavam todos começando a fumar, arrumar unscasos para contar…

Desde que entrei na escola me dei mal com os alunos e bem com os professores. Até o dia que um aluno qualquer começou uma briga com a prefessora. alguma coisaboba sobre dever de casa. Então ele bateu nela, e ela saiuchorando. O diretor apareceu e tudo aquilo que se esperava, mas antes dele eu o vi de novo, olhando para mim. Nem lembrava mais dele. Pela primeira vez vi ele se mexer. Ele apontou para o livro na minha carteira, alguma coisa do Assimov, e levantou um dos longos dedos afiados. Primeira lei de Asimov. Ação ou omissão. Eu estava sendo omisso.

É muito simples comprar uma PT. Muito mesmo. E até que é barato. Uma televisão em troca de uma arma. No dia seguinte ao incidente eu já estava pronto para deixar de ser omisso. É claro que expliquei para ele porque ele ia morrer. Nem mesmo um animal como ele precisa morrer sem saber porque. Mas aí a professora me pediu pela terceira vez para não matar ele, e ela estava sendo bastante sincera, não só educada. Então entreguei a arma para ela, e poucos dias depois fui transferido novamente. Já tinha sido mandado da primeira para a segunda em um mês, depois para a terceira em mais dois para a quarta em outros seis e agora estava sendo mudado de escola, mas fui mandado de volta para a terceira.

Se passaram anos antes que eu o visse de novo.

Eu estava na oitava. Era muito mais novo que todo mundo na sala, mas isso nunca me incomodou. Eu o vi na estante da biblioteca da escola. Se chamava Augusto. Finalmente o entendi. E entendi que eu era do mesmo tipo de fibra que ele. Que eu era da mesma estirpe de anjos que ele.

Humanidade e civilização conta o atavismo e a barbárie. E nós dois acabamos caindo na capital da barbárie. Rio de Janeiro.

Hoje sei que Disraeli está certo e “O momento exige que os homens de bem tenham a audácia dos canalhas”. Porque sei isso posso afirmar que um dia a Sapucaí será abatida como o cão sarnento que é por alguém de nossa estirpe de anjos.

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11/08

FESTA BARKAÇA

17:13 by cochise. Filed under: Sem categoria

cfb_final_leve

_Tá sabendo da FESTA BARKAÇA?

_O quê?

_Barkaça, cara, aquele fanzine bacana!

_Sow

_Vai ser lançado na festa. Todo o lucro convertido em poesia!

_Então deve ser caro, né?

_Que isso doido! Só 3 reais a entrada.

_Ixi, então não vai ter nada

_Vai ter performances teatrais e poéticas com Bandeirola, exposições e painéis de artistas desta da Divinéia Desvairada, shows do Chapéu de Paia, Amelie, theelephantsarepink e o som dos DJs Vitor Morel e Gedley Braga.

_Puts! Então também tem boate?

_Que isso cara!? É num casão, com vários ambientes. Vai ter até lançamento de livro! Até sorteio de cortes de cabelo!

_Nóoooooo, quando vai ser?

_Sábado, dia 29, na Rua Rio Grande do Sul, 1430. Entre a Salinas e a Serra do Cristal. No centro mesmo.

_Que Horas?

_Começa às 4 da tarde e vai até a hora que a polícia mandar parar! Ow, deixa de pergunta e dá uma olhada no cartaz!

_Show, acho que vou repassar a notícia.

_Claro, faz isso você também! Valeu!

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11/08

Kadish

16:58 by cochise. Filed under: poesia

mil formas
mil ares
milhares

festim feto taiwan *
ianomami cinza pesar **
puro abutre brasa zaratustra ***

eu
quem sou eu?
em nome de durkheim, quem sou eu?
me diga kral quem sou eu!
alfaiate sartreando identidade, quem sou eu?

Pesar sem forma, individual.
kadish
kadish
kadish
chuif

* – Em Taiwan, há um elevado número de abortos por causa do controle populacional e da preferência cultural por filhos homens, e ocorreu de restaurantes criarem pratos usando fetos humanos abortados.

** – Os Ianomami cremam seus mortos e comem as cinzas deles durante seis meses de luto.

*** – No zaratustrismo, o corpo do cadáver não pode entrar em contato com a terra ou com o fogo, ambos elementos sagrados. Então, para manter a pureza do elementos os cadáveres são expostos ao sol e a abutres e depois os ossos são queimados lentamente em carvão embrasa sem chamas.

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11/08

Psicologia infantil, culpa e Deus

13:08 by cochise. Filed under: digressões

Aviso aos navegantes. Apesar da forma acadêmica faltam citação de embasamento porque é apenas idéia não testada empírica e estatisticamente. Não sei se alguém já pensou isso antes.

Para nós, adultos é praticamente certo aceitar um certo nível de caos no mundo. O mundo é resultado de tudo que todas as pessoas fazem e portanto ele se comporta de modo caótico. Para as crianças não é tão simples.

Relembrando Piaget, o mundo não é impessoal para as crianças. Ele é pessoal e maniqueísta. Existem as coisas boas e as más no mundo, e tudo tem alma. O sol e as flores tem rosto. Toda criança é animista. Alem do mais, o bom e mau do mundo deriva de sensações concretas e subjetivas da criança que são respectivamente prazer e dor.

Mais que isso, toda criança realiza pensamento concreto, não abstrato. A abstração se dá a partir do acumulo de dados concretos e do desenvolvimento da psique infantil. Ou seja, o abstrato é construído a partir do concreto. O bem, impessoal e abstrato é construído a partir da percepção de do bom concreto, que deriva diretamente do prazer.

Aliado a isso temos a educação nas três religiões abraonicas que declara q1ue o mundo é pessoal, não impessoal. Ao invés de cada coisa ter uma alma, ela afirma que existe uma alma por trás de tudo regendo os atos, mantendo a pessoalidade do mundo, e eliminando o caos. Por um lado é uma visão bem confortadora, uma vez que o caos é angustiante. Gera a senação de impotência e abandono. Por outro tem sérios problemas.

Em primeiro lugar o mundo é caótico, e qualquer teólogo vai explicar os complexos mecanismos que permitem uma ânima mundi (alma do mundo, ou deus) individual e pessoas ao mesmo tempo que permitem que o mundo seja um amontoado caótico de vontades em movimento executando ações imprevisíveis e incontroláveis. No entanto toda essa argumentação está inacessível à mente infantil, por ser imensamente abstrata e elaborada.

Em segundo lugar, essa ânima mundi, que na concepção infantil se aproxima do deus católico medieval, recompensa e pune. Toma atitudes humanas, assim como as almas individuais também tomavam E essa visão é cristalizada através de coisas como Sodoma e Gomorra, dilúvio, Adão e Eva, Davi, Salomão e outras tantas histórias de punição e recompensa. Os acontecimentos caóticos são transformados em desejos pessoais da ânima mundi. Assim como as flores desabrocham por estarem felizes a os brinquedos se escondem numa primeira etapa, com a introdução da ânima mundi una, os brinquedos se quebram por vontade dela, como castigo. Os gatos tem filhotes no quintal por vontade dela como prêmio.

Mas se acontece alguma coisa séria, uma amigo, ou os pais morrem, é como castigo à alguém. Deve haver alguém para receber a culpa do caos, poque o mudo é controlado por uma ânima pessoal.

Então lembrando da derivação concreta dos conceitos abstratos, os pais que tanto prazer proporcionam aos filhos, são bons, portanto não podem eles serem os culpados pelo castigo pessoal. Isso sem contar a predisposição natural da ciança aser egocêntrica e achar-se determinante para todo o mundo que a cerca. Ainda segundo Piaget, é difícil para a criança admitir que algo dentro de seu universo de conhecimento possa ter algum motivo desligado dela.

Então a culpa do caos recai sobre ela mesma.

As argumentações de que estão no paraíso só ajudam a reforçar essa idéia, uma vez que eles estão bem. E estão bem sem ela. Mas mesmo que não seja um caso extremo como morte dos pais, as crianças tendem a se culpar pelo que acontece de ruim a elas e ao universo ao redor dela, porque são egocêntricas, concretas e maniqueistas.

Isso explica, porque crianças que sofrem abusos físicos ou sexuais tem dificuldade em denunciar o agressor. Internamente ela assume a culpa do mal, porque o caos e a impessoalidade são conceitos que ela não consegue compreender, e que nós nos esforçamos para manter através do ensino religioso.

Independentemente do crescimento e desenvolvimento da psique a ponto de aceitar o caos, não podemos pensar a mente como um todo único e uniforme.

O desenvolvimento da psique piagetiana é quase unicamente da cognição. O fato da cognição ter se tornado mais complexa e aceitar o caos e conseguir casar isso com a presença de deus através de argumentos teológicos não quer dizer a destruição dos complexos que participam da dinâmica psiquica

Se pensarmos a psique como um conjunto de complexos autônomos, nem todos conscientes e a cognição sendo apenas uma função de alimentá-los de informações, o desenvolvimento cognitivo piagetiano que se porcessa da infância à vida adulta, não muda em nada a paisagem psiquica.

Quer dizer que o mecanismo de se culpar continua operando apesar dele não fazer mais nenhum sentido do ponto de vista lógico. Em um grau maior ou menor o indivíduo adulto continua vendo as injustiças do mundo como uma punição à ele próprio, o que leva a um quadro sitomático interessante.

Se as injustiças acontecem por uma culpa não determinada do próprio ser, ele antecipa o castigo a fim de se proteger de um castigo posterior. Essa postura é  inata ao ser humano e não está presente apenas nas religiões abraõnicas, mas em praticamente doas as culturas. A fim de se escapar de uma punição posterior, se anteciap a apunição atrael de alguma penitência.

No entanto esse processo todo é inconsciente e inteiramente ineficaz, uma vez que a penitência pessoal não vai fazer com que o mundo seja caótico. A injustica existente nesse caos não vai deixar de acontecer. Então a penitência é aumentada ineficazmente sempre mais a fim de mitigar a injustiça, o que só amplia o sofrimento que além de ser o sofrimento externo causado pels injustiças do mundo se soma ao interno causado pela penitência ineficaz cada vez maior.

quanto maior a culpa asumida na infência mais desenvlvido o complexo de assumir a culpa e se punir e maior a dificuldade de se libertar dele.

No entanto se libertar dele significa assumir que o mundo é impessoal e caótico e por isso mesmo, insensível, injusto e incontrolável. Admitir que não existe nada que nos proteja do caos de uma bala perdida, um incêndio ou um desastre de avião. Que os mártires não sofreram por causa de nada além da vontade humana e que não há proteção. Que nenhum anjo segurará a boca dos leões para salvar Daniel. Não se Daniel for um zé mané que não é nada de excepcional nos planos e desígnios.

Admitir o caos do mundo é admitir que a àguia nos empurrou do penhasco para que voemos, e que não irá nos proteger e tutelar durante a jornada, e talvez essa seja a maior diferença do antigo testamento para o novo ou para o corão, a liberdade e a vulnerabilidade do homem.

E o que as escolas dominicais não ensinam para as cianças.

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11/08

Cafeína, meu amor

14:35 by cochise. Filed under: Sem categoria

Então lá vamos nós.

Em uma medida de insanidade extrema resolvi começar mais um livro.

Só que esse com data para acabar. 30 de novembro. E tamanho mínimo para ter, 50.000 palavras.

Sei que é insano e que existe algo em torno de 80% de chance de eu não conseguir ou de ficar uma porcaria. (Sim, sou autoconfiante a ponto de admitir só 80% de chance de falha)
O livro é Cafeína, meu amor e pode ser conferido aqui.

Ele fala de um homem de meia idade que começa a repensar a sua vida em seus diários de insônia regado a a café e acaba recebendo uma ajuda de uma misteriosa mulher de cabelos cor de mel que vai dando pequenos empurrões nas reflexões ele.

Além disso, reorganizar os livros. eles estão divididos em categorias. Completos e Incompletos.

Estejam a vontade para ler e opinar sobre a obra, mas estão avisados que tem que apertar o passo, porque ela vai ter que ser escrita em ritmo acelerado.

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11/08

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11/08

Arquiduque do Nada

22:28 by cochise. Filed under: digressões

Não, não é derrotismo. Aliás prefiro ser arquiduque do nada a de qualquer outra coisa. Sou um dos inúmero Arquiduques do Nada.

Em primeiro lugar odeio toda forma de meio tornado fim. A guerra é um meio, o poder é um meio, a palavra é um meio, a arte é um meio. Meios não devem ser fins em si.

Mas definir os fins é tão difícil que mesmo se Ignácio de Loyola voltasse à terra para garantir que ele estava certo e os fins realmente santificam os meios, quais fins defendemos hoje?

O que, se defende? O que maior que si mesmo se defende? Qual o grande fim? Então se for para escolherentre o meio tornado fim e o nada prefiro o nada.

Além do mais, o nada sempre me fascinou por estar prenhe do tudo. O nada é terreno virgem à ação da vontade. É o terreno onde os fins serão erigidos, portanto chegar até o nada é o objetivo dos meios.

A incerteza, o ponto de mutação, o ponto flexível onde os rumos podem ser mudados, o nada.

como Arquduque do nada declaro que este é o meu domínio e todos são meus Co-Arquiduques, todos os que ainda usam o meio para cehgar ao nada ao invés de para chegar a si mesmo.

P.S.:

No mais ainda amo muito todos vocês.

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11/08

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11/08

Cotidiano

18:17 by cochise. Filed under: poesia

prazer e culpa
Ocidente
Limites
prazer e culpa
Consciência
Limites
prazer e culpa
Medo
Limites
prazer e culpa
Cicatriz
Limites
prazer e culpa

Essa vai para a Fabiana do Subexposta Que inspirou isso com um post chamado Avalahche

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11/08

Não haverá metáforas

16:30 by cochise. Filed under: Óculos de longo alcance

Não. Dessa vez nada de viagens loucas com metáforas mirabolantes e fora de escala.
Nada de saltos de lógica absurdos ou uso descarado de símbolos e mitologias.
Tudo que haverá, aqui e agora é um pouco de realidade. Essa vida de todo dia que eu e você vivemos quando abrimos os olhos.
Aquele dia de 24 horas que sempre acaba com um resmungo de saudade do teleiois.
Exatamente porque não há metáforas aqui não há nada a se dizer. O dia foi normal, sem nenhum acontecimento excepcional. Não há o que se falar da vida. Vive-se o que é necessário viver, porque as pessoas vivem de dinheiro e diverte-se o que é possível se divertir porque as pessoas precisam de refúgio.

Agora que está explicado porque uso metáforas, volto a usá-las.

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