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Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for January, 2009

Porque não gosto da crônica brasileira

A grande verdade assustadora e horripilante é que odeio Rubem Braga, Fernando Sabino, Luís Fernando Veríssimo e toda a nata da crônica brasileira.
Tenho dificuldade de ler. Gosto de manter distância.
Revelado o lado negro da vida as explicações rápido antes que comecem a chover machadinhas (canivetes não seriam o bastante)

Acho a crônica imbecil porque é tudo muito sem motivo. A gratuidade me desagrada. A grande impressão ao ler duzentas páginas de crônicas de duas páginas e meia é que é tudo muito gratuito. Os conistas não se dão ao trabalho de descer aos subsolos das mentes para achar as motivações por trás dos casos. Aliás, essa não é sequer a proposta do estilo. A cônica é um retrato de polaroid. Um instantâneo, não um tratado, nunca uma análise.
A magia da crônica que é deixar a metade subjetiva aberta para o leitor só me faz detestar o estilo.
Isso porque entre leveza e peso sempre escolhi o peso. A ação com motivo é o que move a minha vida. A gratuidade, me parece a breve bruma que o vento desfaz. A crônica é uma forma de fumaça baseada na falta de alicerces, competência e inteligência.
É duro? Sim. Mais do que devia, eu sei. Mas aí está a explicação para não gostar de contadores de causos e cronistas cuja principal preocupação é o fato em si, e não as engrenagens por trás dele.

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carne

gilete audaciosamente projetada
no céu da boca como alga no chapéu
estrelas redemoinham no moinho de vento
molares embotados no bailar das balas
no ritual orgânico e destoante de um órgão qualquer

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arbítrio

Nunca Sempre Quando Onde
necessário saber
dessas necessidades
de absolutos
dessa necessidade
de respostas
de responder
falta tempo
sempre falta
nunca sei o que fazer
sobram erros
nunca acabam
sempre precisam absolver
sempre é preciso
chocolate
bacon
açúcar
cafeína
auto engano
auto suborno
alta taxa de satisfação
sempre nunca quando onde
o que é preciso mesmo saber

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meias palavras inteiras

quando
sempre
quando
nunca mais
sempre?
sempre
às vezes…
Não!
Certeza?
toda
vamos?
certeza

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Vamos. Não custa nada. É só sentar, escrever alguma das suas angustias, insônias, anseios ou paixões e esperar que alguém leia e não entenda. É realmente muito simples.

Quem sabe um editor consiga um dia entender coisas como por exemplo a dificuldade que foi revisar aquele livro que tem todos aqueles erros de concordância propositais, ou ou descubra porque aquele outro livro não pode ter númerosn nas páginas.

Quem sabe um dia apareça alguém que entenda porque essa fixação por pessoas em seus limites sociais e morais. porque essa ânsia de desconstruir tudo que foi afirmado no capítulo 1.

Continue assim que vai continuar afirmando que tudo vale a pena se a alma não é pequena, e negando que no final das contas o escritor escreve para ser lido, e gostaria que pelo menos alguém aparecesse para dizer que entende. Não é a admiração que o escrior procura, mas a compreensão. Quer que alguém diga que odiou o livro, e na hora de explicar porque desconstrua cada farsa dentro dele.

É a grande diferença entre destruir e desconstruir, sabia? Para desconstruir é preciso entender. O livro é apenas uma grande máquina de fazer nada a espera de que alguém o desconstrua. Se alguém o fizer quer dizer que a autor finalmente ganhou um leitor. Um só um prêmio, uma dádiva. muitos é simplesmente impossível.

O escritor vive perdido dentro de seu labirnto. Minotauro faminto a espera de Teseu. quem conseguir o encontrar no meio desse labirinto, quem conseguir matar a obra e revelar que são apenas fumaça e espelhos, mostrar as engrenagens do Deus Ex Machinae ao invés de adorar o Ghost in the Shell é seu alfa e ômega.

É para esse leitor que o escritor escreve. Para seu nêmesis e renascimento. E é esse que nunca acha. Sequer encontram o labirinto. Sequer vêem a entrada. Perdido a morrer de velhice em seu labirinto o minotauro se devora cada vez mais. Cosnstrói um labirinto dentro de si mesmo, e cria caminhos cada vez mais complicados, para tornar a existência do labirinto cada vez mais óbvia para ver se alguém tem coragem de entrar nele.

Mas ninguém encontra o labirinto.

Ou encontra?

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