Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for February, 2009

É carnaval em Salvador

Ana precisou de muito tempo de estudo. Muito trabalho teve que ser feito para poder construir um modelo funcional. Longa noites de frente a equações mais complexas que a causa da mente natimorta.
Os princípios simples sempre demandam muito trabalho para se concretizarem.
Ondulatória, os princípios dela era o bastante.
Na prática tinha sido necessário um martírio de dois anos até conseguir acesso a mais da metade dos trios elétricos da capital. Dois anos tratando seus pobre ouvidos com latrina onde essas mentes poderia desovar suas entranhas apodrecidas.
O bem comum muitas vezes exige um sacrifício pessoal. O grande trabalho foi burlar os sistemas anti microfonia dos alto falantes para causar a sobreposição de onds de baixa frequência.
A 20Hz o ouvido humno deixa de ouvir, a 10Hz se manipula as mentes, abaixo disso entramos no campo de Tesla e as coisas começam a tremer.
Ninguém usaria uma arma de infrassom, porque ao contrário da luz o som não pode ser direcionado. Bem… isso é um problema para governos, não para terroristas.
O outro inconveniente é que o infrassom precisa de alto falantes grandes e pesados… como os dos trios elétricos.
Mas mesmo isso não é o bastante.
Um trio elétrico fica de 20 segundos a 3 minutos em frente a uma casa, o que até a faz tremer, mas não o bastante para cair. e mesmo qu caísse… quem ganharia alguma coia com isso
O mais importante é que o som alimentaria as ondulações naturais da Terra.
Por isso 116 ressonadores ligados a pilares de prédios na cidade baixa seriam ativados pela passagem dos trios e funcionariam durante um mês, vibrando na frequência da Terra, aumentando gradativamente a amplitude da onda.
No início de abril, quando a primeira micareta passasse por la encontraria um subsolo sem consistência por causa de um mês de vibração, e antes do fim do dia toda a cidade baixa afundaria dentro do Atlântico.
A água salgada lavaria essa ferida da humanidade.
Neste dia Ana estaria lá para ver a sua obra. E depois continuaria os outros planos de longo prazo.

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Epitáfio

Estou farto do lirismo
Faca aguçada que erra o alvo cego
Fosse o verso granada, e não faca
Atingisse todos por perto
Impondo sua existência contra a vontade
Ainda faria sentido escrever poesia

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Em fevereiro tem carnaval

Costumo brincar dizendo para o teto “se você me der um fuzil a culpa é sua”. É uma brincadeira, mas tem um fundo de verdade.
O instinto assassino que o carnaval, o pagode, a Rede TV, e outros expoentes da”brasileiridade” me causa só é comparável com o medo de ir para a cadeia três dias depois de comprar a minha primeira arma.
Desenvolvendo mais um tema já abordado, a cultura popular brasileira, é apenas identidade de grupo. É só a massa dizendo “eu pertenço à”.
Falta cérebro. Falta a mente pensando e criando algo onde seja necessário conhecimento, reflexão, noites de insônia, etc.
Lendo Guimarães Rosa, vejo um retrato do sertanejo de Minas Gerais e vejo apenas que é um homem que nunca escreveria uma sinfonia, nunca escreveria um ensaio sociológico ou psicológico, nunca entenderia o mundo em que ele vive e as engrenagens desse mundo. Que é um homem concreto para quem a inteligência, o conhecimento e a abstração são apenas concretos e utilitaristas. Para quem a arte e a cultura são o abraço coletivo das festas de reinado que mantém a solidão de fora, junto com as grandes e importantes questões da vida.
Carnaval é apenas um ópio coletivo para fingirmos que não estamos sós diante das grandes questões sem solução. Um ópio para amortecer o cérebro. O soma anual para anestesiar nossa capacidade de fazer perguntas, sentir angústias e evoluir. Ou seja, algo que merece uma bomba atômica, um atentado terrorista, um genocídio.
talvez isso explique alguns contos onde aparece um anjo e porque enquanto pessoas mais normais odeiam as bagunças dos ônibus de Itaúna e depois se adaptam e sentem saudades, eu estou saindo do meu antes que eu compre uma arma e ão sobre ninguém vivo naquela balbúrdia horrenda e desprezível.

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Pode-se falar em obra completa

Na falta de tempo e amontoamento de notícias não muito boas, consegui finalizar a revisão de Objeto e fazer a compilação que mencionei no post anterior.
A coletânea se chama Húmus Humano e tem os textos da O Homem Solitário, Objeto e Ambidestra e uma introduçãozinha de uma página. Para quem quiser tudo é melhor, porque comprando os três volumes separados se gasta R$98,48 e comprando o Húmus Humano apenas R$64,99
Para quem está a fim só de um, porque não gostou do outro ou porque a grana está curta, Objeto foi adicionado, com um comentário de quatro páginas no final ainda inédito e saiu a R$33,49.
No mais, descobri que se não considerar a infinidade de contos, poesias, ensaios e artigos do blog a minha obra completa tem apenas 243 páginas. Ou seja, mais ou menos a meta de Cafeína meu amor e Alfa Beta Gama individualmente.
Me desejem sorte com essas novas empreitadas.
Estou desejano sorte para todos nos.

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Livros, livros a mão cheia

Bem. A novidade não conseguiu vir ontem de madrugada, mas chega agora de manhã. Estou lançando os meus livros através do Clube de Autores.

Já estão lá, O Homem Solitário e Ambidestra.

Até amanhã devo lançar Objeto e um volume único com os três.

O Homem Solitário sai pela bagatela de R$34,99 e Ambidestra por R$30,00.

Objeto deve ter o preço próximo ao do Homem Solitário, já que é do mesmo tamanho e o volume único deve sair por aproximadamente R$70,00.

Se tiver dinheiro sobrando, recomendo aguardar pelo volume único, se for comprar só um deles, a opção já está aí, ou pelo menos dois terços dela.

Antes que me perguntem, não, não vou retirar os livros do blog. Eles ainda podem ser lidos aqui.Assim que tiver um parzinho, inclusive pretendo colocar Ambidestra no blog.
O objetivo não é forçar ninguém a comprar, mas afirmar:
1 – Se acha que vale a pena ter em papel para ler na rede ou no banheiro, compre.
2 – Se acha que fiz um bom trabalho e mereço receber pelo trabalhão de criação, revisão e diagramação, compre.

Obrigado pela atenção.

Vejo vocês em breve.

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Papo descritor 01 – A Saída de Dionísio

Iniciando um novo tipo de postagem…
É incrível o que uma webcam, um microfone de computador e um sistema Linux podem fazer.
O vídeo foi capturado com o Cheese, teve o áudio editado no Audacity e o vídeo editado no Kdenlive, ou seja, tudo em software livre. Só me falta uma câmera melhor e uma mesa com amplificador para o áudio ficar realmente bom.

PS
E aguardem novidades… muito em breve, tipo assim nessa madrugada ou amanhã cedo.

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Falar mal

Na infinita busca de um escritor por novos públicos, comecei a publicar no Overmundo. Principalmente coisa velha, que hoje em dia tempo para escrever é difícil, mas a gente tenta.
Espero conseguir tocar algo de ficção para diante em breve, mas isso é oura história.
O interessante é a minha experiência com os dois primeiros dois texto que coloquei lá.
São dos textos. O Schopenhauer no Clube da Luta e o Porque não gosto da crônica brasileira.
Não vou mentir. Sei que o Schopenhauer é muito melhor. Aliás isso se confirmou lá, já que o Schopenhauer foi publicado com 80 votos e o outro não, com pouco mais de 20 votos.
No entanto o Schopenhauer teve três comentários e o da crônica seis.
Bizarro.
Porque comentam mais o que não gostaram?
Porque essa incapacidade aparente de elogiar, e essa facilidade em criticar?
Aliás, na internet faz mais sentido elogiar que criticar, não é? Afinal se não gosta de algo é só não voltar lá. Se gosta é que vai voltar. E faz sentido comentar apenas o que gosta.
Passeando na blogosfera, se vejo um blog que não gosto apenas fecho a aba. Um que gosto, comento, assino feeds, guardo nos favoritos ou coisas assim.
Será que tem a ver com o desejo de orçar as pessoas a entrarem na comunidade, tornarem-nas iguais a nós que falo no post anterior?
Sinceramente não sei. Só me espanta o texto com menos votos ter mais comentários. Na minha lógica não faz sentido.
Estou colhendo dados…

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O Fascismo nosso de cada dia

Nós, as pessoas estranhas sofremos muito com os pequenos fascismos de um país que ainda não aprendeu a respeitar a individualidade.
Num país de orgias coletivas(carnaval), identidades coletivas(times de futebol), vida coletiva(família), prazer coletivo(bares, festas, clubes) existe muito pouco respeito com quem não compartilha dos coletivos.
No país da energia, do carnaval, do sangue quente, existe um abraço coletivo, que é também um chute coletivo.
A base dos fascismos é a unidade do povo e a marginalização de todos os diferentes. Quem não gosta de carnaval tem que aturar o caos infernal que a cidade vira. Quem não gosta de festas tem que receber olhares tortos das pessoas “normais”, quem não bebe aturar brincadeiras e insistência como se fosse algo errado não beber.
A maioria no Brasil é intolerante e marginalizadora. Fascista. Quer pela pressão social fazer com que todo mundo entre nela, ao invés de respeitar a diferença.
Um bom exemplo disso é o futebol. Em números absolutos a terceira divisão do campeonato inglês tem mais torcedores do que a primeira do Brasil. Se considerarmos que o Reino unido tem 60 milhões de habitantes e o Brasil 189 milhões, a porcentagem que gosta de futebol no Brasil é imensamente menor. Porque uma sociedade civilizada onde a esmagadora maioria gosta de futebol aceita quando alguém diz “não gosto” e uma pseudo civilizada onde algumas pessoas gostam acham que quem não gosta tem algum problema.
O abraço coletivo do país da alegria, camaradagem e jovialidade que todos adoram tem um lado negro. A não aceitação,a exclusão de quem não quer participar desse abraço coletivo.
Daqui há algumas semanas começa o carnaval. O festival da intolerância, onde quem não gosta é obrigado a obrigado a conviver com a festa afinal “isso é Brasil” e aceitar o fato de que “todo mundo” gosta do carnaval, mas quem gosta pode simplesmente fazer brincadeiras de mau gosto, debochar ou encher a paciência de quem não gosta tentando fazer dele uma pessoa “normal” que se entrega ao abraço coletivo.
E sem que percebamos, se perpetua o fascismo nosso de cada dia, disfarçado de alegria, jovialidade e outras coisas bonitinhas da identidade nacional.

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Ciência da Computação

Lá vou eu, hoje, no segundo dia, para escapar do trote para a faculdade de Ciência da Computação pela primeira vez.
É dessas épocas da vida que eu gosto, quando as coisas parecem que vão se encaminhar. Aparece uma editora que trabalha com impressão sob demanda, um pouco cara ao consumidor ainda, mas já é um começo, de modo que Ambidestra terminou de ser digitado e revisado hoje e até semana que vem devo lançar no “grande mercado” meus três livros prontos e me concentrar na conclusão dos infinúmeros em aberto.
O encontro de blogs é essa semana, sábado. Ótima oportunidade para discutir cultura, tecnologia e sociedade.
Algumas outras coisas correm rumo à resolução, como a transferência da minha mãe para uma cidade que permita que a família more numa mesma cidade.
De tudo que está em andamento, só falta eu conseguir um bom emprego para tudo ficar bem.
Espero que a faculdade seja udo que deve ser, e eu posso importunar você, querido leitor cm matérias sobre tecnologia e software livre mais frequentemente.
Até.

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Finalmente a conferência de comunicações

Foi marcada para 2 de dezembro a conferência nacional de comunicação. Já não era sem tempo.
não sei que céus e terras vão ter que ser movidos para a coisa funcionar com deve, mas é um começo.
Pra quem não conhece, sempre que se faz uma conferência nacional se faz antes conferências estaduais e antes dessas conferências municipais. as resoluções da conferência não tem força de lei, mas são um acordo de cavalheiros entre o governo e a sociedade civil.
Para nos localizarmos, um trecho da nossa constituição:

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Quais emissoras seguem esses princípios?
Educação arte cultura e informação? mas quase toda a grade é voltada para entretenimento. Cultura nacional e regional? Mas nós vemos é cada vez mais a importação de programas. Produção independente? Mas as emissoras são panelinhas e a produção independente tem que pagar para veicular alguma coisa nela. Respeito aos valores éticos? Só se agora ética for se aproveitar da pobreza, dignidade e (semi)nudez das pessoas.
O único que vai bem é a regionalização, que nos outros quesitos, infelizmente também vai mal.
Todo mundo adora descer o sarrafo na Globo. Bem, vou dizer que dos males é o menor. A globo foi ruim. Aí surgiu a Rede TV, essa aberração, e descobrimos o que realmente é ruim.
Se houvesse um pingo de controle social essa emissora sequer existiria. Programas como Márcia, BBB ou Zorra Total estariam a sete palmos.
A televisão deveria ser um mecanismo de divulgação e fruição de arte, cultura e educação. Ela deveria servir para elevar o povo brasileiro, não para emburrecê-lo.
As únicas redes que chegam perto de atingir esse objetivo são os canais públicos, porque as redes comerciais atendem ao deus mercado, porque o objetivo delas não é fazer televisão de qualidade, mas vender propaganda. Para vender propaganda elas precisam de audiência, e por mais que pareça elitista dizer isso, o povo brasileiro não sabe o que é melhor para ele. É um povo de escolaridade baixa, com uma porcentagem imensa de analfabetos funcionais.
como a lógica hoje é oferecer o que o povo quer, para ter mais audiência e vender mais propaganda não podemos ter esperança de uma mudança de quadro.
Só invertendo a lógica e submetendo as emissoras a um controle social que possa obrigar as emissoras a pensar “dentro desses princípios, qual programa dá mais audiência?” ao invés de simplesmente “qual programa dá mais audiência?” podemos ter esperanças de uma mudança.
Acontece que esse controle tem que ser instituído por lei. Tem que ser social para que não vire poder de censura. tem que ser construído participativamente. E no meio de tantos “tem” a conferência é o primeiro passo. Não só para televisão, mas também para rádios.
Como idéias para a discussão:

  • Reduzir o tempo das concessões de televisão de 15 anos para cinco
  • Criar conselhos nas três esferas que reúnam amplos setores da sociedade civil organizada para avaliar programas e de acordo com a nota recebida impedi-los de circular em horário nobre.
  • Definir um percentual máximo de programas de entretenimento na televisão.

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