31

03/09

Os ooceanos engolirão os continentes e nada há de se transformar

19:58 by cochise. Filed under: poesia

Passos de hecatombe
Megatons em cada dedo
Incansável guerreiro
busca onde se esconde
O futuro e o medo

Passos de hecatombe
Assutam passarinho
Explosões nos escondem
Onde fica cada ninho

Estouro da manada
Colisão celestial
Mega Megalápolis
Pai Primordial
Músculos hidráulicos
Criação senoidal

Super homem barroco
Super homem transcedental
Rococólicas oceano
Rococólica continal

27

03/09

Martelo Bigorna

17:39 by cochise. Filed under: Sem categoria

Composição: Lenine

Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço

Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo

Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna

Vou certo
De estar no caminho
Desperto.

27

03/09

Spoc

12:41 by cochise. Filed under: Sem categoria

Composição: John Ulhoa

Não basta ser sincero
ter caráter, ser honesto
Gotta work, like Kirk e o Vulcano
Oh meu Deus, quanta luta, quanta luta
quanto treino
Insistindo e brigando
quanta força, e doendo
Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus…
Ah, não seria mal, oh meu Deus
se eu fosse, é errado, eu sei
sustentado pelo mundo
A Etiópia é assim
Subaquistão é assim…

Il ne suffit pas d´être sincère
honête et avoir du caractère
Gotta work, like Kirk et il Vulcan
Ah mon dieu, que de lutte, que de lutte
d’entrainements, insistant, se battant
que de force, malfaisante
Ah mon dieu, ah mon dieu, ah mon dieu
Ah! Ça ne serait pas mal, ah mon dieu
Si j’étais, c’est faux, je sais
entretenue par le monde
L’Ethiopie c’est ainsi
Le Subaquistan c’est ainsi…

Spoc, Spoc, Spoc, Spoc
é que eu nasci pro trabalho
Spoc, Spoc, Spoc, Spoc
me arruma um trabalho
menos estranho…

25

03/09

Ana

9:25 by cochise. Filed under: digressões

Gosto de Ana. Gosto mesmo. Apesar dela ser uma maníaca-psicopata-homicida. Gosto dela porque ela é uma pessoa que está em busca de uma saída. Gosto porque eu estou em busca de uma saída.
Existem dores PseudoSSomáticas demais por aí, filosofia demais que ninguém entende, psicologia demais que ninguém sabe, entretenimento demais que todo mundo vê.
Ninguém leu Admirável Mundo Novo, mas devia ser leitura obrigatória ao completar dez anos, e de novo aos 12 e de novo aos 14 e de novo aos 16 e de novo aos 18.
Malhação é Pavlov, BBB é Pavlov, Cinema é Pavlov.
Ainda não damos choques em quem gosta de livros mas damos desprezo e solidão.
A política tem lógicas fisiocráticas e a estratégia militar é a anulação dos direitos humanos e o calabouço de torturas da justiça.
O amor, é apenas a profissão da rameira e ninguém lê o velho Will, apesar de todo mundo assistir a Zorra Total e as Video Cassetadas.
Sinceramente se fosse possível ir para as ilhas já estaria lá.
Mas é para falar de Ana, não?
Ana está a procura.Sejam vacas de plástico, bombas de tinta ou genocídio em Salvador.Esta a procura da última resposta. A para a pergunta “Por Que?”
Eu sei que Sartre escreveu quase oitocentas páginas para dizer que é para a libertação coletiva e provou por A+B+C+o alfabeto inteiro que essa libertação coletiva se dá através do comunismo. Sim, acredito no comunismo. É uma das frentes de luta a libertação coletiva. Mas como diria Marx, não existe cultura apartada de economia nem economia que não esteja casada com cultura. Na verdade os dois são apenas categorias de análise do memso fato social.
Talvez Ana se envolva com alguma revolução lá em frente… talvez ela faça isso ao recuperar a fé na humanidade.
Ou talvez ela use Pavlov para o bem. O que não seria libertação, mas poderia nos levar mais perto dela.
E sim, Ana não é uma mulher ou mesmo um personagem. É apenas vontade de poder. Vontade de poder focada na respota da pergunta “Por Que?”

PS
Bárbara. Até sexta você vai ser resenhada.

25

03/09

Um encontro

6:25 by cochise. Filed under: conto

Ana o olhou de cima a baixo. Era bonito o bastante. Outras pessoas se contentariam em chamá-lo de amigo para levá-lo para um canto escuro com certa frequencia.
Por enquanto ela apnas sustentou seu duro olhar analítico diante do olhar pretensamente forte e das piscadas pretensamente safadas dele que deviam estar esperando olhares pretensamente lânguidos. Já era tempo, e ele estava disponível.
“Será que ele já tem experiência o bastante para não ser uma experiência desagradável por incompetência dele?” Chegou a pensar nas alternativas, mas acabou por escolher alguém que pudesse dispensar com facilidade, ou seja, ele.
Sem tirar os olhos da vítima colocou o copo de suco na mesa e pegou uma taça de martini. Fingiu beber, (não bebia) e se aproximou sem desviar o olhar ou piscar mas tomou o cuidado de rebolar como se tivesse calos em ambos os mindinhos dos pés.
Quando chegou perto a ponto de sentir o bafo de cerveja dele teve m impulso quase incontrolável de esvaziar a taça na cara dele e ir embora, mas se segurou. Outr oportunidade dessas poderia demorar.
Se aproximou a centímetros sem tocar e sussurrou “Venha” como se estivesse afônica. Quando ele fez menção de agarrar sua cintura ela cravou as unhas na dobra do pescoço e repetiu ainda se fingindo de afônica “Venha” e se dirigiu para a saída.
Claro que ele foi atrás. Talvez ele se excitasse om outra mulher além da mãe dele lhe dando ordens, mas o fato é que ela se sentou na cadeira de motorista e ele entregou a chave. E respeitou a regra implícita “não toque antes da hora”.
No hotel ela continuou no comando, e de modo nenhum foi uma sensação desagradável, mas também nem perto do que prometia ser. Enquanto ele respirava pesadamente na cama soltando baforadas de álcool volatizado Ana planejava a destruição da testemunha. Certamente em outro lugar, já que ali um perito bêbado encontraria o seu DNA.
A experiência estava feita. Era apenas embebedar os sentidos. Uma droga com menos efeitos colaterais, mas ainda assim só uma droga. Se é o que a humanidade tem de melhor ela teria quemudar a humanidade.

19

03/09

O texto não tem 90 minutos

14:51 by cochise. Filed under: Óculos de longo alcance
Sei lá se é impressão minha, mas acho que o mundo anda estudando menos e estudando mal.
Estava pensando sobre políticas de formação partidária e percebo que cada vez mais as pessoas querem que os textos sejam como filmes de Hollywood, 90 minutos de ação ininterrupta.
Puxa, nem os filmes de Hollywood são legais, imagine um livro que siga essa filosofia.
quando a gente pega um sociólogo, um filósofo, etc para ler, o autor espera que a gente gaste dez minutos lendo e analisando cada parágrafo. Mas os videogames, os filmes… é udo muito rápido.
O texto não tem 90 minutos, então não tem a obrigação de ser auto evidente como o cinema. Ele escode mistérios, exige esforço. Mas Bernard Shaw percebeu que se esperasse de seu público o trabalho de ler seus textos com a atenção necessária estaria fadado à incompreensão, porque as pessoas não pensam, ou melhor “pensam três a quatro vezes na vida”. Então ele começou a escrever epílogos e introduções. Para explicar que suas peças não são sobre personagens e fatos, mas sobre idéias.
Parece que a industria cultural só sabe falar sobre pessoas e fatos nesse neorococó enojante em que vivemos, que ninguém fala sobre idéias. A gente olha, destrincha, esvicera, desmonta a obra em busca das idéias e não acha nada.
Na indústria dos 90 minutos parar dez minutos em cima de cada parágrafo só nos faz perguntar: “Quem fez isso é burro, ou só acha que somos burros?”
Mas a verdade é tão simples que passa batida. A indústria cultural é o NeoRococó. Lembra daquela escola artística que servia só para entreter nobres desocupados? Aquela que não tinha conteúdo nenhum? Que a gente usa como exemplo de decadẽncia?
Voltou com tudo. Está aí. Roteiros simples, pouca profundidade, humor, sensualidade e nenhuma idéia por trás, apenas a máxima (porque chamar uma máxima de filosofia é ofender a filosofia) “Thats entreteniment”.
Bem vindos a esse adimiável mundo novo onde vivem essas pessoas maravilhosas.

13

03/09

Um pequeno passo para a frente, nenhum passo para trás

17:44 by cochise. Filed under: futuro-hoje

É algo pequeno, mas mesmo assim algo para se comemorar. Como fruto (primeiro fruto) do encontro de blogueiros de Divinópolis agora já é possível acessar o Blogger pelos computadores públicos da cidade.
Eles estão na biblioteca, na câmara e nas escolas.
Há muito tempo atrás era tudo bloqueado. Já tínhamos conseguido desbloquear o subdomínio ***.blogspot.com para que fosse possível ler esses blogs desses computadores. Agora com o desbloqueio do endereço bloger.com é possível comentar em blogs, priar um blog e postar neles usando esses computadores.
Parabéns aos que foram ao encontro e ao secretário de cultura Bernardo Rodrigues que atendeu a reinvidicação.
Faltam os outros pontos do encontro, mas esse é um bom começo.

06

03/09

Botando os pingos nos is da palavra "Terrorismo"

23:26 by cochise. Filed under: Óculos de longo alcance

Hoje, e somente hoje, porque ando meio sem tempo, li o post da srta. Mariana Martins sobre a minha birra com o carnaval.
Antes de começar o loongo texto, umas citações:

No descompromisso então, ponho-me a refletir que blog não deixa de ser um Orkut mais elaborado com palavrinhas.
Há blogs que colecionam comentários como se fossem scraps. Há blogs que colecionam várias formulações de ‘quem sou eu’ como no perfil do orkut. Há blogs que simplesmente existem para levantar a bandeira de intelectualismo: “Ah, eu penso, porque eu escrevo, porque eu tenho blog”. Esses últimos são como uma comunidade.

Se formos parar para pensar historicamente, os blogs são descendentes diretos da Usenet, e podemos garantir que o Live Journal foi a primeira rede social e também um dos primeiros mecanismos de blogging. Os blogs não são redes sociais mais complexas. As redes socias são blogs mais simplificados. São o lugar onde conceitos como Web2.0 nasceram. Um pouco mais de respeito por favor.
Quanto à bandeira do intelectualismo…
Há blogs que levantam a bandeira do lesbianismo só para dar um exemplo. Blogs são para se expressar. para falar. Se o autor tem algo de intelectual a falar o blog vai ser assim. Bem como podemos ficar com o kibeloco ou o bobagento que são alguns dos maiores blogs do país e passar longe de qualquer coisa feita por e para QI acima de 30.

O que incomoda o meu pensamento é a alfinetada gratuita que parte da bandeirapensantejulgosuperior, por exemplo, contra a bandeiraburrasemblogquepulacarnavaljulgoinferio

Talvez incomode como já disse em outros lugares a alfinetada gratuita dos que gostam de carnaval sobre os que não gostam. Praticamente somos obrigados a aturar seu barulho e ruído sem muita escapatória. Se eu começar a ler filosofia ou declamar poesia nos ônibus de Itaúna não vão ter a tolerância que querem que eu tenha em relação ao pagode.
Isso me lembra um episódio de Criminal Minds em que um adolescente perdedor que era humilhado pelos valentões surta e começa a matar gente. Quando o treinador conta um dos casos de humilhação pública que o adolescente sofreu o investigador pergunta para o treinador porque ele não fez nada. A cínica resposta foi “Ele tem que aprender a lidar com isso”. Por trás dessa resposta está embutida a ideia de que quem não gostava de futebol americano não merecia proteção. O investigador respondeu “Ele está fazendo isso. Com um fuzil”. Talvez seja exatamente isso que Ana fizesse.
Talvez Ana estivesse destruindo uma cidade porque nunca houve alguém que entendesse que ela tem o direito de ser respeitada não gostando daquilo. Que ela tem o direito de não ouvir os trios elétricos. E que ela não deveria ser obrigada a fugir de sua casa e cidade para alcançar a paz.
Ela tinha que aprender a lidar com isso, e o fez. Destruindo toda a cidade baixa.

EVIDENTEMENTE eu não faria uma coisa dessas. Como quase-historiador sei das riquezas que há na cidade baixa. Como ser humano sei que baixas civis não são aceitáveis.
Mas sei também que há muita confusão sobre algumas coisas…
No meu ramo de interesse principal, a cultura, vejo o tempo todo as pessoas confundindo cultura, arte e entretenimento. E isso me deixa meio irritado…
Em primeiro lugar, se falo mal do texto de Guimarães Rosa, é porque não gosto do seu tema, não porque não o reconheça como um dos maiores escritores da língua portuguesa. Existem duas coisas, o meu julgamento objetivo e o meu gosto subjetivo. Pessoalmente odeio o velho Guima. Analiticamente sei que ele é um gênio. Um gênio aliás que é o expoente de uma atitude que não aprovo de subordinar a arte à cultura. Um gênio que produziu coisas que não gosto, assim como Van Gogh.
Mas sei que Guimarães Rosa é arte, que tenta capturar a cultura. A arte está ligada a estética e intelecto. A cultura está ligada a identidade. As guardas de reinado não dançam porque é bonito, mas porque elas são aquilo. Não há um sentido intelectual ou estético naquilo, mas um sentido de identidade. Essa é a principal diferença entre arte e cultura.
Entretenimento por outro lado está ligado à indústria cultural e prazer físico/psicológico. O carnaval de Olinda é cultura. O bloco dos Filhos de Gandhi em salvador é cultura. Os trios elétricos são entretenimento. O Asa de Águia não tem um sentido intelectual ou estético. Muito menos o de identidade de um povo. Está ligado ao comércio de produtos pela indústria cultural e ao prazer físico/psicológico.
Nesse sentido, comece a entender, que o desrespeito a quem não gosta de carnaval não é feito nem em nome da arte nem da cultura, mas do entretenimento. Em nome do lucro de empresas e da satisfação física/psicológica de pessoas.
A arte deve ser protegida e incentivada. A cultura deve ser protegida e preservada. O entretenimento não precisa de ajuda para se expandir… na verdade acho que devia ser regulamentado…
A TV que deveria ter uma programação educativa, informativa, artística e cultural é praticamente só entretenimento. A música arte precisa de leis de incentivo à cultura para se desenvolver e a música cultura precisa de projetos de valorização para sobreviver. A música entretenimento toca em todas as rádios o tempo todo.
E poderia colocar dezenas de exemplos.
Tinha alguma esperança que percebessem que o texto onde Ana implode Salvador é também um manifesto a favor da arte, já que é o mesmo personagem que planeja uma intervenção ambiental em outro texto. Tenho outro terrorista habitando esse blog, um doente que conversa com um anjo militar mudo (1 e 2). Não precisava dela.
Agora chegando nos finalmentes do fim do texto, talvez o ponto mais grave.
O Brasil é um país sem arte. O Brasil teve arte por quase toda a sua história. Mas dois fatores, acabaram com a arte do país. O primeiro é o formato da indústria cultural brasileira que é totalmente desregulamentada e praticamente onipotente. O outro é o movimento antropofágico.
Quando os antropófagos sugeriram comer o Brasil e abandonar as formas europeias pretendiam criar uma arte nacional. Mas isso foi exacerbado e acabou se tornando uma postura comum no Brasil de acreditar que a academia é ruim e o popular é bom. A postura de acreditar que as raízes culturais que estão ligadas à identidade, nos levariam naturalmente a uma estética e intelecto superior.
É claro que não foi isso que nenhum dos antropófagos fez. É claro que Vila Lobos não esqueceu a teoria musical que sabia nem Oswald de Andrade esqueceu as leituras de psicologia, sociologia, política e o escambau que tinha.
Mas é esse conceito errado que entrou para o imaginário. É esse conceito que ao invés de injetar a cultura na arte tem levado à subjugação da arte pela cultura.
Portugal tem José Saramago. A Boêmia tem Milan Kundera. O Brasil tem Jorge Amado. No Brasil a cultura usurpa o lugar da arte. Se Saramago e Kundera buscam nas culturas, mentes e corações de seus povos o material para criar algo com significado estético e intelectual, Jorge Amando mostra a cultura, mente e coração de seu povo. Guimarães Rosa chega ao ponto de quase construir uma filosofia do senso comum em seus livros. O Brasil cultua a cultura e esquece a arte.
E pelamordedeus, não estou dizendo para deixar a cultura de lado. Ela é importante. Ela deve ser mantida viva, ou se não for possível documentada. Mas não podemos continuar subordinando a arte à cultura como temos feito. A arte tem que criar vida própria e se descobrir independente do povo e da tradição.
A arte não é só ol
har o passado, mas experimentar o futuro, rompendo as vanguardas e entrando no território onde moram os dragões.

Escrevi um livro inteiro sobre felicidade. Se chama O Homem Solitário, está a venda no botão aí do lado, mas também disponível para leitura aqui e para download.
A alegria é importante e fundamental, mas ainda acredito que ela seja anestesia para a mente. Huxley em Admirável Mundo Novo escravizou a humanidade através da alegria. O fim da angústia é o fim do questionamento.
O ícone da brasileiridade é a alegria, e acho isso perigoso.
Se me convencerem que o carnaval é uma festa onde as pessoas descarregam tensões em momentos de aliviante alegria para continuar com vidas produtivas volta e meia interpeladas pela força criadora da angústia, tudo bem. Mas sinceramente… O Brasil mais parece um país inebriado em alegria com mais festas do que é saudável. Um país afogado em anestesia que descarrega ruidosamente a cada dois ou três meses todas as energias psíquicas acumuladas em festivais dominados pelo entretenimento, ou seja prazer.
Há mais por trás de um texto do que parece. Sempre relutei em explicar as minhas palavras, mas às vezes as circunstâncias me obrigam… odeio ser mal compreendido…

02

03/09

Sistema 1 – Definições

8:17 by cochise. Filed under: digressões

Uma coisa que fazia com frequência antigamente e hoje quase não faço mais é ler filosofia. O problema é que não consigo mais passar da centésima página de um livro desses, porque começo a pensar, analisar, cruzar as ideias do autor com outros filósofos, cientistas e com o mundo moderno.
Então hoje enquanto lia Bertrand Russell (de novo) resolvi escrever as coisas para ver se da próxima vez fica mais simples.
Começando pelo começo
Pensara filosofia a partir do final do século XX analisar o que já foi pensado e decidir o que ainda vale a pensar pensado. Todos nós já estamos cansados de autores que vivem a explicar a história da filosofia, então vamos só dar umas definições básicas que vão ser os alicerces daqui para a frente.
A filosofia teoricamente pode abraçar todos os temas, mas historicamente,a medida que foi se aprofundando, foi se especializando e acabou gerando outras ciências. Física, sociologia, psicologia, etc. Nesse processo abraçou em definitivo as ciências humanas e o generalismo,deixando o mundo físico e as especificidades para as outras ciências.
Quando comecei isso a primeira coisa que fiz foi escrever um papel todos os problemas não resolvidos que eu consegui achar. Problemas que às vezes vão invadir campo da sociologia ou da psicologia, mas que vão deixar a física e seu complexo arcabouço de conhecimento de lado.
O objetivo é refletir sobre os problemas da alma, da vida e da sociedade.Coisas simples, feito como alcançar a felicidade, qual a validade da arte, ética e violência, e os fundamentos do amor.
Nesse primeiro só um pouco de metafísica para negar a metafísica e estabelecer as bases para o próximo.

Concreto, Abstrato, Sujeito, Objeto, Fenômeno
ou
Negando a Metafísica

Sou um materialista, e isso é toda a metafísica em que vou me meter. O mundo está aí para quem quiser ver. Todos os idealistas que encontrei parecem mais preocupados em compreender e justificar seu próprio sistema de compreensão do que o mundo em si. Se a filosofia se propõe a analisar, quiçá resolver, os problemas não resolvidos do mundo, ela não pode se fechar em si, explicando a si própria e ao pensamento. Para explicar o pensamento nós temos neurociência e psicologia.
Como materialista frio o mundo está aí. É factual e perceptível. Não faz sentido abandonar o mundo em busca de uma verdade abstrata acima dele,principalmente que vivemos nesse mundo material, e toda solução para aqueles problemas não resolvidos vai ter que ser feita aqui mesmo.
Então para começar, essa distinção. O concreto está aqui, tem existência por si e independente do nosso conhecimento ou vontade. O resto, tudo que não se encaixa nisso é abstrato. São formas de pensamento que existem apenas na consciência humana. Não podem existir se não forem pensados e não existem enquanto não estiverem sendo pensados.
Num exemplo simples e prosaico, pessoas se mudam de cidades e países. Isso é concreto e factível. Pessoas e mudanças são objetos, apesar da mudança ser um fenômeno (movimentação das pessoas em caráter permanente) ainda é um objeto concreto e factível.
Migrações são abstratos. São categorias de análise, abstrações para mensurar,quantificar, entender as mudanças de moradia das pessoas. As migrações não existem, exceto se um geógrafo olha para dados e a pensa.
Mas isso é um grande problema?
A metodologia científica permite colher dados brutos com aceitável proximidade e fidelidade ao objeto real. Não temos porque duvidar dos fatos colhidos da observação do ambiente, uma vez que se não for verdade, é uma ilusão universal, e portanto, na prática, real.
Se podemos confiar nesses dados, a dúvida fica só sobre o discurso construído em cima deles, ou seja, sobre as nossas abstrações. Essas sim, sujeitas a falhas e parcialidades. Contrariando os fenomenólogos que se embrenham nos caminhos tortuosos da metafisica, diria que o fenômeno não se dá entre o sujeito e o objeto, mas entre as abstrações e o sujeito.
Uma árvore é uma árvore, e por mais que em A Náusea o personagem se adimire de sua existência, não se pode negar que seja um ser vivo clorofilado com raízes e estrutura de celulose. Toda a experiência do fenômeno sedá dentro da consciência, porque é a relação de influência e paternidade entre a abstração e a consciência.