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04/09
Cafeína plus plus
Retomando o antigo costume, posto a atualização feita no livro.
Cafeína meu amor acaba de receber uma pequena atualização (e uma pequena homenagem à banda Mull)
Para ler o texto completo é o link aí em cima no cabeçalho ou esse aqui: Cafeína, Meu amor
Já para quem está atualizado é só ler aqui embaixo a atualização:
22/07/2008 Parada de beira de estrada sem nome. 11:23
Odeio dirigir em estradas. Sempre há o risco de um suicida te levar com ele. As estradas brasileiras não se comparam com as francesas. E por culpa única dos motoristas. Se o mundo acabasse não se justificaria tanta pressa. Não acabando não se justifica mesmo. Nesses últimos dias tenho me sentido velho. Mas não perto da morte. Aqui me sinto assim. É como se de uma hora para outra toda essa angústia fosse acabar e eu fosse entrar no outro lado do véu. Não tenho poder nenhum sobre quem vai encher a cara e me mandar para o além.
Se é estranho viver isso tudo desses dias esse desejo escondido de morrer só para ver como será por lá é assustador.
Que se danem os motoristas bẽbados. O que me incomoda é o pensamento fulgido de pisar fundo, respirar fundo e encarar de frente um abraço gélido.
Preciso urgentemente botar a cabeça no lugar.
Não estou com medo. Nenhum. Não vou cometer suicídio. O que me assusta é começar a pensar na morte como uma aventura e nada mais.
Falando sério e sem rodeios.
Acho que estou deixando de ser humano.
A essa altura já deve ter percebido que nunca fui muito normal. Mas sempre escondi bem isso.
Se eu fosse normal não teria problema nenhum em namorar as mulheres que já me amaram e ia procurar uma maneira de trabalhar com o meu pai ao completar 15 anos. Fosse eu normal não tomava café para dormir. Talvez o maior efeito colateral da minha insônia tenham sido as longas noites sozinho em casa.
Desde que entendo por gente uma das maiores preocupações da minha família é me manter entretido à noite ou me fazer dormir. Tive mais horas na frente do videogame que a maioria, mais histórias em quadrinhos que a maioria e mais problemas de matemática para resolver que a maioria. Chega um momento que não tem mais graça jogar videogame ou ler gibis. Acho que amadureci mais cedo do que devia porque vivi bem mais que as pessoas da minha idade. Aos 42 a maioria das pessoas passou 14 anos dormindo. Eu devo ter passado 4,5 ou pouco mais. Mais de nove anos a mais. Como se estivesse fazendo 51. se eu pensar assim talvez me justifique por ter saído do emprego.
Mas sempre escondi bem isso. Essa defasagem no tempo. Essa velhice antes da hora. Seja com doze seja com trinta sempre guardei as madrugadas lendo livros que não tem a ver com o serviço. Li Proust aos dezesseis, Dostoiéviski aos dezessete e aprendi integral aos treze. Porque uma casa é muito chata nas noites em que você não dorme. Curiosamente é esse lado que ninguém sabe que existe, esse notívago culto que tem aflorado esses dias e que fez com que eu me desse tão bem com Cristina.
E talvez que me aproximou da minha mãe.
Encontrá-la não vai ser fácil ou indolor. Mas acho que ela pode responder umas tantas perguntas e se eu não pude ser o parcero dela pelo menos vou poder ser o padrinho do filho dela.
22/07/2008 Belo Horizonte 23:33
Parece que o acaso anda a me vigiar.
Na verdade não faço ideia porque resolvi vir para esse hotel mambembe. quem sabe existe destino e a vida seja traçada pelos dedos de algum escritor que nos faz andar, respirar, viver e sofrer para entreter a audiência. O fato é que estou aqui há exatas quatro horas e há meia algum desconhecido do outro lado da rua começou a ensaiar com sua banda de rock. Uma música sobre o tempo pedir tempo e antigamente pedir velocidade e termina falando que já faz tanto tempo que não se vê uma grande novidade que quando veio veio pela metade.
eles são bons… Me lembram um pouco Sonic Youth, mas usam mantras, o que remete a algumas escolas do metal.
O que eu estou fazendo aqui senão perdendo tempo?
Estou protelando coisas há dias, mas angustiado com essa demora. Como disse a música ” Já não sou mais tão lento para a minha idade”. Talvez devesse simplesmente aceitar que o tempo pede tempo às vezes. Porque demorou tnato para essa novidade vir me visitar que veio pela metade. ainda falta muita coisa a fazer. E talvez sair do Rio tenha sido bom. Apesar de tudo de bom que pode haver lá é uma cidade cheia demais de passados e de histórias. Estou em um hotel que esqueci o nome de três andares e com certeza nenhuma estrela ouvindo uma banda que nunca vai ser tema da Malhação num bairro não muito apresentável de Belo Horizonte (ou cidade satélite similar que não sei o nome). Há três quarteirões daqui a estrada com seus caminhões continua acordada como sempre e há duas paredes daqui posso ouvir um motorista anônimo e uma prostituta anônima fazendo sexo. O colchão cheia a esperma velho e assim que deitei nele levantei e vim para essa escrivaninha. Tudo tem cheiro de estase e paralisia na minha vida, e um bando de adolescentes cheios de energia precisa dizer a mim, quarentão que o tempo pede tempo.
E agora eu sei que essa paralisia está longe de ser estagnação.
23/07/2008 03:02
Não vou dizer que farei isso. Mas gostei de pensar em virar empresaário e músicos alternativos.
Estive conversando com os “garotos” da banda. Adolescentes… Todos com mais de vinte. Preciso rever uns conceitos.
Às vezes é bom sentar no meio fio com a inseparável garrafa de café e ficar falando que a gente se perde no emaranhado de ruas e nem GPS acha a gente. Que falta um jardim no fundo da casa para sentar ao fim do dia e respirar o ar do dia do nascimento.
Não sei explicar como ou o ue foi conversar com eles. Só foi. Não serviu para me engrandecer como ser humano ou aprender coisas novas. Só para me deixar leve e relaxado. Feliz. Nem sempre é preciso um motivo e nem tudo tem que ser em nome de algo.
Meio zem isso, né?
Respire fundo. volte ao dia do seu nasimento e inspire o ar daquele dia. Abra os olhos viva esse fôlego.
(vou escrever um livro de auto ajuda dia desses)
Mais tarde vou ver Cristina e quero continuar com esse ar nos pulmões.
09:12
No carro. A um quarteirão da casa dela. Tremendo. Espero que a emoção seja saudade.
17:57