Imagine um blog normal, com alguns relatos do dia a dia, com alguns artigoa de opinião e para finalizar alguns contos em primeira pessoa que se confundem agradavelmente com os relatos do dia a dia mantendo uma mesma atmosfera.
Imagine que esse blog é escrito por uma estudante de psicologia. uma pessoa que sabe das sujeiras que estão travando as engrenagens da mente humana, que convive com os esqueletos dos porões da humanidade e sabe o quanto poderíamos ter sido e não fomos, o quanto as crises e cicatrizes não nos deixam ir além.
Imagine que essa estudante é extremamente inteligente, ácida, cínica na medida certa e niilista. A maioria dos contos falam de loucura, suicídio, solidão, dor e outras coisas que a gente gosta de empurar para o porão da mente enquanto se afoga em alegria pasteurizada, ensacada e distribuída casa a casa onde o sangeu só corre nas veias por pura falta de opção.
A última vez que começamos a discutir filosofia paramos lá pela uma da manhã, não foi Bárbara?
Bárbara Rocha, ou Akira.
Não sei bem onde termina uma e começa a outra. Se é que são tão diferentes assim.
Isso é uma resenha e tudo que eu falei aqui pode ser considerado patofalar na novilíngua. Não dá para saber se é elogio ou ofensa.
Talvez seja essa a principal característica de se conversar com a Bárbara. não é preciso explicar quem é George Orwel ao usar um termo de 1984. Não é preciso explicar o que é soma. (Não é a conta de mais)
É difícil encontrar na internet alguém que entenda desejos súbitos de espatifar um copo no chão ou afundar uma cidade, ou matar uma pessoa.
A obra dela sempre em primeira pessoa, sempre entre o desespero e a desesperança me lembra Picasso.
Picasso lutou na guerra civil espanhola. Seus quadros dolorosos, retorcidos, angustiados eram o assombro com a monstruosidade do mundo. Se ler os contos dela vai ver um certo assombro. Não assombro de espanto. Talvez o certo fosse desnaturalização do mundo. Um mundo com seus defeitos a mostra com cnismo o bastante para ser assombroso.
Mas não é o fundo do poço.
Se o mundo de picasso é a máquina comedora de homens, o Moloch desgovernado, o mundo de Bárbara é feito de homens. Homens devorando homens com seus egos mesquinhos e egoístas, e homens sendo devorados com sua solidão e loucura.
É um blog duro e pesado. Como as Rochas do sobrenome ou o Bárbara do nome. E talvez seja puro desespero, mas é uma investida entre a desesperança e o desespero, como Picasso de fuzil na mão atirando em outros seres humanos para salvar os seres humanos.
Suicídio e loucura? O mundo e destrutivo e louco. A busca da sanidade e da vida pode ter que passar pela loucura e pela morte.
Contradições…
Se “amor é guerra” é preciso guerrear o amor.
Como pessoa que conheço e com quem posso passar longas horas debatendo Bárbara Rocha é uma pessoa fantástica e muito mais consciente da merda que somos e da onde estamos que quase todos. E exatamente por isso uma pessoa que tem a coragem (ou a loucura) de renegar isso e buscar uma nova forma de ser e estar, “sem fé num mundo além do mundo” e sabendo que a matéria prima (pessoas) está com o prazo de validade vencido.
Como escritora a dona do Makaber Magie é uma verdadeira cubista. Muito mais desagradável de se ler que Danielle Stell ou Sydney Sheldon. Mas muito mais esperta que os velhos operários da indúsdria cultural que fazem seus sensofilmes e tocam seus sexofones.
Vale a pena, mas não confundam com uma emo depressiva. Tem conteúdo alí. Muito. Mas se for para ler com os olhos de hollywood, sem pausas e sem reflexão vai parecer apenas uma gótica depressiva.
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