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Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for July, 2009

Som e Fúria

Se “A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, nada significando”, se o velho bardo Will está certo afinal de cotas o que estamos fazendo aqui?
Outro dia estava reparando que a classificação etária para cenas de nudez é maior que a para violência. É preciso pessoas maiores para ver outras pessoas como vieram ao mundo que para arrebentar as caras umas das outras. Como se todo mundo que pratica um esporte coletivo não visse pessoas nuas nos vestiários todos os dias.
Onde está o sentido? Onde está a lógica inegável, clara e límpida? Onde está… ah, deixa para lá.
Sempre os filósofos tem tentado fugir do som fúria, seja através da tempestade e ímpeto seja através da igreja triunfante seja através da luta de classes. Seres teleológicos como nós precisamos saber que o macho alfa da alcateia está nos guiando para o paraíso.
Pensar é construir o mundo, porque é construir a ordem. O mundo é apenas caos. É um espetáculo de som e fúria que não significa nada, e por isso nós pensamos para o enquadrar em categorias de pensamento. Nós entramos no cerne da tempestade e organizamos o mundo com os poderes fantásticos de nosso pensamento. Nossa magia modela os ventos e orquesta os trovões.
Um dia o ato desses heróis nada mais é que o cristal gasto, rachado e manchado que diz desde a idade média que o sexo é a ferramenta preferida do demo e portanto devemos proteger nossas crianças da visão perfídica de um corpo nu. Um dia o trabalho dos heróis é apenas um esforço pífio, ridículo, tragicômico de ver seus esquemas sendo nada mais que parte da tempestade. A tempesade tem o poder de tomar os moldes em que foi presa e jogar com eles como mais uma folha solta em seu cerne de caos.
Todas as idéias caem. Todas perdem seu poder. Mas depois que isso acontece elas são arrastada no meio da temestade. De idéias passam a ilogismos cristalizados que apenas ferem os pensadores quando mergulham a tempestade em seu esforço de conter a tormenta.
O ser teleológico, o ser político, o ser humano não aceita o fato de que tudo será esquecido, nada será reparado e a vida é apenas som e furia. Apegados ao esforço ridículo e tragicômigo dos heróis de conter o vento em caixas só conseguimos pensar dentro das caixas dos heroís. Nada que não seja da grandeza do mundo nos importa. Nós mesmos, jogados no vento, açoitados pelos cristais fragmentados dos pensamenos arrastados pela tempestade, dispostos a qualquer sacrifício em nome da alta arte de aprisionar ventos. Nós só damos à tempestade nosso sangue, esviaçante das feridas abertas enquanto como loucos gritamos as palavras dos encantamentos.
Mas nós somos os machos alfas. Nós somos os líderes incontestes das alcatéias. Nós somos os heróis, os magos, os deuses que criam um mundo co seu pensamento afiado.
Há os que incapazes de enfrentar a tempestade, sem força o bastate para submeter o bramido dos ventos a sua própria voz, simplesmente se agarram a um cristal e se deixam levar. Ignoram a tempestade e só pensam em seu precioso cristal.
Mas a tempestade não para, e o único destino de quem a enfrenta é a morte prematura por ousar enfrentar sua violência.
Nesse espetáculo de som e fúria, tudo será esquecido, nenhuma das gloriosas catedrais da Verdade permanecerá. Gritar aos ventos é o necessário para ser humano e para encontrar a morte.
Pobre do herói infantil apegado a sua catedral que quer trazer para dentro dela todos os lobos gama agarrados aos seus cristais, pobre herói infantil que se recusa a perceer que sua catedral se tornará cristais no joguete dos ventos.
A Verdade é que nenhuma catedral é a Verdadeira, porque não há Verdade. Há Som e Fúria, e toda verdade é um ato heróico de pensar. Mas toda verdade é propriedade apenas de quem a pensou. apenas quem erige caedrais mora nelas. Suas portas nunca se abrirão à plebe antes da catedral ruir.
O mundo não tem salvação.

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A mulher de plástico

Gene Simmons album coverSeguidor aficionado da estratégia sexual de usar a maquiagem para se tornar artificial. Imagem via Wikipedia

É interessante ver o quanto a maquiagem é importante na sociedade atual.
Pare pera pensar… Todo mundo tem sobrancelha. Todas as sobrancelhas seguem um padrão. Elas tem contornos indefinidos. vão raleando aos poucos.
No entanto se tira a sobrancelha, para que ela fique artificial, para que ela tenha contornos mais definidos e artificiais.
É interessante. As bonecas começam sendo uma representação estilizada do ser humano e em pouco tempo as pessoas estão imitando as bonecas. Sim, porque são as bonecas que tem sobrancelhas perfeitas, sem falha alguma. Ou as pinturas.
Por que afinal de contas o que é humano não é bonito? Por que a pele que se deseja é a de louça, e não a de carne e osso?
Às vezes acho que é algo intrínseco à humanidade. Maquiagem é invenção egípcia e vem nos acompanhando (amaldiçoando) desde então.
Às vezes acho que é sintoma da sociedade consumista que cria necessidades para gerar demanda de produtos e serviços supérfulos.
Mas talvez o gene egoísta possa explicar para a gente.
A evolução precisa de diversidade genética. Então se diferenciar da massa é uma estratégia reprodutiva. Só que o ser humano desde a invenção da cultura tenta o tempo todo passar a perna na evolução. Assim, se se diferenciar é uma estratégia, simplesmente nos diferenciamos artificialmente. Uma sobrancelha irreal, que de cheia passa a inexistente é impossível na natureza. Então é uma estratégia reprodutiva boa. Como se fosse uma guerra a tudo que houvesse de natural em nosso corpos.
O artificial é diferente, então pele de louça, lábios vermelhos, olhos roxos, cabelo azul… todos esses hábitos podem ser explicados a partir dos genes querendo se perpetuar no mundo.
Pessoalmente… só posso falar que é uma pena. Existe uma beleza única em um rosto sem maquiagem. E se os genes nos impelem, a mídia praticamente obriga as pessoas a fazerem sobrancelha, usarem batom, base, etc, etc.

Salão de Beleza
Zeca Baleiro

Se ela se penteia
Eu não sei!
Se ela usa maquilagem
Eu não sei!
Se aquela mulher vaidosa
Eu não sei!
Eu não sei!
Eu não sei!…

Vem você me dizer
Que vai num salão de beleza
Fazer permanente
Massagem, rinsagem, reflexo
E outras “cositas más”…(2x)

Oh! Baby você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão…

Baby você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão…

Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição…

Vem você me dizer
Que vai num salão de beleza
Fazer permanente
Massagem, rinsagem, reflexo
E outras “cositas más”…

Baby você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão…(2x)

Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição…

Belle! Belle!
Como Linda Evangelista
Linda! Linda!
Como Isabelle Adjani…(3x)

Veja como vem!
Veja bem!
Veja como vem
Vai! Vai!
Vem! Veja bem!
Como vai! Vem!
Veja como vai!
Veja bem!
Veja bem como vem!
Vai! Vem!
Se ela vai também!

Aí! Bela Morena
Aí! Morena Bela
Quem foi que te fez tão formosa?
És mais linda que a rosa
Debruçada na janela…(2x)

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Jornalista tem que ter diploma?

Beckwith DiplomaImage by tantrum_dan via Flickr

Na minha nada humilde opinião não.
Em primeiro lugar a exigência de diploma tem mais a ver com o desejo corporativista de reduzir a concorrência no mercado de trabalho que com a garantia de qualidade do serviço prestado à população. A maior parte dos jornalistas foi devidamente adestrado pela sua faculdade a aceitar o fato que o patrão faz a notícia. O jornalismo perdeu o romantismo. não há mais pessoas do calado de Zuenir Ventura, apenas funcionários que precisam ser “profissionais”, não ideólogos.
As faculdades derramam carradas de técnicas em cima dos futuros jornalistas e muito pouca teoria da comunicação, antropologia, sociologia, teoria cultural. Diria que um sociólogo, historiador ou cientista político sabe mais sobre comunicação do que um jornalista.
Em segundo lugar a legislação brasileira entra em contradição se exigir diploma para executar a função de editor. Não sei quantos jornalistas aprenderam na faculdade como funciona a liberdade de imprensa, mas todo veículo impresso tem de ser registrado no cartório. Todo veículo impresso tem de fazer o depósito legal na Biblioteca Nacional. Fosse necessário apenas a segunda característica, tudo bem. Mas o registro exige que se declare um editor responsável.
Essa exigência de depósito e de registro está completamente de acordo com a constituição que garante a liberdade de expressão e veta o anonimato, apesar de eu achar a indicação do endereço da praça gráfica um exagero. Mas se para ser editor é preciso ter diploma, a livre expressão é um privilégio reservado a alguns poucos laureados.
E se um editor não precisa de diploma, por que um jornalista precisaria? E se fosse necessária? Uma pessoa só poderia escrever em um jornal que ela mesma cria, edita, imprime e vende se tiver diploma?
Há que se argumentar que a exigência pode ser feita só para relações de trabalho formais. Carteira assinada e tudo mais, e não uma exigência para o exercício da profissão coo por exemplo médicos e advogados. Isso resolveria o problema do entrava à liberdade de imprensa, mas mostra claramente que é apenas um desejo corporativista que move a exigência do diploma. Mas cria outro problema.
Quer gostem ou não, o que os jornalistas aprendem nas faculdades é pouco mais que senso comum. A atividade da escrita é acessível a todos, a ética jornalistica não é algo extremamente complexo e as técnicas de redação não são algo mais difícil que o ensino médio. enquanto a medicina ou a advocacia são áreas do conhecimento extremamente complexas, de difícil aprendizado autodidata o jornalismo é facilmente acessível a todos. Isso porque o jornalismo nada mais é que a expressão do pensamento, uma característica e capacidade tão básica, fundamental e indispensável que se tornou um direito humano.
A possibilidade de uma pessoa passar em uma prova da OAB sem ser bacharel é ínfima. Caso os CREAs aplicassem provas seria a mesma coisa com a engenharia. São áreas complexas que necessitam de condições especiais de ensino (como laboratórios de anatomia ou de física de materiais por exemplo). No entanto a possibilidade de uma pessoa formada em sei lá… ciência política passar em uma prova do Conselho de jornalismo (se existisse) seria altíssima. A possibilidade de um autodidata sem graduação passar ainda seria alta. E se houvesse uma prova ao invés da exigência do diploma estaríamos colocando um entrava à liberdade de expressão.
Isso tudo para dizer que um jornal pode ganhar mais com um economista contratado para escrever o caderno de economia, um técnico de futebol para o caderno de esportes e um cientista político para a cobertura política do que com jornalistas em todas as áreas. Talvez ganhasse mais com graduados em letras como jornalistas do que com jornalistas.
O que acho realmente absurdo é que em uma época em que o jornalismo militante se restringe a revistas mais alternativas ou se refugia na internet, em que o jornalista é apenas um funcionário de carteira assinada que obedece às ordens do editor, que obedece ao posicionamento politico econômico do dono dor jornal se fale em regulação. Na época em que tínhamos um jornalismo militante nem se pensava nisso. Talvez porque quase nenhum dos grandes jornalistas tivessem graduação em jornalismo. Ah… sim. Não existia graduação em jornalismo.
E não estou falando de ativismo político. Pode ser ativismo cultural, político, setorial. Existem dezenas de causas a defender. Alimentos transgênicos, aquecimento global, democratização dos meios de comunicação, democratização do acesso a cultura, fim do direito autoral, combate à exploração sexual de crianças, fim do trabalo escravo.
As faculdades de jornalismo tornaram a profissão do jornalista um amontoado de técnicas. Uma busca ilusória de impessoalidade, profissionalismo e “qualidade”. Mas tornaram também os nossos jornalistas medíocres. Fizeram dos jornais lugares onde máquinas de escrever de sangue e carne escrevem o que vai vender o jornal e se encaixa na visão política do dono do jornal. O jornalismo deixou de ser feito com alma.
Um poeta chamado Moacyr Félix escreveu que “Aliberdade, meu filho, é a realidade do fogo do meu rosto quando eu ardo na imensa noite a buscar a luz que pediu guarida nas trevas do meu olhar.”
Houve um tempo que se poderia descrever os defensores da liberdade de imprensa com essas palavras. Hoje que jornalistas podem receber essa descrição? Muito poucos. A maior parte são técnicos em redigir informações que querem garantir seu lugar no mercado de trabalho. Só e apenas isso. E por isso defendam a exigência do diploma. porque não vêem mais o jornalismo como liberdade, mas como técnica.

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