Entrevista

Programa provocações de 31/09/2009

- E então? 24 anos, escritor inédito de livros publicados. como é isso?

- É simples. e só escrever e morar no Brasil.

- Você publicou por sua conta?

- E ainda bem que vendi com lucro, porque senão teria ficado com o prejuízo já que boa parte dos compradores não pagaram.

- Amigo nunca paga, não é? É impressionante o Brasil. Em outros países quando alguém escreve um livro os amigos compram antes dele ficar pronto.

- No Brasil eles querem o livro de graça, ou fiado

- O que é a mesma coisa.

- Sim, a mesma coisa. Mas o pior não é isso. eles não lêem. O escritor ao invés de pagar por ser lido está pagando para enfeitar estante.

- Mas o que voc escreveu. conta pra quem assiste já que ninguém leu.

- Sobre liberdade, poder, loucura, absurdo, medo, os assuntos de sempre.

- Os assuntos de sempre? Você escreve sobre isso e quer ser lido. Tinha que escrever sobre sexo, carnaval, amor.

- Hamlet fala sobre alguns desses temas.

- E quem vê Hamlet? Você leu Hamelt?

- Não. Não tive vontade até hoje.

- Não teve vontade de ler Hamlet. Agora Hamlet depende da vontade. Fale mais sobre isso.

- Não há vacas sagradas. Li o Macbeth, A Tepestade, alguns sonetos e mais algumas peças. Gosto do Will, mas não sou obrigado a ler tudo dele. Alguns clássicos são péssimos. Joyce, Kafka ou Prout por exemplo. Outros são ótimos como Shaw e Sartre. Mas não é porque gosto da teoria do brechet e de uma ou outra poesia que sou obrigado a ler tudo dele.

- Então você é um iconoclasta que vem aqui para falar que não é obrigado a ler os básicos. Já fez teatro? Falou de muitos dramaturgos.

- Longe das capitais é difícil encontrar alguém disposto a fazer o tipo de teatro que me disporia a fazer. Além do mais nunca me relacionei bem com o corpo. Seria uma negação no palco.

- Teatro ou cinema?

- Quadrinhos. Teatro é ótimo mas não é tudo que dizem. Cinema é mais flexível e poderoso que o teatro. Você sabe que a edição faz milagres. Mas é caro, e na minha idade você descobre que precisa de uma bomba, não se uma flecha. Precisa de algo que seja capilar e o cinema é caro demais. Fico com quadrinhos, fanzines, blogs... esse tipo de coisa.

- Mas você é um provocador. Chama Sheakspere e Kafka de vaca sagrada, prefere os quadrinhos ao teatro e tem a coragem de falar em idade comigo.

- A minha idade é pior que a sua. Sou velho demais para acreditar em alguma utopia, seja a revolução comunista ou deixar o mundo de lado e viver a minha vida. Eu preciso fazer alguma coisa importante o bastante para não sentir que joguei a minha juventude fora antes dela acabar e poder passar a vida adulta dizendo "no meu tempo".

- Então o segreo da felicidade é esse. dizer "no meu tempo". Ter um ar de superioridade?

- tem funcionado para vocês.

- Ora, não me venha com essa.

- Na verdade a felicidade vem de coisas mais simples. Ter amigos parecidos com você e se encotar com eles, discutir a decadência da humanidade. Esse tipo de coisa. É simples ser feliz.

- Você chora?

- Principalmente de raiva.

- Você já mencionou aqui vários escritores que não gostou. e os que gostou.

- Milan Kundera, Neil Gaiman, Efrain Medina Reyes, Phil Brucato, Campos de Carvalho, Marcelo Rubens Paiva, menos o Feliz Ano Velho.

- Mas é mesmo um provocador.. Não gosta de Feliz Ano Velho.

- Mal escrito, tem uma história medíocre que as pessoas gostam por causa da tal superação. se quisesse ler sobre superação lia Paulo Coelho ou Lair Ribeiro. Mas os outros livros dele são bons. Principalmente Ua Brari.

- Então os livros que você gosta são aqueles que ninguém leu? quem leu Ua Brari?

- Talvez seja por isso que escreva livros que ninguém lê.

- A vida tem sentido?

- Ser feliz.

- Ah não. Chegou tão bem até aqui e agora diz isso? Ser feliz? quem é que acredita em felicidade?

- Não é difícil ser feliz. Nós estamos aqui por causa sei lá de que acaso do destino em um mundo caótico. Exsitem dezenas de religiões professando dezenas de sentidos, então tenho que acreitar que a única coisa que todo mundo quer é se sentir bem. Ser feliz. É claro que me deixa feliz fizilar hollywood ou explodir o projac enquanto essas coisas seriam a tristeza de milhões. Cada um tem a sua feliciadade.

- E é sobre isso que você escreve? Assassinos são recorrentes na sua obra.

- Não. É tudo ficção. O importante são os conceitos. Vejo o assassinato, toda a forma de violência apenas com a saída de Dionísio. Uma busca desesperada dessa coisa que perdemos quando fomos escarrados do nosso nirvana natal.

- Schwarzenegger então é o libertador da humanidade. O novo messias?

- Não... Ele é uma engranagm na máquina. Uma pecinha desprezível. O messias seria um terrorista esético. Alguém como Grant Morrison.

- Então olha para aquela câmera e diz tudo que um dia teve vontade de dizer.

- Óculos de longo alcance para vistas sem relance. Destrua a razão desse beco sen saída. Não tenha medo de odiar. Não tenha pudor de amar. viva com o corpa, a alma a mente e o coração. Com 120% de cada um. Me ouça, porque meu ego se sente bem assim. Não concorde porque gosto de debates. Não dê em cima da minha mulher. Não duvide que eu a amo mais do que pode imaginar. Não veja TV. Mate todos os messias e se torne um.

Muito boa a entrevista. Bjo

Muito boa a entrevista.

Bjo

Esse exercício é fantástico.

Esse exercício é fantástico. Eu vivo imaginando minhas entrevistas, as críticas que vou receber, o que alguém poderia escrever nas orelhas do meu livro se fosse convidado pra isso. Mas nunca saiu da minha cabeça.

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