O pulp é pop
Acima das nuvens no topo do monte ele espera em agonia que seus filhos o libertem.
Eras esperando.
Eles não vêem.
Quem vem é o abutre todos os dias a devorar seu fígado.
Em agonia Prometeu espera e planeja sua vingança.
* * *
De novo o sonho. Aléxandros pensou antes mesmo de abrir os olhos. Era a décima quarta noite seguinte que acordava com esse sonho exatamente às 4:12 da manhã. Alguém em algum lugar queria dizer alguma coisa. Se levantou e foi se preparar para o novo dia. Tomou seu banho frio, comeu cinco azeitonas pretas de olhos fechados, tomou uma taça de vinho depois de derramar as três primeiras gotas no chão e foi se vestir. Hoje finalmente iria a Delfos descobrir o que esses sonhos significavam. Tinha tido mais dificuldade que o normal para convencer seu chefe a lhe dar uma folga.
Pegou seus livros e seus signos, colocou nas costas a mochila dos viajantes e ganhou a estrada em sua moto. Em pouco tempo estaria em Delfos, mas antes faria uma parada para um café da manhã mais substancial. De preferência no McDonalds.
Já tinha estado em Delfos várias vezes e nunca deixava de se espantar com o peso do ar daquele lugar. Atenas não podia se comparar a Delfos, onde a tradição era mais viva e a magia mais verdadeira.
Em outros tempos qualquer um que viesse a esse templo receberia sua profecia. Hoje apenas iniciados podiam saber da entrada das galerias de onde saiam os vapores divinatórios. Enquanto abria a passagem com o signo de sua casa pensou na ironia de um discípulo de Hades procurar por uma resposta vinda do mundo inferior em um templo consagrado a Apolo. Após a passagem estava a velha placa "conhece a ti mesmo". Abaixou os olhos e se pôs a passo lento em direção à fenda.
O caminho era árduo. E deveria tomar pelo menos uma hora de acordo com a tradição. Mesmo que fossem apenas 300 metros rocha adentro. Como disse Adamantios "Pensa bem tua pergunta. O caminho até a verdade sempre é o mais curto e nunca o mais fácil"
O que iria perguntar? Há gerações os deuses não se manifestavam pessoalmente. Por que Prometeu? E por que justamente a um seguidor de Hades? Um barqueiro. O que o Titã lhe dizia com sua ira? Deveria perguntar o que significa o sonho ou o que deve fazer? Talvez a pergunta fosse porque foi escolhido. O talvez fosse o escolhido por acaso. Só por não haver um culto a Prometeu.
O velho titã tinha razão em sua ira. Ele que criou a humanidade e padeceu como ninguém para alça-la a glória completamente abandonado. Foi retirado de seu padecimento apenas quando uma eutanásia foi conveniente a Quíron. Quantas gerações desde o surgimento da humanidade até haver cidades e reinos definidos para Herácles ter suas aventuras? E quantas gerações de lá para cá? Por que justo agora?
Ajeitou sua mochila nas costas antes do próximo passo. Respirou fundo. Evocou a imagem do sonho e fez o que tinha tido medo até então. Implorou aos Oniros o fim do sonho que lhe tinam enviado tão insistentemente.
Viu as correntes se partirem e o centauro brilhar no céu. Mas viu também Prometeu recolhendo os restos das correntes e forjando um único elo prateado em suas mãos ardentes e o atirando pelas escarpas do Cáucaso.
Aléxandros abiu os olhos em sobressalto. Estava tremendo e suando frio. Nunca tinha ouvido falar desse elo perdido. Forjado em ódio por Prometeu em pessoa.
Já sabia o que iria perguntar. andou resoluto os três metros que ainda o separavam do oráculo e perguntou à sibila
- Quem possui o elo de Prometeu?
A pitonisa foi sacudida por um calafrio e da fenda emergiu uma baforada fria e silenciosa. Seu transe se tornava mais violento e frenético, até que se imobilizou contorcida e disse em voz gutural:
- A primogênita de Gaia guarda o que cabe a um humano guardar na cidade dos ladrões.
E por fim caiu desmaiada. Suas aias vieram buscá-la. Ficou sozinho diante do buraco que não encontrava fundo antes do Tártaro. Era hora de sair escalando as frias paredes de pedra, carregando o peso do mistério e o da verdade.

Quero acreditar que esse
Quero acreditar que esse texto não cheira a confissão. Mas meu amigo, de coração, sinto sua falta. sua deserção de divinopolis está soando inglória nos meios entendidos (acho que o 'meio entendido' somos JP e eu).
Mas, no entanto, todavia, entretanto, a tecnologia vem a nos favorecer. Léo e Bia. posso mandar o roteiro para seu email? Preciso ignorar o fator geográfico e sentir sua mente trabalhando com a minha. Te mando também o roteiro de PUSSYCAT. Não recuse essa co-autoria.
Desesperadamente,
Lacerda. O Uno.
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