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Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Sentido!

Do grito do sargento barrigudo, mau humorado e com uma vida que não faria falta ao que a gente procura desesperadamente pelas esquinas da rua há apenas um sentido de distância.

A polissemia é uma armadilha e enveredados nela procuramos sentidos nas palavras alheias e achamos várias razões para começar uma guerra.

O mundo é o caos.

Cada objeto, cada ser, cada ação é uma palavra onde procuramos desesperadamente construir sentido para poder nos sentirmos sãos.

O mundo é o texto e a polissemia a armadilha.

Perdidos entre nós e o mundo, em busca do telos perdido como um aventureiro pulp.

A humanidade sofre. A morte é um fim horrendo em um mundo sem sentido. A náusea nos abraça toda vez que caímos exaustos dessa busca inglória.

Mas o segredo da busca é que não se acha. E o sentido jamais será recuperado. Afinal, sempre que ele existiu ele nada mais era do que uma camisa de força a limitar o homem.

A unica certeza é que o preço da liberdade foi a angústia, e a responsabilidade atlântica de todos os dias construir um sentido que não vale um óbulo, que nunca nos levará a paraíso algum.

A liberdade é botar o homem no lugar de deus construindo todos os telos do universo e ao mesmo tempo admitir que a polissemia rasga as páginas do livro do universo que tão laboriosamente contruimos.

Viver vale a pena?

Não.

Então por que viver?

Porque o corpo é uma máquina de morrer extremamente ineficiente que demora décadas para atingir seu objetivo.

O que é a felicidade?

A eudaimonia é um bem viver. É saber quem se é, cumprir seu destino, morrer satisfeito e pronto a fazer tudo de novo. É algo que exige tal força de espírito que a maioria fraca criou o conceito de felicidade e a transformou em uma religião de fracos.

Onde o prazer entra na felicidade?

Entra? Os dois copulam por acaso? Há-se que distinguir felicidade de alegria. A alegria é um estado agudo. Como a topada com o mindinho na quina do móvel que em dez minutos é só lembrança. A Felicidade um estado crônico como a hipertensão ou a diabetes. O prazer copula com a alegria, mas não flerta diretamente com a felicidade que diz respeito a outros elementos. Note que as duas palavras sequer são sinônimos.

Você é feliz?

Boa parte do tempo.

Explicações:

Este post se relaciona ao “A busca infindável” do blog Espalhando Câncer.

O excesso de links se dá por causa do excesso de palavras gregas necessárias para abordar esse tema.

Gostou do texto? Então me paga um café. (Valor sugerido RS 0,50)

posted by Cochise César in Lugaralgum Algunlugar, Óculos de longo alcance and have Comments (2)

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2 Responses to “Sentido!”

  1. Felipe Lacerda says:

    É como tocar um violão. A música não é felicidade, nem pode ser tristeza. Só as notas e acordes é que são alegria. O fazer com os dedos.

    Paz e poder no ano novo.

  2. Bárbara says:

    Eu escrevi o que eu acho no post do Felipe e to com preguiça de ir lá de novo copiar e colar aqui. O link ta ali em cima, então passa lá e lê!

    =D

    Feliz an novo!
    My recent post Hospital

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