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12/09

Sentido!

15:28 by cochise. Filed under: Lugaralgum Algunlugar,Óculos de longo alcance

Do grito do sargento barrigudo, mau humorado e com uma vida que não faria falta ao que a gente procura desesperadamente pelas esquinas da rua há apenas um sentido de distância.

A polissemia é uma armadilha e enveredados nela procuramos sentidos nas palavras alheias e achamos várias razões para começar uma guerra.

O mundo é o caos.

Cada objeto, cada ser, cada ação é uma palavra onde procuramos desesperadamente construir sentido para poder nos sentirmos sãos.

O mundo é o texto e a polissemia a armadilha.

Perdidos entre nós e o mundo, em busca do telos perdido como um aventureiro pulp.

A humanidade sofre. A morte é um fim horrendo em um mundo sem sentido. A náusea nos abraça toda vez que caímos exaustos dessa busca inglória.

Mas o segredo da busca é que não se acha. E o sentido jamais será recuperado. Afinal, sempre que ele existiu ele nada mais era do que uma camisa de força a limitar o homem.

A unica certeza é que o preço da liberdade foi a angústia, e a responsabilidade atlântica de todos os dias construir um sentido que não vale um óbulo, que nunca nos levará a paraíso algum.

A liberdade é botar o homem no lugar de deus construindo todos os telos do universo e ao mesmo tempo admitir que a polissemia rasga as páginas do livro do universo que tão laboriosamente contruimos.

Viver vale a pena?

Não.

Então por que viver?

Porque o corpo é uma máquina de morrer extremamente ineficiente que demora décadas para atingir seu objetivo.

O que é a felicidade?

A eudaimonia é um bem viver. É saber quem se é, cumprir seu destino, morrer satisfeito e pronto a fazer tudo de novo. É algo que exige tal força de espírito que a maioria fraca criou o conceito de felicidade e a transformou em uma religião de fracos.

Onde o prazer entra na felicidade?

Entra? Os dois copulam por acaso? Há-se que distinguir felicidade de alegria. A alegria é um estado agudo. Como a topada com o mindinho na quina do móvel que em dez minutos é só lembrança. A Felicidade um estado crônico como a hipertensão ou a diabetes. O prazer copula com a alegria, mas não flerta diretamente com a felicidade que diz respeito a outros elementos. Note que as duas palavras sequer são sinônimos.

Você é feliz?

Boa parte do tempo.

Explicações:

Este post se relaciona ao “A busca infindável” do blog Espalhando Câncer.

O excesso de links se dá por causa do excesso de palavras gregas necessárias para abordar esse tema.

Gostou do texto? Então me paga um café.




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Comments

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  • Felipe Lacerda

    29 de December de 2009

    17:45

    É como tocar um violão. A música não é felicidade, nem pode ser tristeza. Só as notas e acordes é que são alegria. O fazer com os dedos.

    Paz e poder no ano novo.

  • Bárbara

    30 de December de 2009

    16:23

    Eu escrevi o que eu acho no post do Felipe e to com preguiça de ir lá de novo copiar e colar aqui. O link ta ali em cima, então passa lá e lê!

    =D

    Feliz an novo!
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