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12/09

Alice

13:31 by cochise. Filed under: conto

Prólogo

Tudo começou há três anos. Ou há doze. Ou há dez. É difícil escrevendo essa história hoje definir o melhor ponto para começar. Prefiro começar há três anos, mas isso ia torná-la muito obscura, hermética. Então vou começar pelo mais antigo, doze anos atrás, mas sem muitos detalhes. Só o essencial. Se precisar voltar, e devo fazer isso várias vezes, volto.
Mas sinto necessidade de avisar ao leitor que esse pequeno resumo é pouco menos do que o que Alice se elbrava destes anos. Uma grande parte de seu passado permeneceu oculta dela mesma até pouco tempo atrás.
Outro aviso a ser dado é que apesar da série de atribulações que enfrentou Alice sobreviveu sem muitas marcas a todas. Apesar de começar a história com dezessete anos e ainda estar nela hoje que tem vinte enfrentou perigos imensos e sobreviveu a todos eles.
Mas deixemos de tanta conversa.

Alice veio ao mundo em uma maternidade comum, de um branco não tão límpido, mas bastante decente. Depois disso foi para o que seria sua casa, uma construção de um andar de pouco mais de cinquenta metros quadrados e trezentos anos com seu pai e sua mãe. A casa ficava nos fundos de uma mansão onde não morava ninguém. Era um museu. Este museu ficava a 12 quilômetros da casa mais próxima e a 120 da cidade mais próxima.
Alice era muito amada por seus pais mas todos nós, detentores de conhecimentos acumulados em gerações de psicólogos sabemos que isso não é o bastante. Faltava a Alice crianças próximas à sua faixa etária. E embora não lhe faltassem brinquedos ou área verde ela criou o costume de brincar nas zonas inativas do museu. Notadamente o segundo andar. Em toda a sua infância jamais entrou na zona de visitação por ordem de seus pais. Foi nesses quartos abandonados que conheceu seus primeiros amigos. Imaginários naturalmente. Mas a estes se apegou profundamente. Este é o momento de doze anos atrás. Seus sonhos acordada com nobres franceses em suas roupas de babados e rendas e suas brincadeiras com eles.
De cada um guardou com zelo de criança um objeto, um ícone. Se formos usar nosso conhecimento de antropologia, um fetiche que o representava e o evocava.
E agora vou para o momento de dez anos atrás. Alice vai para uma escola. Um belo, caro e tradicional internato para meninas e moças. Evidentemente sua socialização defasada lhe provocou alguns problemas no início, que seriam superados caso Alice não tivesse um sério defeito. Era muito mais inteligente que suas colegas. Este é um defeito inacreditável em qualquer escola, pois aproxima o aluno dos professores na mesma medida que o distancia de seus pares. Assim o isolamento inicial se perpetuou. Suas coelgam em pouco passaram a lhe odiar e Alice para se proteger assumiu atitudes arrogantes e no primeiro final de semana que foi para casa recolheu seus fetiches e os levou para a escola. Acompanhada de seus únicos amigos atravessou os ciclos de ensino, sentiu escorrer pela primeira vez o sangue menstrual e as primeiras inquietações da adolescência. Ao final dos sete anos de estudos secundários, formada com distinção e louvor e com sua vaga praticamente garantida na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts em Paris passou as férias em casa e se mudou para um quarto em um prédio de estudantes.
Este é o ponto de três anos atrás e aqui começa verdadeira,mente a história de Alice Dourvé.

Gostou do texto? Então me paga um café.




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