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01/10
Saudades do Paraíso
Estava quase dormindo quando me veio uma súbita inspiração e fui escrever mais uns trechos de Alfa Beta Gama. Não publico porque falta o segundo tempo, já que o livro alterna presente e passado, e escrevi só sobre o presente hoje.
Mas estou falando isso não porque seja importante eu ter pegado isso para escrever de novo.
Por um motivo mais simples. Estou o tempo todo pensando sobre meus personagens e suas obras.
Alfa Beta Gama fala sobre as relações de poder. O personagem principal é um indivíduo Beta (ou gama) inconformado com sua situação que quer subir. Quer o respeito da matilha. O antagonista é um Alfa seguro, mas que se recusa a se aposentar.
O velho problema do manto que deve passar de geração em geração, mas que exige um parricídio para isso. Ou do pai a devorar seus filhos para manter o manto.
Estou contando uma das histórias mais velhas do mundo, sob a ótica de um qualquer, um zinho que se vê investido no papel de agente de leis acima dos homens, quaisquer sejam eles. O investigador do infanticídio de Cronos.
Enquanto pensava nisso pensava no futuro, que a ninguém pertence.
Sófocles foi censurado pela ditadura. A Teogonia se reveste de ares de romance pulp.
O tempo passa e num nível bem básico nada muda. Ainda somos mortais, insatisfeitos e sem muita noção de como resolver a nossa saudade do paraíso.