Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for February, 2010

Nunca diga que eu tenho mau gosto

Eu ando pelo mundo em busca de tesouros para compartilhar com as pessoas de quem eu gosto. Gosto de oferecer às pessoas esses pequenos fragmentos do meu mundo tão colorido e fantástico. Gosto de compartilhar os livros psicoativos que leio e as revelações numinosas que tive ao lê-los.

No dia que eu lhe chamar no MSN apenas para mostrar um link de uma resenha de jogo ou imagem de ursinho assassinado saiba que é porque você é uma das poucas pessoas que tenho em minha mais alta estima.

Se este espaço fosse para ficar digressando sobre os motivos psicopatológicos do que eu faço chegaria a resultados desagradáveis como tudo em que se aplica a psicopatoligia, então prefiro dizer que sou uma pessoa enormemente rica e generosa. Que meu mundo é fascinante e extasiante e me sinto bem em compartilhar minha glória com quem me interessa. Veja bem, com quem ME interessa. O que alvez seja diferente do que interessa aos outros.

Não me interessa por exemplo ficar atirando pérolas aos porcos (a não ser quando dá uma certa vontade de fazer isso). Quero compartilhar com meu amigos os tesouros que tenho guardados. São vários. Vão de algorítimos a poesias (que no fundo são a mesma coisa) até livros e tardes.

O título? Nada demais. Só uma consequencia lógica. Acho que a partir do dito qualquer um pode deduzir o caminho até o título.

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Nelson

Porra cara. Tem muita coisa diferente hoje em dia para comentar. Essa história de maiores diferenças…
Diferenças no que? No futebol? Na política? Nos costumes? Nas relações internacionais? Acho que se não tivesse acompanhado o desenrolar das coisas só reconheceria o Rio pelo Corcovado e pelo Jardim Botânico.
Na minha época havia um certo glamour em ser um jornalista que fumava como uma chaminé, bebia, falava palavrão e escrevia na máquina de escrever. Assim como o glamour de ler o jornal de manhã, antes do serviço, já que é de classe média e tem carro. Assim como o glamour de ser Miss Brasil. Hoje em dia nada mais tem glamour.
Quando eu era jovem o rádio era glamoroso. Quando eu descobri que as mulheres tinham umbigo foi um marco na minha vida. Hoje qualquer moleque de 4 anos sabe o que é uma xana. Hoje os palavrões que eu soltava na minha mesa não espantam nem criança de colo.
As pessoas me viam como um grande lobo mau. E era bom ver as moças enrubrescendo de você falar “caralho” na mesa do café, porque moça direita não frequentava o bar.
O que eu tenho a dizer é que nem os canalhas conseguem levar sua cafajestice ao nível de arte que tinha naturalmente na minha época.
Eu sou do tempo em que todo mundo era canalha, mas ninguém tinha o direito de se orgulhar disso. Todo mundo era tarado mas ninguém podia falar em fuder. Era uma sociedade de aparências? Foda-se se era. Era um mundo mágico, as coisas, as pessoas tinham mistérios. As pessoas escondiam seus podres e você podia admirar sinceramente alguém. Quem hoje em dia merece alguma admiração?
Nós democratizamos a canalhice. No meu tempo uma mulher da vida, se escrevesse um livro, não seria um livro para estar nas estantes de ninguém. No meu tempo ninguém ia a puteiros. Íamos a cabarés, casas de tolerância… Nesses anos todos, quando democratizamos a canalhice matamos o encanto.
Agora eu te pergunto, qual a graça de viver em um mundo onde aos treze tua filha tá trepando que nem a Dama da Lotação? Isso é progresso? Antes as pessoas tinham vergonha dos seus podres. Os escondiam. Hoje escrevem livros, fazem programas de televisão, blogs… Se orgulham da canalhice. Fazem questão de publicar no jornal.
Se for para escolher, essa é a maior mudança. O resto é consequência.

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Noite quente de verão

Imagine uma noite quente.
Imagine que qualquer ventilador faz no máximo jogar o ar quente na sua cara. imagine que após um banho frio voce pega a toalha e tem a sensação de que a tirou do varal ao meio dia.
Minas Gerais não tem idéia do que são noites quentes. Simplesmente não tem.

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Herdeiro

Não há sentido em uma montanha senão a escalar.
Não há sentido em uma parede senão a derrubar.
Não há sentido em uma vida senão a libertar.

Todo dia os vermes comem mais e mais cérebro
de um mundo podre por não saber voar.
Todo dia, cada vez mais podre, a vida
se ocupa de móveis e salas de jantar.

Os muros mudos não falam sonho ou verdade.
Meu mundo não quer se calar.

De patíbulo em patíbulo,
De prostíbulo em prostíbulo
Não cessa a liquidação.
De hora em hora,
De história em história
Não cessa a liquidação.

Liquida-se a vida.
Liquida liberdade.
Liquida verdade.

A realidade não cabe no reality show.
A vida não cabe na nota fiscal.
A liberdade não cabe na constituição.
A verdade não cabe no telejornal.

Grilhão de família
Herança de orgulho
Marcada em contratos
Expressa em atos:
Despeito e engulho
Do livre pensar

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