Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for the 'crônica' Category

Querido diário

Ano novo. Nada mais novo.

Em algum momento arbitrário decidimos que este momento que não é entre luas ou entre estações, não tem relação com nenhum dos momentos marcantes das efemérides do planeta seria a passagem do ano. Mas lógico seria se fosse no solstício de inverno/verão. Pontos marcantes, mas esses reservamos à celebração dos deuses, e depois convertemos em natal.

Pois bem. Esse ano encerro sob o signo do Teatro Mágico. Não estou falando da banda. Estou falando do lugar de onde os integrantes tiraram o nome. (Não há dúvidas quanto a isso, uma vez que seu disco se chama Entrada Para Raros, que é outra citação da mesma fonte) Estou falando do livro que demorei demais para ler. O Lobo da Estepe de Herman Hesse.

Há pouco estava falando que não há revolução. Hoje continuo e digo que Herman Hesse é um dos mais antigos, conservadores e verdadeiros revolucionários. Estou há algumas horas a me perguntar o que é a imortalidade. Isso porque sei que o corpo é uma máquina de morrer e que o sentido da vida é a eutanásia. Não a que você está pensando, mas apenas a boa morte. O único sentido em viver está na morte. Está em uma morte satisfatória. Há muito tempo já decidi dar cabo de tudo com um tiro na cabeça aos cem anos. (talvez precise de algo mais drástico, sabe lá em que estado estará a medicina) Apesar de parecer uma decisão louca, o que está por trás é uma sanidade sem limites. Viverei de modo que possa partir por minha vontade sem mágoa ou medo. Serei o senhor de minha vida e de minha morte. Não passarei anos me escondendo dela, não temerei as ruas escuras dos bairros perigosos ou as doenças crônicas e agudas. Meu destino está selado na poltrona da minha sala onde olharei o passado uma última vez antes de adentrar o futuro. O sentido da vida é a eutanásia. O livro de Hesse fala disso. E de muitas outras coisas. Uma delas é a imortalidade. O além do tempo, o destino das almas mais puras dos espíritos mias bravos que se sustentaram contra um mundo que peca pela mediocridade.

O que é a imortalidade? Onde é esse eterno? Na visão de Hesse a imortalidade está muito ligada a eutanásia e igualmente a cumprir um destino. O destino de se tornar algo mais que humano e abraçar o absoluto. O absoluto, o único deus que posso crer. A soma maior que as partes. O fim de todo o Mais Além que nos impulsiona. Algo além, acima, através, abaixo, dentro. O absoluto que é a religião além do bem e do mal, além de explorados e exploradores. O homem em busca do absoluto é o senhor de si que sabe que pode ser vários e que o tudo está no um e  que o um é tudo. Mas imortalidade? Não. Que a morte seja tão somente o fim.

Não gosto de ficar falando da minha vida, mas esse post não tem seu nome a toa. Fui, sou, serei um Lobo da Estepe. Um indivíduo feito para climas mais áridos e terras mais graves que a do carnaval e do futebol. Mas entre tantos países do velho mundo fútil e cada vez mais moderno acabei nascendo no novo e imberbe Brasil. A que interessar possa, nunca me viram misantropo. Me conheceram em minha fase sociável. Meu teatro mágico começou quando participei de juventudes de esquerda, continuou com uma rádio comunitária e continua nas escadas do Costa Rangel e nos porres de lua sentado na calçada até as três da manhã experimentando telepatia.

No entanto desde que ficou claro para mim que teria que sair da cidade onde vivi o inferno e contruí meu lar tenho voltado a ser o arredio lobo a rondar o bosque. Agressivo e pouco cordial.

Foi esse livro que li tarde demais e no entanto no momento certo que me fez perceber isso. Que tenho me tornado mais já há quase meio ano novamente o Lobo da Estepe arisco e solitário que fui antes que todos me conhecessem.

Pode ser que esse texto seja considerado uma elegia a Hesse (não é), ou uma elegia a Divinóplis (o é) ou ainda um pedido de desculpas aos amigos que abandonei antes de abandonar por odiar despedidas e não gostar de ir embora. Isso não importa. O que quero dizer é que essa cidade é uma parte importante e preciosa da minha vida. que cada um de vocês que lerão ou não isso são valiosos e fazem da minha vida valiosos. Que graças a vocês eu posso sujar a parede com meus miolos daqui há pouco mais de 75 anos, e não apenas graças a mim.

O que quero mesmo dizer é que sinto saudades e sei que a eutanásia não é um fruto apenas de mim, mas das pessoas e relações com elas ao longo da vida. Cada uma das pequenas fases da vida foi uma batalha, um combate heróico. Sem todas essas pessoas que enriquecem a minha vida não haveria como me orgulhar de meu passado.

Esse texto é antes de mais nada, uma despedida e uma elegia à cidade onde cheguei menino e saí homem. Uma cidade feita antes de tudo por pessoas que me orgulho de ter conhecido. Os prédios e as outras 199,9 mil pessoas são apenas cenário. A minha Divinópolis, A que me orgulho de ter vivido é feita da carne, sanguem suor, pus e ossos de alguns. alguns que estarao sempre comigo.

Obrigado.

Adeus.

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Schopenhauer no Clube da Luta

No meio da madrugada, descubro que está passando Clube da luta em um obscuro canal da TV a cabo. É um filme que caso fosse reduzido aos aforismos que aparecem nele ainda seria fenomenal. De Tyler dizendo o que somos ou não somos o tempo todo e Jack dizendo quais partes de Jack ele é, começamos a entender o grande problema de auto imagem da humanidade.
Costumava dizer que tinha ume espelho assassino. Depois que o quebrei ganhei sete anos de sorte, mas descobri que se não a humanidade, pelo menos o ocidente tem um espelho assassino ainda pior.
Como na piada, a diferença entre o criacionismo e o evolucionismo é apenas que num viemos de um erro genético e noutro de um erro moral.
Nós somos a merda do mundo que faz tudo para chamar a atenção. Nós somos os descendentes condenados desde o nascimento, nós somos os sobreviventes de um mundo cruel, que devemos justificar a nossa sobrevivência com a nossa imperfeição.
Ao longo dos séculos sempre carregamos essa sensação de perdição, essa necessidade de redenção. Não é a toa que todas as religiões oferecem a salvação. Cristãos, judeus, muçulmanos, zoroastristas, budistas, hindus, todos estão em busca da redenção do maior dos pecados. Nascer humano. Nascer com essa dor em um lugar que não existe e com essa doença pseudossomática.
Todas as vezes que esquecemos que somos a merda do mundo, nossos delírios de grandeza nos levam a cometer atrocidades que nos mostram o quento somos a merda do mundo. Cruzadas, Inquisição, castas indianas, revolução cultural chinesa, etc. Quanto mais tentamos esquecer o fedor, mas fedidos ficamos.
Tyler diz o tempo todo que é preciso aceitara dor, saber que vai morrer, aceitar quem e o que nós somos.
Uma postura bem Schopenhauriana. Aceitar a existência da dor, na esperança que da solidariedade da dor compartilhada possa nascer algo autêntico. Não sei exatamente em que ponto deixou de ser dor compartilhada e passou a ser desejo de vingança e delírio de pureza. Nós somos a melhor merda do mundo. Somos a que sabe o que é e o que quer.
O que há de tão errado conosco que fingimos que somos o que não somos, que não sabemos que vamos morrer, que não temos vergonha de apenas viver um dia de cada vez e não fazer nada importante durante a vida.
O que há de errado conosco? Porque temos que nos redimir de um crime que não cometemos?
Porque temos que nos considerar o pior dos seres apenas como medida de segurança para evitar que a gente cometa as maiores burradas da história?
Porque não podemos simplesmente ser anjos rococó, ao invés desses duros anjos mulitares?

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O que você quer?

Estava lendo uma coisinha ou dias por aí e acabei com essa pergunta que não quer calar.

Afinal de contas, o que raios você quer?

Conheço gente que quer apenas paz amo e harmonia. Conheço quem quer dominar o mundo. Mas conheço muita gente que não faz idéia.
Numa imitação barata de sabedoria oriental, “Nunca chegará ao seu destino se não souber onde ele é”. (ouçam minhas palavras)

“Eu vou te matar em dez minutos. Me dê um motivo para você continuar vivo” (isso é um plagio descarado de Fight Club)
“porque você está aqui? O que você tem que fazer antes de morre para morrer feliz?”

Nós não temos todo o tempo do mundo. chegamos aos vinte, aos trinta ou quarenta descobrimos que ainda não fizemos nada. Nem a viagem de carona pela Europa nem o atentado terrorista nem o reflorestamento das matas ciliares.
Entre os grandes ciclos de tédio, hábito e inercia habita a insatisfação. Que resulta em uma mudança que resulta em outra frustração.
Mate o trabalho uma vez por mês para respirar o ar com tempo e calma. Deixe as contas atrasarem sem te um ataque. Isso nunca foi importante. Seu maravilhoso trabalho que lhe garante um belo C no censo e quatro mil no banco todo fim de mês não te ajudaram a ser feliz e nem deveriam. Trabalho não é estilo de vida a não ser para workaholic. eixa essa coisa e lado e vai se apresentar na saída da escola o bairro, meu querido saxofonista. Isso é viver.
A loucura deve ser sempre vigiada. Ela deve estar sempre dentro dos limites do moral. Nunca deixe dentro da cerca onde a loucura caminha de um lado para outro um fuzil metralhadora M16 com lança granadas embutido. Mas deixe ela livre o bastante para que não se debandeie para a automutilação. Ela precisa da sensação de ter dedos. De poder tocar o mundo e fazê-lo girar. Girar para frente, para o lado, ao contrário, aos arranquinhos, mas girar.
Já parou para ver como é inebriante a cavalgada de vontade de poder em execução que o Curinga d’O Cavaleiro das Trevas executa? A avassaladora experiência maníaca de ter os dedos da sua mão encostando no mundo de verdade a ponto do mundo se alterar com esse toque?
Só não cometa o erro que ele cometeu e deixe um fuzil metralhado à disposição da loucura.
O que infernos você quer? Montar uma banda de rock e ganhar muito dinheiro? Inventar um máquina maravilhosa? Decifrar os mistérios da magia e encarar alto lordes infernais? Encontrar o amor da sua vida? Viver o resto da vida em um MMORPG?
Decifra-me ou te devoro. Eu sou sua vontade de ser feliz. Você não me entende.

“Se fosse dada à humanidade a escolha de decidir suas ocupações, essa seria guiada pela preguiça e pelo egoísmo gerando profissões como assistir TV ou ogar videogame. Poucos anos depois a índice de suicídio seria um risco à perpetuação da raça humana.”

“Sempre foram poucos os visionários, os sonhadores. Não há mais que cem Santos Dumont ou Isaac Newton a cada geração.”

Isso não é tudo nem tudo que deve ser dito, mas é tudo quanto vai ser ito.

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sol

Todo dia a gente acorda e vê aquela bola luminosa exuberante (o sol) pintar as coisas com cores tanto mais vivas quanto menos encoberto o tempo.

O sol é o símbolo universal do bem, da alegria, da esperança.
É o símbolo de praia, biquínis, cerveja.
É o símbolo de calor, desconforto, sede.
em países frios todos os bonzinhos se encaixam, nos demais todos os quentes.
E nos imbecis cuja cultura é construída em comerciais de TV os de orgia.
Mas por que falar do sol?
Porque gosto de Pessoa e porque já fale mais de noite do que é aceitável.
Mas a questão talvez seja que adoro dias nublados e cinzas, de preferência chuvosos.
Mas a questão é que vivo em um país tropical onde o sol é sinônimo de cerveja, orgia praia, mesmo que as orgias não ocorram, a praia esteja a mais quilômetros de distância do que é possível percorrer e a cerveja não seja das melhores por causa da pindaíba.
Os dias de sol não são alegres, são ruidosos e atávicos. (al´m é claro de serem sufocantemente quentes e quase diários)
Então talvez seja por isso que sonhe com dias nublados e fog londrino.
Não pelo clima apenas, apesar de ser bem mais agradável que o calor dos trópicos, mas para poder ter o prazer com o solque esses povos têm.
Estranho isso. Odeio o sol, porque quero poder amaá-lo.

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um homem nunca volta para casa

então voltei.
voltei a ficar aqui, nessa cidade beco sem saída.
Eu sou cinzel, martelo e explosão.

De vez em quando a gent tem essas ilusões de potência. são boas. e durante a maioria delas faz coisas que não poderia em outros momentos.
A realidade não está aí. A sua idéia da realidade está aí.

Pois bem. Voltei com a corda toda, com uma saudade retada de ruim, mas com ímpeto o bastante para fazer a terra tremer com um gesto violento.

Planos pupulam, objetivos subjetivos se objetivam e por fim a esperança mata muitos antes de morrer e está agora em um rompante de fúria magnífico em sua selvageria.

Tem coisas que não se fala, mas os planos estão aí e mais dia menos dia vão aparecer (menos dia se depender e mim) e se alastrar, frutificar e se reproduzir.

A minha mão tem quatro curingas, os meus olhos tem horror ao que vêem e a vida me ensinou a jogar com as cartas que tenho na mão para virar o jogo.

Bem. Estou de volta. Não me amem, não me odeiem, não me ouçam. é um rompante de loquacidade e passa, mas tenho certeza que em seis meses “ou me mato ou me mudo pra outro lugar” e até lá, sangue, suor e café vão estar a serviço de todas as minhas causas perdidas.

Sigam-se os bons. Cada um em sua trilha sozinho com seus vários pedaços reflexos e sombras.

PS
O título é um ditado irlandês.
concordo com ele em gênero número e grau.
eu não estou de volta ao lugar de onde parti.
portanto agora vou ter que construir um lar por essas bandas áridas

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poetas, palavrões e o cu dos conservadores

Se tem alguém que sempre deu trabalho no mundo são os poetas, os filósofos e os palhaços.
Se de um lado o palhaço Bandeirola deu o que falar esses dias sofrendo ataques bizarros por ter um pouco a mais de amor e carinho do que os outros visitants de um charmoso decadente circo espelunca de outro o Barkaça foi censurado.

Explicando o fato para quem não soube.
O Barkaça é um folheto literário que acredita que lugar de poesia é na calçada e que poeta não precisa ter medalhão e farda da academia de letras.
E sabe como é… poeta jovem, com muita idéia e com muita liberdade, saiu uma poesia muito legal, com uma reflexão profunda acerca da hipocrisia qu vou colocar aqui porque ela é fundamental para enteder o que aconteceu:

“Deu no jornal:
- O cu é preferência nacional!
Maioria conservadora
Aterrorizada cai de pau.”

Bem…
O que aconteceu é que o Hospital São João de Deus, depois do lançamento o Barkaça nº4 nos festivais de inverno de Itapecerica e de São João Del Rey convidou o Barkaça a expor os banners que reproduzem a edição na portaria. A equipe lisongeada com o convite (o primeiro que receberam) muda a agenda de exposição desses banners e encaixa o hospital.
O material foi enviado, aprovado pelo departamento de marketing e exposto.
Fez grande sucesso a ponto dos frequentadores infelizes do hospital (alguém que vai para um hospital é porque tem algum problema ou conhece alguém que tem, portanto não deve estar muito feliz) fazerem fila para apreciar um pouco de arte.
Não cabe a mim julgar isso, mas os doutores a alegria dizem que faz bem espairecer um pouco.
Só que nesse mesmo primeiro dia a direção do hospital resolveu que a exibição tinha que sair de lá, de modo algum podia ficar, já que ela tinha as palavras “cu” e “maconha”.
Para quem não sabe, o hospital é da Igreja Católica. Mais específicamente da Ordem Hospitaleira de São João de Deus, e tem um trabalho social importantíssimo na cidade e no resto do mundo. De modo algum negar isso. Mas proibir um folheto cultural por causa de uma moral Conservadora (com C maiúsculo) é bizarro.
O palavrão é tão comum no Brasil que é prosaico. Ande entre os alunos que estejam saindo de uma escola ou ouça uma música do Chico Buarque…. vai ouvir um monte. Vamos agora censurar Geni e o Zepelin por causa da palavra “bosta”? Melhor ainda, vamos proibir a peça “Calabar” que é um amontoado de palavrões grande calibre.

CLARO que o hospital tem o direito de decidir o que fica e o que vai embora da portaria DELE, mas fazer isso por causa de duas palavras? Duas palavras que foram ofensivas nos anos 30 e hoje são triviais?
A arte desde os anos 60 usa (e às vezes abusa) dos palavrões. De vez em quando uma “maioria” conservadora “cai de pau” e fico pensando se “o cu é preferência nacional” e de que modo esse “cai de pau” funciona entre quatro paredes…

Entendo que as pessoas possam ficar sensibilizadas ou até ofendidas, mas por favor… POR FAVOR…
O tanto de gente pelada que existe pintada nas igrejas o mundo é um absurdo. As coisas não são só o que elas são, são o que elas significam.
Um pouco, UM POUQUINO SÓ de análise diz que a poesia não é pornográfica, mas uma crítica à hipocrisia. Por que proibir uma coisa assim? Depois de ter convidado? Depois do departamento de marketing que é pago para zelar pela boa imagem o hospital aprovar?

Snceramente…
Respeito admiro o que o hospital e ardem fazem, mas acho que a obra de Deus não precisa de “censores sem talento sensorial”

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No post de hoje…

Basicamente.
Hoje foi um dia legal, estou ainda pensando na resposta que dei aos comentários do post Pré Pós tudo bossa Band e acabo de escrever um discurso fictício de um velho alemão fictício e estou sem saber em que categoria pode-se encaixar isso? Conto? Não é exatamente isso, mas tudo bem.

Estou aos poucos voltando à ativa com esse blog, apesar de ainda estar aqui em Araçatuba, porque afinal de contas a coisas precisam ser escritas devez em quando. Estou aos poucos lendo os mais de 400 posts não lidos que tenho me aguardando no Google Reader acumulados durante esse mês de ausência.
A vida é assim e espero poder voltar a ter menos de cem posts não lidos de novo.

Espero, assim que possível dar prosseguimento aos meus queridos projetos do coração (livros de literatura e RPG) porque odeio ficar com o trabalho parado. No mais acho que estava faltando um pouco de dizer “alô como vão vocês?” nesse blog, afinal pra que mesmo que se escreve blogs ao invés de montar sites? Para manter esse calor humano.

Nunca estive na Alemanha, mas depois das ilhas brânicas é o outro lugart que eu vou. É um povo sofrido. Com uma história muito triste, e um dos lugares onde os punks são punks de verdade e os skinheads são skinheads de verdade. É um lugar mais gótico que os que usam lápis e jogam Vampiro a Máscara e um povo com mais traumas que todo um pavilão do hospício. Ao mesmo tempo é um lugar onde as pessoas tem uma esperança e uma força de vontade invejável e onde se desenvolveu tanta coisa da filosofia moderna que não se pode ignorar.
De todos os pensadores que eu adimiro, apenas um não escreve em alemão, (Sartre) mesmo que não sejam alemães. (Jung)
Além é claro das batatas e dos haburgeres.

Não sou um crítico tão mordaz quanto parece por esses dois últimos textos. Sou um pouco pior. diria até que um pouco cruel. A questão é que há coisas que faz bem falar e uma delas é que conheço bem demais a história e as pessoas para achar que elas tem motivos para serem o que são.
sou um filho de uma geração perdida criada ao som de Legião urbana e Nirvana.
Uma geração sem heróis ou sonhos, sem objetivos.
Somos os pós modernos que ficam perdidos entre o consumo de identidades culturais, a nostalgia dos grandes grupos teleológicos da modernidade e a liberdade fragmentada.
E perdidos em nossa liberdade, solitários em nossas convicções nos atormenta o fantasma da impotência e da falta de sentido. A alma do fim da história é essa: impotência e Falta de Sentido.

Não sei o que um filho bastardo do imperio ianque em uma relação incestuosa com a mae Europa está fazendo em terras tupiniquins, mas tenho certeza de que a pós modernidade é uma sensação difícil.
Essa azia meio ácida, meio adstringente, meio amarga que nos queima o estõmago depois que fugiu do coração petrificado pela radiação dos aparelhos de TV.

Não gosto de me sentir pós moderno.
não gosto de estar num mundo pós moderno.
Mas ele está aí.
impotência e falta de sentido.

Bem… A gente se vê, não é?

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Pré Pós Tudo Bossa Band

Espero hoje a noite colocar a música aqui para vocês poderem ouvir. Por enquanto vai apenas a letra.

Pré Pós Tudo Bossa Band – Zélia Duncan e Lenine

Todo mundo quer ser bacana
Álbuns, fotos, dicas pro fim de semana
Filmes, sebos, modas, cabelos
Cabeça-feita, receitas perfeitas
Descobertas geniais

Todo mundo acha que é novo
Tribos, gírias, grifes, adornos
Ritmos exóticos, viagens experimentais

Pré-pós-tudo-bossa-band
Mente que sempre muito bem
Pré-pós-tudo-bossa-band
Gosto que me enrosco em quem?
Pré-pós-tudo-bossa-band
Não sei, mas tô dizendo amém

Todo mundo quer ser da hora
Tem nego sambando com o ego de fora
Caras, bocas, marcas estilos
O “ó” do bobó, o rei da cocada
A pedra fundamental

Todo mundo quer ser de novo o novo
O ovo de pé, o estouro
Ícones atlânticos
O dono da voz crucial

Pré-pós-tudo-bossa-band
Não ví, mas sinto que já vem
Pré-pós-tudo-bossa-band
Moderno, eu não te enxergo bem
Pré-pós-tudo-bossa-band
Tá cego, mas tá guiando alguém

Essa música me lembra bastante a blogosfera brasileira. Na verdade lembra também programas imbecis como Big Brother e shows de variedades com quadros de calouros ou programas como Ídolos, astros ou qualquer outra coisa do gênero.
Me lembra esse nosso mundo onde a privacidade perdeu o sentido e as pessoas querem é ser públicas.

Nossos maiores blogueiros são “Os Caras”, os donos da verdade que dão dicas de filmes (que são o cúmulo do maistream e que a cada cinco minutos aparece uma propaganda deles na TV) livros (que são Best Sellers que estão nas vitrines das livrarias) e eventos (que só dizem respeito a quem mora em determinadas cidades).
Todo mundo acha que é o rei da cocada, o dono da verdade, o autor da mais nova e importante novidade. Todo mundo fica angustiado quando a audiência de seu blog cai. Quando aparece mais um na concorrência de falar as coisas legais e colocar as imagens divertidas (leia-se redículas e de gosto discutível) “da hora” que os internautas gostam.

Os programas de TV tem que ser bacanas, descolados, antenados e o que mais “ados” estiver na moda. Todo mundo tem que ser de novo o novo ovo de pé o estouro.

Sinceramente…. cansei.
A blogosfera, a TV, as figurinhas do BBB, os personagens descerebrados da Malhação, os que se prestam a pagar micos em programas de variedades as vedetes da moda e quem mais queiser ser o rei da cocada como se a sua sorevivência dependesse disso é um panaca que não sabe quem habita o espelho.

Nós estamos cada dia mais querendo ser famosos. Os ícones atlânticos, os donos da voz crucial e nem precisa de TV ou blog para isso.
Nas Happy Hours, nos momentos que deveriam ser de descontração as pessoas estão em uma batalha de egos aquecida pelas chmas da fogueira de viadades que é esse mundo cada vez mais pirado.
Já que tem dedinho do Lenine nessa música que tal um trecho de Mais Além?
“A lua metafísica na poça de lama,
Ponteiros que disparam
Ao contrário das horas
Hora de saber o que mudou em você
Que olha no espelho e não vê ninguém”

A faceta social está mesmo substituindo a personalidade?
No escuro e na solidão do quarto de dormir quem afinal é que pousa a cabeça no travesseiro?
O ser faminto de atenção que samba com o ego de fora ou um resquício roto e subnutrido de personalidade de verdade.

As rodinhas parecem arenas de gladiadores, os blogs parecem um outdoor onde o autor se mostra como sendo o vanguardista criador da Pré Pós Tudo bossa Band, a TV uma prova viva de que se você tiver uma idéia original, mesmo que imbecil vai ficar famoso.
aiaiaiai…
Onde isso tudo vai parar?
Assistir TV nos tempos pós-modernos tem o triste efeito colateral de querer jogar um vaso nela, frequentar os blogs mais comentados e visitados do brasil cansa a beleza de quaquer um que não esteja interessado nesse circo de narcisos e sair na noite é sinônimo de encontrar os pavões se exibindo como se fossem o centro do universo.

Algum sábio disse que um dia teríamos 15 minutos de privacidade…. o problema é que as pessoas não querem esses 15 minutos.
Cada vez mais eles parecem assustadores, porque pavões no escuro são um contra senso.
E o que mais além de pavões existe por aí?

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Felicidade…

Certo… ontem não foi nada bom, mas hoje a tendência é melhorar.

Aproveitando que estamo mesmo falando sobre isso, que tal discutir a felicidade? Sim a felicidade em si.
O senso comum fala por aí que a felicidade não existe. Apenas momentos felizes, coisas felizes, etc. (Essa é a visão materialista padrão mas eu não estou a fim de discutir filosofia com a profundidade que se deve hoje)
E se começei falando o que o senso comum diz, quer dizer que discordo dele…
Não que ache que se deva ser feliz à revelia da “realidade objectiva dos factos” (Saco… o “C” mudo do português de Portugal foi abolido com essa reforma da língua), mas que ela é algo mais que uma soma de momentos.
Se por um lado defendo com unhas e dentes o direito de chorar de tristeza porque somos humanos de carne e osso e não figurinhas de plástico como a margarina de baixo teor de lipídios do comercial de margarina de plástico com baixo teor de lipídios. Se defendo que uma vida sem tisteza é uma vida pior porque menos completa, por outro defendo que o compenente crucial da felicidade é também o método de obtê-la. Dar mais importãncia as coisas boas da vida que às ruins.
Não… isso não é ser otimista e ver o lado bom de cada coisa. Tem coisas sem lado bom inclusive. Estou falando de dar mais valor ao passeio ao crepúsculo, ao fato de ter bons amigos, às flores aos abraços efusivos e apertados que às contas que vão vencr no fim do mês ou ao chefe chato que se tem que aturar sem atropelar com um tanque de guerra.
Basicamente, na linguagem rasteira do livros de autoajuda, (que não tem mais hífem de acordo com as novas regras…) não deixar os problemas te consumirem, acontece que não é isso. Não é combater um mas afirmar outro.
Felicidade é quando os momentos felizes reverberam e o eco de um encontra-se com outro formando um tapete de núvens florais e isso não se consegue sem reservar um pedaço do coração para o que se gosta. Pedaço que não vai ser aberto ao buscar deseperadamente recalque e sublimação ou reprimir com mão de ferro a atenção aos problemas.
Mas no entanto tem dias como ontem que a cosia mais honesta a ser feita é resmungar alguma coisa no cantinho escuro onde a gente se sente confortável. Sentir plenamente toda a tristeza que houver para ser sentida. Pedir consolo e colo sem vergonha para alguém que não vai tentar de fazer ficar feliz te levando para algum lugar enojantemente feliz (porque nessas horas a alegria é enojante) e vai simplesmente ofrecer carinho e calor.

Com isso termino as minhas digressões acerca da difícil arte de ser feliz, que implica algo tácito demais para ser descrito em palavras. Não sei se consegui ir além do mediocer dos manuais para manter um sorriso no rosto. Espero um dia consigo escrever algo definitivo e bem feito nessa área.
Bo’jornada.

P.S.:
Finalmente mais um pedaço me Alfa, Beta, Gama. Tenho umas cosias manuscritas aqui… Espero hoje à noite ter como digitar.

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Jogos mortais

Hoje baixou Freud por aqui e apesar de eu ser junguiano de coração e mente acho que vou usar umas categorias dele aqui e esquecer as coisas infinitamente mais complexas, profundas e verdadeiras de Jung (Acho que é por isso que a psicanálise freudiana/lacaniana tem tantos adeptos. Ela é fácil e simples)

As pessoas que tentam te convencer a assistir Jogos Mortais por causa da lição de moral “Apenas diante da morte iminente damos valor à vida” são interessantes…
Pessoalmente acho que encarar a vida diante da morte dá uma reviravolta na escala de valores, mas só precisei ler Kundera e ouví-lo dizer que “Tudo será esquecido e nada será reparado” para a morte se tornar uma constante da minha vida. Não de jogos sádicos de um cara doente. Mas a questão não é o filme em si ou a lição de moral que ele passa.
Sabe aquelas pessoal do RH que fica colocando recadinhos com lição de moral pelos quadros de flanela da empresa? Aqueles que ficam mandando aquelas apresentações do Power Point com mensagens de luz e sabedoria? (Leia-se auto ajuda, por vezes de cunho religioso)
Pois é. São pessoas que não lidam bem com seu id. São pessoas que o reprimem e buscam afirmar o superego através desses recadinhos que são mais direcionados para si mesas que para os outros. São as pessoas que nunca vão admitir, mas sentem desejos proibidos tanto mais fortes quanto maior a repressão e que se tivessem fibra ao invés de morrer com esses desejos insatisfeitos em certo dia iriam metralhar os colegas de trabalho.
As que ficam te recomendando Jogos Mortais são aquelas que não lidam muito bem com o id também… mas acharam nesse filme uma desculpa esfarrapada para soltá-lo um pouquinho. Pessoas que sentem os mesmo desejos proibidos do pessoal do RH e quando surge uma oportunidade dá uma escapadinha para a seção da perversidade para se sentir bem, mas precisa de uma justificativa diante do superego.
Agora, eu aqui me pergunto se esse pessoal todo sabe que a repressão é o caminho de quem não se identifica com seu próprio id e fica agindo com se esses desejos fossem coisas colocadas em suas cabeças pelo demo ou coisa parecida. De quem não consegue se ver dentro deles.
Bem… Vou assistir filmes pavorosos quando tiver vontade (de vez em quando acontece) não tenho problemas nenhum em admitir que tenho uma metralhadora imaginária e que o número de vítimas deve estar por volta de 200 pessoas (embora algumas eu tenha matado várias vezes).
A questão não é não reprimir o id, mas parar de tratá-lo como influência da sociedade, tentação do cão ou qualquer outra coisa externa. Se você olhar a cara do demônio vai descobrir que é um espelho da casa do horrores. É a sua cara com alguns acessórios.
Se você porventura quer matar alguém porque ao invés de reprimir isso e colocar mensagens de luz e sabedorias na flanela ou assistir jogos mortais você não admite que está com raiva de um desgraçado-filho-da-puta-que-merece-morrer e está coberto de direito da cabeça ao pés em querer extrair a espinha do cara pela boca.
Bem… é claro que existe o risco de cair em tentação, mas o que acontece com as coisas que reprimimos além de crescerem e fermentarem? Além de tirar os ono, repercutir onde não devia e por aí vai?
É maios ou menos o que Jung chama de “andar com a sombra à sua frente”, mas esse conceito é mais complexo do que eu estou com saco de explicar e no final é quase isso.
É esse quase reclamar desse mundo por demais politicamente correto onde dizer que não gostou, reclamar, querer matar e sentir raiva são pecados tão graves quanto estar sozinho ou chorar de tristeza.
Essa quase ode ao nosso lado mais negro porque faço odes ao ser humano completo e não mutilado pelas normas e tabus que definem o aceitável, o recomendável, o obrigatório e o que é a mais pura heresia.

PS
Não atualizei esse final de semana… Não peço exatamente desculpas, porque não assumi um compromisso com os leitores de atualizar todo dia. Mas me sinto mal por ter dormido até as cinco da tarde no domingo.
Hoje a noite tem mais uma página de Alfa, Beta, Gama.
Até lá.

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