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05/08

Alameda de Jasmins

10:15 by cochise. Filed under: crônica,digressões,poesia

Interessante esse post…
Surgiu do nada. Ia comentar um tópico no O Péssimo e acabou saindo isso…
Com um pouco de sorte e inspiração a gente escreve coisas bonitas nas horas mais inesperadas…

Perdidos na urbis…
Sempre essa maldita/bendita noite longa demais, fria demais, longe demais…
Nos acostumamos até fingir que a dor é um tipo de alegria e que a solidão um tipo de companhia…
E as ruas desertas fogem na perspectiva de um ponto de fuga onde todos se encontram, até os paralelos que nunca se encontram…
Mas pontos de fuga no infinito fogem dos passos presos a um plano.
E nessa noite com sorte o vento volta para nos esfriar as mãos, o rosto e a alma… até a frieza ser um outro tipo de calor…
Lápis. Pedra.
Carne em pedra. Se possível cristal.
Duro e frio como os jasmins na calçada com seu perfume adocicado e gratuito…
Os jasmins na calçada se encontram no ponto de fuga…
Só nós, sós, enregelados de frio, lado a lado sem encontrar… sem tocar… afirmando estóicos que o ponto de fuga é uma fuga e coragem é abrir o peito a esse vento frio carregado do perfume duro dos jasmins

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05/08

Estado laico?

16:58 by cochise. Filed under: crônica,digressões,Óculos de longo alcance

Vamos tentar não ofender ninguém (É impossível, eu sei, mas vamos fingir que vamos tentar…) com mais uma crônica da série Óculos de Longo Alcance Para Vistas Sem Relance.

Hoje fui surpreendido por uma cena singular… Em uma creche uma professora cantando com seus alunos “Derrama ó senhor, derrama sobre nós o seu amor…”
O ensino não deveria ser laico? O estado não deveria ser laico? Sei que é só uma música inocente e que ela se enquadra como ecumênica porque serve para um monte de religiões. Sei que na creche não havia nenhum hinduísta ou budista para quem essa música seria desprovida de sentido. muito menos confucionistas ou xintoístas. (E considere que essas religiões que comunmente julgamos “menores” são professadas por metade da população enquanto cristianismo e islamismo a outra metade)
Sei de tudo isso. Mas ainda acho que o estado não deveria professar fé. Que a Assembléia Legislativa de Minas Gerais não deveria ter uma capela ao lado do plenário, que tribunal não deveria ter cruz, que as sessões da Câmara de vereadores de Divinópolis não deveria ser aberta com a leitura da bíblia, que escolas e hospitais públicos não deveriam ter nomes de santos e ter imagens ou cruzes.
O estado brasileiro se declara laico na constituição mas em todas as suas instituições vemos um profundo ranço cristão e porque não católico.
Para a maioria das pessoas isso é visto com naturalidade, como característica cultural e respeito à cernça porque o Brasil é um pais historicamente cristão/católico.
No senso comum brasileiro os valores cristão não são valores religiosos, mas sociais. Até brutais painéis de dois metros de cristo são naturais ou até bonitos.
Mas o respeito à crença é apenas admitir a manifestação de todas, e não o estado manifestar uma. Pensando logicamente, se o estado manifesta uma teria que manifestar todas, pra que às represente igualmente. Então poderia haver um hospital Aleister Crowley.
Quando, durante a Revolução Francesa, se decidiu que o estado deveria ser laico foi para evitar que houvesse influência da religião sobre a política. E hoje o que temos mesmo nas discussões sobre células tronco aborto e eutanásia? E sabe porque? Porque o estado perpetuou não o poder político da igreja, mas o poder cultural. Porque continuamos agindo como se o normal, recomendável, bom fosse aceitar a participação da igreja no estado.
Note que não estou refutando o importante papel histórico, social, cultural das igrejas. Hoje mesmo, quantos projetos filantrópicos não são mantidos por elas?
Mas no entanto, como todo grupo social eles deveriam expandir as suas idéias por esforço próprio sem ter nenhuma ajuda injusta da máquina estatal. Por que não recebem essa ajuda os satanistas ou os pesquisadores de células tronco? (não que eles estejam na mesma categoria de pessoas)
O que quero dizer é que o poder cultural das igrejas não deveria ser perpetuado pelo estado, mas pelas igrejas. As crianças deveriam cantar músicas religiosas nos catecismos, não nas creches. Que as cruzes, imagens e leitura de livros sagrados deveriam estar nas igrejas, templos, casas de culto e não nas escolas, tribunais e casas legislativas.
Que o estado deveria seguir o princípio laico que carrega na constituição, porque poder cultural em um estado democrático é quase a mesma coisa que poder político. E hoje, inegavelmente as igrejas cristãs recebem um financiamento público de campanhas inegável chamado por exemplo “Ensino Religioso”.

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05/08

Fauna Noturna

15:42 by cochise. Filed under: conto,crônica,digressões

Hoje a noite começo bem, mas antes de acabar passei por uns episódios… “Interessantes”, antropológicamente interessantes.
Andando pela uma larga, bem iluminada, mas deserta.
À esquerda o muro de concreto com a mata ciliar d outro lado. À direita o morro quase um paredão com poucas casas.
À esquerda as instalações em ruínas de antigas indústrias cercadas pela vegetação e à direita o paredão se erguendo.
À frente o ponto onde os postes falham e o escuro tema conta desse ambiente.
Andando rapidamnte por causa do frio, sob o céus estrelado e sem lua um jovem homem caminha carregando uma sacola cruza esse caminho. Veste uma camisa pólo azul e calças sociais pretas.
No fim do caminho, o ponto mais perigoso da cidade. O ponto de ônibus na praça Candidés. Ao lado de um boca de crack.
Ele fica no ponto esperando pelo último ônibus que só iria passar onze e vinte. Ainda são quinze para às onze. Trinta e cinco minutos de convívio com o desesperados, desajustados e loucos.
A primera abordagem é de um senhora de seus cinqüenta anos (ou menos, dependendo de quão dura tenha sido a vida).
— Esperando alguém?
— Não. Só o ônibus.
— Té a fim de um programinha?
Quinta a noite. Faltando praticamente dois dias para o dia das mães. Penso em quantos filhos essa senhora não deve ter. Penso em minha namorada. Penso no absurdo da situação.
— Não, não…
— Dá pra me ajudar com um real?
— Claro…
Sim… apesar de termos idéias tão modernas ainda somos os mesmos que viviam nas cavernas. Somos sentimentais. Sabia que ela estava saindo da boca e iria tranformar esse um real me pedra, mas dei.
Segunda abordagem. Um cara por volta de seus trinta.
— Esperando o ônibus?
— É.
— E ainda tem?
— O último sai às dez e quarenta. Deve passar aqui onze e vinte.
— Ahh… Tá com frio?
— Muito.
— Quer me comprar esse casaco?
— Não obrigado.
— Pode me ajudar com cinqüenta centavos?
— Não vai dar. Só tenho a passagem.
— Sem problema.
Terceira Abordagem. Um homem de vinte e cinco ou trinta com os olhos arregalados, suando de camiseta na noite fria e tremendo um pouco.
— Sabia que está se ariscando em ficar aqui, né?
— É…
— Aqui é perigoso.
— É…
— Pode me fazer um favor?
— Se eu puder… (Foi só eu e a situação do momento ou isso tudo soou mesmo como uma ameaça?)
— Eu sou químico na Plasdil. Briguei com a mulher e saí sem nada. Tem uma passaginha pra me arrumar? (Plasdil = Plásticos Divinópolis Ltda. Passaginha = Vale transporte. Atualmente custa R$1,75)
— Sinto muito. Não tenho.

A bem da verdade tinha na carteira mais de cem reais por causa de uma conta que iria pagar no dia seguinte.
Ariscado?
Nem tanto. Tenho mais medo de cachorros que de pessoas. As pessoas pelo menos você pode usar um sorriso amigo ao cumprimentar e uma cara de infelicidade quando diz que não pode ajudar.
Os loucos, desesperados e desajustados são seres humanos como quaisquer outros. Pude aprender isso ao conviver com punks, metaleiros, góticos, satanistas e outras coisas mais estranhas.
No fundo é sempre gente. Gente que se você mostrar a sua infelicidade em não poder ajudar, mesmo que seja motivada por não poder desviciá-los e não por não poder lhes dar dinheiro, vão te tratar como gente.
Ao longo da história todos os massacres, genocídios e holocaustos só são possíveis porque se retira a humanidade do inimigo. É impossível matar um outro ser humano. Mas aqueles “japas nojentos”, aqueles “judeus de merda” ou aqueles “bárbaros selvagens” é muito simples.
E o que nós fazemos nos nossos carros com vidros fechados e ar condicionado além de retirar a humanidade dos que estão de fora?
O que eles fazem além de tirar a nossa humanidade?
Quantas vezes você já descobriu quem está por trás do ambulante que vende artesanato? O tratou como gente?
Espero que muitas. Não gostaria que isso fosse uma crônica arrogantemente escrita por um dono da verdade que retira a humanidade de seus leitores ao dizer “eu sou muito mais humanos que vocês, seus insensíveis”.
Espero que o medo do ser humano não seja motivo para nos afastarmos das pessoas cinzas normais.
Espero que o meu medo do medo que as pessoas têm não seja justificado, porque o mal nasce do medo da escuridão.

PS
Sim. eu gosto MUITO de Engenheiros do Hawaii.

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04/08

A vida sexual dos Virgens – Parte 3

0:50 by cochise. Filed under: crônica

Duendes cor de rosa são a raça mais execrável que existe. Eles chegam de mansinho e fazem uma bagunça quilométrica no seu jardim. Eles andam brincando de mecher no meu destino atualmente, mas nada que um duendecida não resolva a curto prazo.
Finalmente, depois de uma boa dose de enrolação e outra um tantinho maior de conspirações dos duendes cor de rosa vai sair a parte três do mega tratado pseudo-científico sobre a vida sexual dos virgens.

O Virgem Amedrontado é uma figura interessante do ponto de vista psicológico. Sua principal diferença do virgem Religioso por Medo é que o medo do Virgem Amedrontado não é da punição por uma autoridade extrna. Ele tem medo é do próprio ato sexual ou de alguma(s) circunstância(s) inerente a ele.
Esse medo pode ter várias origens. Taumas de infância, pênis pequeno, baixa auto estima e autoconfiança, peso acima do considerado aceitável, expriências quase sexuais vergonhosas, medo da dor do rompimento do hímem, etc. O motivo em si não importa. Pelo menos não para esse artigo pseudo científico, uma vez que a causa só serve para exemplificar a delimitação do conceito. Nosso tema é a vida sexual e não o virgem em si. Logicamente é necessário alguma explanação sobre os hábitos para determinar o comportamenteo sexula, mas que fique clao porque não vamos nos demorar na origem da situação do Virgem Amedrontado.
Para o virgem Amedrontado sua situação é vergonhosa. Ele raramente tem coragem de revelar que é virgem diante do imperativo social de transar. Normalmente erruma uma viagem, acampamento, excursão, etc. sem testemunhas, para forjar a própria desvirginação.
Seu medo e insegurança nem sempre extravasam para outros setores de sua vida, apesar de haver uma pequena parcela de medrosos, assutadiço, inseguros crônicos a mairoria são apenas pessoas inseguras quanto a histórias que contaram, livros que leram, etc. É raro que um deles realmente cruze a barreira dos vinte anos e se torne objeto desse tratado.
Os que merecem nossa atenção, normalmnte são pessoas deslocadas da sociedade dominante dos populares. Não os capachos que estão dentro do sistema  configuram o virgem excluído, mas aqueles fora do sistema. O Geek que ninguém chama assim, porque nerd é mais pejorativo, a pessoa pobre que estuda no colégio privado com bolsa, a que cuida de algum parente com deficiência mental em casa e não pode sair de noite, a pessoa de educação tão severa que não se permite desobedecer as ordens, e por aí vai em uma gama de exemplos que pode ser aumentada olhando para os lados.
Por causa da mistura de vergonha  culpa que o virgem amedrontado sente, somada a raiva de si mesmo por ter medo, ele tem o hábito de meio se punir, meio descarrear seu desejo com pornogafia. Se punir porque assiste tudo que não tem por "imcompetência própria", mas não chega perto da raiva do Excluído porque a a sensação de injustiça e impotência não é tão patente. Não costumam ter problemas éticos ou emocionais em se masturbar e o fazem regularmente.
Seu "problema" costuma ser resolvido com ajuda profissional (psicólogos, não postitutas ou gigolôs) buscada em segredo.
Talvez sua maior decepção seja o fato de que quando finalmente realiza a "passagem" não pode contar para ninguém, por ser oficialmente não mais virgem (apenas para ele, que tem certas coisas que é impossível esconder)

Bem… esse foi pqueno. Mas já são cinco horas da manhã.

Convido todos você que morem ou estejam em Divinópolis ao lançamento do Barkaça.

Estou devendo visitas e comentários, mas vai ter que ficar para depois.

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04/08

A caridade é a minha religião

20:00 by cochise. Filed under: crônica,digressões
É difícil definir o que é religião. Se pararmos para pensar o que comunmente vemos ao freqüentar a igreja são sistemas éticos travestidos de religião.
Sempre disse que deus não é bom nem mau porque não é bem nem mal. Que ética é uma questão humana a ser resolvida com filosofia, psicologia e direito, não com livros sagrados e mandamentos. Digo isso. Repito e confirmo.
Sempre disse que religião é uma caminhada de reencontro consigo mesmo e com Deus, a essência própria das coisas.
O panteísmo que acredito diz que tudo É deus e não existe nada senão ele. (Não foi criado por ou está em. É) Mas também que o todo é maior que a soma das partes. Deus não é a natureza porque é mais que a natureza.
Se não deixei de acreditar nisso tudo como se justifica o título desse post? Aí que está o pulo do gato. Pela primeira vez na minha vida estou em harmonia comigo mesmo. (sim, estou contando com a minha infância) Os sintomas do que está acontecendo datam de janeiro. De lá pra cá aumentam. Essa necessidade de me importa com os outros. Essa caridade gratuita que não é pena.
Após uma conversa muito séria com um dos seres mais evoluídos espiritualmente que eu conheço (Andreza) e uma tentativa e dar nomes e motivos mais racionais e inteligíveis para outra pessoa que não eu acabo caindo na noção sartreana de responsabilidade.
Eu sou responsável por ação ou omissão por tudo na minha vida.
Como mu nível atual de autoconhecimeto e autosinceridade não me permitem jogar a culpa das coisas  em traumas, complexos do inconsciente, etc.
Então não me resta alternativa senão viver de acordo com a ética que acredito.
O mais interessante é que essa transformação aconteceu sozinha. antes de eu saber os nomes e motivos, porque lá estava eu seguindo de coração e alma valores que normalment são puramente intelectuais.
Mas onde entra a religião na história?
Bem… caminho para alcançar a unidade com deus, comigo, com o outro, etc. A caridade é um meio. O meio que estou usando.
Minha empatia hiperdesenvolvida me leva a encontrar na caridade, no se importar com o outro gratuitamente e sem humilhá-lo tanto uma reconciliação comigo e com meu passado quanto um encontro com o outro. Com a essência que subjaz dentro do outro.
Minha religiosidade que se baseia no "mundo das coisas sem suas formas" na intersujetividade talvez tenha como bíblia a suavidade de Cecília Meireles e a maneira como ela consegue despir as coisas de sua pele, sua forma e alcançar o que realmente existe lá dentro.
A caridade é o que faz isso na vida material, ou melhor, o meio que sei usar para fazer isso na vida real.

PS: A  amorosidade gratuita das pessoas felizes. Essa é uma das máximas que adoro recitar para mim mesmo.
A dor é egoísta. A felicidade é altruísta.

PS2: Isso explica a minha conturbada relação com a máfia costaliana nos últimos tempos.

PS3: Esse final de semana não pude postar regularmente, mas feriadão serve para isso,não é?

PS4: Com isso se reduz o número de posts que eu me devo com urgência para zero. Isso quer dizer que amanhã continuo a vida sexual dos virgens, com sua terceira parte. O virgem amedrontado.

PS5:  (Esse é longo)
Quero agradecer o Mingau por um email que recebi, totalmente elogioso. Só encheção de bola mesmo.
Obrigado. Me surpreendi.

Cochise, são 4 e 51 da madrugada e estou sem sono.

Tenho um (m)apa-relho celular há 4 anos. Você e o Mateus adquiriam a tal tecnologia anuladora de espaços há ainda menos tempo que eu. Obviamente, os motivos de nossa ressitência não são os mesmos. Quando me combram por não ter um yorkute, digo que li 1984. Basta. Só deus (que deus o tenha) sabe o quanto gostaria de receber cartas ao invés de e-mails e a tristeza que me dá ser atendido pelo robocop com uma pronúcia perfeita ao telefone.

Bom, você pode imaginar que o atrasadão convicto, nestas noites viradas, prefira um bom livro de carne & osso que os blogs de lite-ratos da rede. É fato. Quase nunca sei dos seus cacos, meu amigo….
[...]
Mas,  enfim,  por conta disso, minha insônia foi se lembrar daquele sarau na casa de Cíntia. Eu não conseguia lembrar das poesias, mas me lembrava que uma sua era muito boa e que me tinha causado grande impressão.

Daí fui procurar no blog e por isso estou te escrevendo o testamento. Achei: é "Fumaça de Cigarro". Cara, pirei! Daí fui lendo o blog e encontrei outro tesouro. É "O trabalho da Asfalto" (é da ou do asfalto?) Muito boa. Quixote gerente de gestão de projetos culturais independentes…muuuuito boa! E ainda " A verdade" que tem uma suavidade pesada de humor  existencialista. Essa me agrada ainda mais que todas. Parabéns!

Esse foi mesmo só pra tirar o chapéu irmãozinho…. inté!!!!    

Esse  "A Verdade" é o final de "deuses temperamentais" que eu nunca pensei como um texto independente.
E sim. É o trabalho do asfalto, mas minha digitação precisa melhorar.
Obrigado cara.

PS6:
No mais até amanhã que é hoje porque a noção de tempo dos insones é complicada.

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04/08

Postagem Coletiva – O QUE VOCÊ FAZ PARA ACABAR COM O ANALFABETISMO NO BRASIL?

10:15 by cochise. Filed under: crônica,digressões

Nada.
Dói dizer isso. Mas atualemte não estou fazendo nada. Não vou mentir.
Sou um escritor, por gosto e vocação. Dizem que sou talentoso. Meu futuro profissional depende de leitores. Pois bem. Não estou fazendo nada.
Nunca fiz. Não diretamente, nem altruísticamente.
Já dei aula para jovens adultos com deficiência visual. Nenhum analfabeto.
Já  quase alfabetizei um menino com deficêncai mental. (trabalhei fluência da leitura e compreensão dos textos) Recebia po isso.
E aqui terminam minhas incrusões na área da educação. saí da faculdade antes de fazer estágios, e mesmo assim, História só se ensina para alunos alfabetizados.

Mas tenho algumas opiniões sobre o tema. Sei que é chover no molhado, que todo mundo vai acabar dizendo as mesmas coisas. A opinião do aluno deve ser levada em consideração. O trabalho de fluência e compreensão que fiz foi baseado em hqs do Motoquiro Fantasma porque o menino gostava de histórias de terror.

O trabalho de alfabetização não deve ser voltado para o utilitarismo de ler e escrever. Mas para a fatasia. Para os mundos escondidos nos livros, Ler e escrever não serve para conseguir emprego ou escrever bilhetes ou receitas.
Ler serve para saber das noticias do jornal. Serve para entrar nos mundos de poesia, acão, sagrado ou conhecimento.
Escrever serve para expressar o que se sente, pensa, acha. Serve para falar sem ser interrompido para todos que puderem por as mãos nesse papel.
Ler e escrever é ter acesso a um mundo inteiro de pensamento e sentimento. Como receptor e produtor.
Ler e escrever liberta a alma.
Pelo menos a minha alma se liberta dessa realidade pela leitura e constrói uma nova realidade realidade pela escrita. E funciona muito melhor que a televisão que empurra tanta imgem e som numa vertígem tão rápida e avassaladora que nos esmaga no sofá sem reação, sem liberdade, etc.
Ler é criar imagens, mas isso todo mundo sabe e já disse.

Saídas?
Claro que tenho. Todo intelectual tem [mesmo aqueles que não estão fazendo nada (principalmente esses) como eu] suas saídas milagrosas.

Mais sonho, fantasia e poesia na escola ligada aos livros [Histórias deveriam ser lidas, e não contadas na pré escola (para acostuma a criança com a presença do livro). Nas primeiras séries deveria haver dramatizações, discussões, murais, etc sobre livros lidos coletivamente(leitura deveria ser coisa séria só pra gente grande. Para as crianças deveria ser uma brincadeira tão divertida quanto as outras)]. Isso ajuda as pessoas que abandonam o ensino analfabetas ou semi lafabetizadas e que são bem mais do que as estatísticas gostam de dizer.
Um levantamento de dados constante com agentes socias (assimilando novas funções à agentes de controle epidemológico e do programa saúde da família) que visitam todos os domicílios do Brasil identificando onde há não só analfabetos, mas pessoas que precisam do Bolsa Família, mães adolescentes, idosos negligenciaos, etc.
Sem informação vamos continuar dependendo de uma atitude primeiramente voluntária por parte da vítima do risco social, que nem sempre procura quem pode lhe ajudar.
A partir dessas informações completas, organizar os voluntários, professors com contratos tmporários, etc.
Se houvesse um serviço integrado de informações sociais baseado em visitas domiciliares totais ao invés de um monte de visitas parciais com resultados fragmentários, setorias que se perdem nos mais variados níveis e setores das várias administrações municipais, haveria como o estado fazer algo, mesmo que esse algo seja apenas organizar voluntários como é hoje o Brasil Alfabetizado.

Outras que não passem pelo poder público ineficiente, burocrático e perdulário do Brasil?
Claro.
Comoção pública gerada por pessoas com seus meios de comunicação de pequeno porte de democratizados (leia-se blogs) que convença as pessoas por exemplo que já que ela fazem visitas para ensianr sobre a biblia pordem ensianr a ler e escrever em outros lugares.
Que já que ele fazem rifas para o salão comunitário podem solicitar via Orcamento Participativo, ofício ou qualquer outro meio uma biblioteca comunitária para ocupar esse salão já que o Ministério da Cultura tem um fundo de livros para criação de bibliotecas sempre subutilizado.
Aliás, descobri uma coisa que eu fiz.
Numa reunião do Orçamento Participativo consegui colocar o pedido de uma biblioteca comunitária no bairo no documento final.
Um ano depois os livros chegaram. para ficarem três anos parados, encaixotados, porque o governo burocrático, ineficiente e insensível não disponibilizava um bibliotecário e os livros são parimônio da prefeitura e nenhum voluntário poderia ocupar o papel.
Até hoje, se a bibliotecária entra de férias a biblioteca fecha.
Mas então fico por aqui.
O que queria mesmo dizer é que quando vi essa campanha me senti culpado pr minha omissão e por isso entrei. Apesar disso não há como me envolver na área nos próximos meses. infelizmente.
Mas o importante é a sensação de querer fazer algo, que mais cedo ou mais tarde vira ação. O conhecimento que existe saída, com criatividade e empenho. Que ler e escrever não é algo restrito ao mundo objetivo dos empregos e inclusão social, mas também algo na esfera dos sonhos, da expressão, da imaginação.
que prender alguém no analfabestismo por omissão é prender numa terra com menos sonhos.
Agora eu fiquei mesmo triste. Vou ver onde eu posso sair dessas elucubrações e fazer alguma coisa no mundo concreto.
Reporto novidades, quando houver.

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04/08

A Vida Sexual dos Virgens – Parte 2

17:52 by cochise. Filed under: crônica,digressões

Ummhum. Aqui vamos nós de novo escrever. Hoje é dia de falar do Virgem Excluído. Antes disso quero lembrar do post de amanhã sobre o analfabetismo (tem um banner aí ao lado)
Provaelmente ele vai atrasar a parte do Virgem Amedrontado. Além disso tenho que digitar mais um texto revelador sobre o novo homem que se constrói por aqui, e só depois disso vou poder digitar o texto sobre o Virgem Româmtico.

O Virgem Excluído é um fenômeno interessante. Seu nome deriva de análises sociológicas do amiente escolar. Na escola existe os poucos Populares, os seguidores dos populares e por fim os Excluídos. Os jovens se subdividem em várias tribos (surfista, grunge, skatistas, manos, etc) mas dentro desses grupos todos a hierarquia é essa. Que aliás é a mesma hierarquia em quase todo o mundo fora das escolas e não sei porque os sociólogos detectaram o fenômeno só no ambiente escoalr,.

Os excluídos são os capachos de todos os círculos sociais. Figuras tristes que por um motivo ou outro são vítimas de chacotas, humilçhações, etc por todos os populares e seus seguidores.
Isso começa na pré adolescncia e tem efeitos bizarros sobre a auto estima da pessoa, o tornando próximo ao nosso próximo tópico, o virgem amedrontado.
O excluído apesar de ser rejeitado reiteradamente quer pertencer ao grupo dos populares. É o desejo normal de adequação do ser humano que na juventude é maior ainda. Por isso o excluído, apesar de não ser aceito pelo grupo tenta ao máximo se aproximar dele. Sendo assm sofre com o desdém. Suas conquistas são menosprezadas, suas qualidades ignoradas, seus defeitos superdimensionados e defeitos que ele não tem são inventados.
Sendo assim ele se acostuma à categoria de capacho. Quando ele chega à idade sexual, com sua postura de capacho não consegue mais que ser pisado.
O pretendente a companheiro, sendo uma pessoa do século XXI para quem os relacionamentos são analisados como custo-benefício se aproveitra para sacar sem retribuir.
Essess virgens carregam uma grande frustração com eles mesmos por não conseguirem se impor, uma grande raiva do mundo por pisar neles (uma raiva impotente, já que não conseguem se impor) e uma urgência violenta por cruzar a linha.
Se ele não procura auxílio profissional (postituta/gigolô, porque se fizer terapia aí sim sua vida social vira um inferno) poque aí sim a sua vida social vira um inferno.
Sendo assim, eles tendem a se masturbar raivosamente e compulsivamente, sendo grandes consumidors de pornografia.
Normalmente eles resolvem seu problema (e eles encaram a situação de virgem como um problema a ser resolvido, ao contrários dos virgem religioso por convicção e do virgem româmntico) procurando outros meios onde tenham menos carma acumulado e tentando mudar sua atitude. Depois de algumas tentativas acabam conseguindo, apenas para voltar ao seu meio habitual com ilusões (mais) de aceitação e ser humilhado novamente pela demora, inaptidão ou parceiro.
Eventualmente eles acabam encontando alguém que os ame o bastante para obrigá-los a fazer terapia ou entram em depressão profunda o bastante para a família se preocupar.

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