É difícil definir o que é religião. Se pararmos para pensar o que comunmente vemos ao freqüentar a igreja são sistemas éticos travestidos de religião.
Sempre disse que deus não é bom nem mau porque não é bem nem mal. Que ética é uma questão humana a ser resolvida com filosofia, psicologia e direito, não com livros sagrados e mandamentos. Digo isso. Repito e confirmo.
Sempre disse que religião é uma caminhada de reencontro consigo mesmo e com Deus, a essência própria das coisas.
O panteísmo que acredito diz que tudo É deus e não existe nada senão ele. (Não foi criado por ou está em. É) Mas também que o todo é maior que a soma das partes. Deus não é a natureza porque é mais que a natureza.
Se não deixei de acreditar nisso tudo como se justifica o título desse post? Aí que está o pulo do gato. Pela primeira vez na minha vida estou em harmonia comigo mesmo. (sim, estou contando com a minha infância) Os sintomas do que está acontecendo datam de janeiro. De lá pra cá aumentam. Essa necessidade de me importa com os outros. Essa caridade gratuita que não é pena.
Após uma conversa muito séria com um dos seres mais evoluídos espiritualmente que eu conheço (Andreza) e uma tentativa e dar nomes e motivos mais racionais e inteligíveis para outra pessoa que não eu acabo caindo na noção sartreana de responsabilidade.
Eu sou responsável por ação ou omissão por tudo na minha vida.
Como mu nível atual de autoconhecimeto e autosinceridade não me permitem jogar a culpa das coisas em traumas, complexos do inconsciente, etc.
Então não me resta alternativa senão viver de acordo com a ética que acredito.
O mais interessante é que essa transformação aconteceu sozinha. antes de eu saber os nomes e motivos, porque lá estava eu seguindo de coração e alma valores que normalment são puramente intelectuais.
Mas onde entra a religião na história?
Bem… caminho para alcançar a unidade com deus, comigo, com o outro, etc. A caridade é um meio. O meio que estou usando.
Minha empatia hiperdesenvolvida me leva a encontrar na caridade, no se importar com o outro gratuitamente e sem humilhá-lo tanto uma reconciliação comigo e com meu passado quanto um encontro com o outro. Com a essência que subjaz dentro do outro.
Minha religiosidade que se baseia no "mundo das coisas sem suas formas" na intersujetividade talvez tenha como bíblia a suavidade de Cecília Meireles e a maneira como ela consegue despir as coisas de sua pele, sua forma e alcançar o que realmente existe lá dentro.
A caridade é o que faz isso na vida material, ou melhor, o meio que sei usar para fazer isso na vida real.
PS: A amorosidade gratuita das pessoas felizes. Essa é uma das máximas que adoro recitar para mim mesmo.
A dor é egoísta. A felicidade é altruísta.
PS2: Isso explica a minha conturbada relação com a máfia costaliana nos últimos tempos.
PS3: Esse final de semana não pude postar regularmente, mas feriadão serve para isso,não é?
PS4: Com isso se reduz o número de posts que eu me devo com urgência para zero. Isso quer dizer que amanhã continuo a vida sexual dos virgens, com sua terceira parte. O virgem amedrontado.
PS5: (Esse é longo)
Quero agradecer o Mingau por um email que recebi, totalmente elogioso. Só encheção de bola mesmo.
Obrigado. Me surpreendi.
Cochise, são 4 e 51 da madrugada e estou sem sono.
Tenho um (m)apa-relho celular há 4 anos. Você e o Mateus adquiriam a tal tecnologia anuladora de espaços há ainda menos tempo que eu. Obviamente, os motivos de nossa ressitência não são os mesmos. Quando me combram por não ter um yorkute, digo que li 1984. Basta. Só deus (que deus o tenha) sabe o quanto gostaria de receber cartas ao invés de e-mails e a tristeza que me dá ser atendido pelo robocop com uma pronúcia perfeita ao telefone.
Bom, você pode imaginar que o atrasadão convicto, nestas noites viradas, prefira um bom livro de carne & osso que os blogs de lite-ratos da rede. É fato. Quase nunca sei dos seus cacos, meu amigo….
[...]
Mas, enfim, por conta disso, minha insônia foi se lembrar daquele sarau na casa de Cíntia. Eu não conseguia lembrar das poesias, mas me lembrava que uma sua era muito boa e que me tinha causado grande impressão.
Daí fui procurar no blog e por isso estou te escrevendo o testamento. Achei: é "Fumaça de Cigarro". Cara, pirei! Daí fui lendo o blog e encontrei outro tesouro. É "O trabalho da Asfalto" (é da ou do asfalto?) Muito boa. Quixote gerente de gestão de projetos culturais independentes…muuuuito boa! E ainda " A verdade" que tem uma suavidade pesada de humor existencialista. Essa me agrada ainda mais que todas. Parabéns!
Esse foi mesmo só pra tirar o chapéu irmãozinho…. inté!!!!
Esse "A Verdade" é o final de "deuses temperamentais" que eu nunca pensei como um texto independente.
E sim. É o trabalho do asfalto, mas minha digitação precisa melhorar.
Obrigado cara.
PS6:
No mais até amanhã que é hoje porque a noção de tempo dos insones é complicada.