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08/10

Sobre engrenagens e lobos

20:04 by cochise. Filed under: digressões

Pensei em escrever um comentário lá no Makaber Magie, mas descobri que precisaria de um texto grande o bastante para um post. Então aqui vamos nós. Existe algo podre nas escolas. O aprendizado psicofísico de ficar quieto horas seguidas na sua cadeira, sem reclamar, que é importantíssimo para o mercado de trabalho, a formação de mão de obra, a aprendizado mecânico. No entanto, isso que é podre, é importantíssimo. É estranho, mas é verdade, e eu demorei muitos anos para entender como as coisas realmente funcionam.

Toda regra tem exceções, eu sei. Você pode elencar pessoa x, y ou z para tentar contradizer estes argumentos, mas x, y e z são pontos fora da média. Estou aqui falando da massa média de indivíduos gama que não tem nenhum sonho a mais do que o que for ofertado a eles, não dos garbosos alfas e betas ou dos desprezíveis ômegas. A verdade é que o fulaninho que ouve funk, sonha ter uma pickup (porque caminhonete é coisa de suburbano) para botar um “som animal” e fazer a cidade inteira ouvir funk sonha apenas o que nós lhe ofertamos. Nós, mundo. Ele sabe que será para sempre um qualquer apertador de parafuso/balconista/vendedor.

Sempre um entre os vários milhares e milhões. Será apenas isso. Para que escola então? Os jovens e adolescentes simplesmente não tem perspectivas nas escolas. Mesmo os que dizem “vou fazer direito/pscicologia/veterinária” não tem mais perspectivva de vida do que uma casa com quatro quartos quitada depois de 30 anos pagando.

No Brasil o grosso da juventude simplesmente não sabe sonhar. Está há gerações enrodada num cíclo vicioso de subemprego-cohab-escola pública-subemprego. Formar boas engrenagens é necessário. É importante. Não estou falando de nada mais do que o mais baixo e vil ensinador de apertador de parafusos. Ao aprender a apertar parafusos o jovem aprende que não precisa ser balconista, não precisa se conformar com o salário mínimo.

É claro que tudo ffica melhor se tivermos uma educação humanista aliada a isso, uma perspectiva crítica ao funcionamento da sociedade. Mas sendo simplesmente realistas, isso é algo absolutamente impossível a curto prazo. E sim, existem bons professores que são ponto fora da média, mas a grandde maioria precisa ler muito livro antes de conseguir uma visão crítica que não seja maniquísta, formar alunos consciêntes e não massificados pela esquerda. Num quadro em que a maioria dos proefessores de exatas não são formados em nada na area pedagógica, onde os professores de humanas são dispensados de fazeer monografias e onde os professores ganham menos que… quase todo mundo é impossível falar de algo assim.

é um trabalho para gerações. É preciso boas universidades que formem bons professores. E para isso é preciso bons projetoss de pós graduaçao para formar os professores dos professores das universidades, porque a maioria deles é um lixo. Poucos professores universitários sequer tem alguma produção acadêmica. constuir A Eduçãção, universalizante, humanista, criadora de senso crítico, etc. É uma tarefa de gerações que não podemos deixar de lado. Fazer com que a escola tenha o caráter de transforrmação social apresentando perspectivas de creescimento finaceiro pessoal concretas aos alunos é trabalho de alguns anos. E Tão importante quanto A Educação. Porque sem esse germe de ambição A Educação não vai existir, porque não vamos ter universidades, não vamos ter alunos matriculados. E sim, o preofessor hoje, é um apertador de parafusos. (há pontos fora da média) Sem vender a idéia do apertador de parafuso bem pago o círculo não fehca e não se auto alimenta. Continuaremos com deficiência de  engenheiros, professores, médicos, etc.

OBS.: Naturalmente é preciso pagar bem os professores. Um bom começo seria reduzir a carga horária do piso salarial para 20 ou 25 horas semanais e aumentar o salário em uns 30%.

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07/10

Política, a máquina de emburrecer gente

3:15 by cochise. Filed under: Partido,digressões

Provavelmente este é o post mais polêmico que eu já escrevi, mas duvido que muita gente consiga compreendê-lo completamente.

OBS.: Este texto fala quase exclusivamente do nível federal.

A máquina política brasileira (não sei dizer se é assim em outros países) é claramente desequilibrada. Em primeiro lugar, falta informação. Ninguém sabe os motivos de coisa alguma, pouca coisa é realmente discutida com a sociedade. Um dos motivos disto é que os jornais estão tão ocupados fazendo oposição que esquecem que uma das suas funções é informar. Outro é que em parte por causa da oposição de oposição da mídia as informações só circulam depois dos fatos estarem decididos.

Em segundo lugar, tudo é resumido a um combate eleitoral mesquinho, em grande parte por causa do primeiro ponto.

Simplesmente não importa se projeto A é bom ou não, se decisão B é boa ou não. O importante é levantar os pontos negativos (quase todas as coisas tem lados negativos. Existem muito poucas coisas que como o café tem apenas aspectos positivos.) e fazer oposição histérica com ampla divulgação por uma mídia de oposição para tentar conseguir algum resultado eleitoral.

O fato deste combate imbecil existir nos salões do planalto e corredores do congresso faz com que isso desça até as ruas e contamine os militantes de ambos os lados.

Para pensar em exemplos, vamos pegar Belo Monte, lei de direitos autorais e código florestal.

Todas as discussões, artigos, reportagens que encontro sobre o assunto estão contaminadas não por opiniões sobre estes assuntos (exagero isso, não no caso dos direitos autorais), mas sobre a eleição 2010.

Particularmente sou a favor do atual projeto de Belo Monte, da reforma dos direitos autorais, achando-a insuficiente em grandes partes e a favor sem ressalvas do novo código florestal. (qualquer um contra, por favor procure entendê-lo minimamente)

O ponto é que ninguém tem direito à opinião no que diz respeito à vida política e nunca se discute fatos, mas factoides. O combate entre lados é tão acirrado que automaticamente os lados se definem e existe uma obrigação do cidadão alinhado com um deles de ser completamente a favor de todas as ações do seu lado antes mesmo de conhecê-las. Conheço pouquíssimas pessoas que efetivamente compreendem as mudanças no código florestal. Conheço infinitas pessoas atacando e defendendo esse mesmo código. Já cansei de ver falácias como por exemplo ataques ad homini nos dois lados e já cansei de ver papagaios de esquerda e direita repetindo argumentos decorados.

A minha conclusão é que a atual máquina política é uma máquina de emburrecer pessoas. As mais inocentes e bem intencionadas porque não falam diante de um ataque “Não sei sobre este tema ainda. Vou fazer uma certa pesquisa e depois a ente conversa sobre isso.”, mas partem para um contra ataque frágil baseado em slogans e palavras de ordem sem embasamento algum.

Sinto muito contar, mas os dois lados fazendo isso ninguém convence ninguém e o único objetivo alcançado é o de fazer com que eles se odeiem ainda mais.

As mais sacanas esquecem a consciência debaixo da cama todo dia e incentivam a massificação tanto de esquerda como de direita para baseado em carisma e oratória usar a população como massa de manobra em vez de incentivar o debate racional dos assuntos, porque sabem que uma população acostumada ao debate, à opinião e ao raciocínio é uma população mais difícil de convencer a votar e mais interessada em participar das decisões políticas.

E tenho dito.

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07/10

Porque não sou ateu

12:08 by cochise. Filed under: digressões

Muita gente anda debatendo o livro Deus, um delírio e essa questão do ateísmo tem tomado vulto. Bem, assim como Bertand Russel que escreveu o fantástico Porque não sou critão resolvi dar meus pitacos.

Sendo curto e grosso, não sou ateu porque sou um místico. Eu sou muito mais alinhado intelectualmente com os ateus que com qualquer das vááááárias religiões que conheço. Analiso religiões como fenômenos epistemológicos, sociais e memes e igrejas como organizações sociais. Não acredito na validade de uma moral teocêntrica e não creio em pós vida.

Mas no entanto sou um místico. Acredito em “energias”, em ligações entre todas as coisas, que tudo é um. Acredito que é possível sintonizar o outro e eliminar as barreiras artificias entre os seres. Acredito que a matéria é muito mais subjetiva que objetiva. Já conversei com plantas, experimentei telepatia, tive quase viagens astrais.não tenho pretensão nenhuma nem de me tornar um religioso na acepção normal da palavra, nem um ateu na acepção normal da palavra, nem estudar magia na acepção normal da palavra, porque a maior parte da merda que se entende por magia não é muito diferente das religiões e portanto muuuito distante da minha “magia verdadeira”.

Se você quiser chamar esse um que é tudo de Deus, pode fazer isso, o nome é a última coisa que me importa. Não vai alterar o que é. Só que não é deus no sentido que as pessoas costumam imaginar ao ouvir a palavra, pois o todo não é pessoal, não é ético, não é autoconsciente. Se você chamar esse um de deus, é um deus adormecido, que não pensa, que não diz “Eu Sou”.

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07/10

Retomando

5:28 by cochise. Filed under: digressões

Às pessoas que interessa, digo que estou bem. digo que estou leve, com vontade de voar e que no início da semana cumpri o ritual de tomar um café em honra aos amigos distantes.

Tenho escrito principalmente sobre o status dos meus livros, e tenho trabalhando neles, o que é muito bom também, mas tenho saudade de sentar diante do computador e escrever estas longas cartas para ninguém.

“O fracasso, o verdadeiro fracasso, não tem nenhuma relação com a obtenção de certas coisas na vida. Trata-se da sensação e da certeza de que, não importa o que você faça, está reduzido a ser um mamífero, uma criatura sem possibilidade de se comunicar, cheia de ânsias insaciáveis e com uma estreita lucidez frente à urgência elementar de saber quem raios é o que significa. O dinheiro, a fama e as adulações são apenas o peixe podre com que alimentam a foca amestrada para que continue divertindo o público. É verdade que há camas mais suaves, bundas mais vigorosas e carros mais velozes que outros, mas isso não garante que a gente durma mais tranqüilo, demore mais para ejacular ou chegue mais longe.” Efraim Medina Reyes

Tem muitas coisas que preciso falar, mas ler este trecho de uma fantástica entrevista do Efraim me fez ter vontade de falar da Magia necessária para transformar o Fracasso me Sucesso.

Para isso , mais dois trechos da entrevista:

O que o deixa mais irritado? Que todas as mulheres que eu acho gostosas não se entreguem para mim. Que a estupidez continue ganhando a batalha, que o lixo que Paulo Coelho e Dan Brown escrevem seja consumido por milhões de mamíferos. Que nos estádios de futebol milhares de pobres se matem enquanto 22 milionários se divertem no campo. Basta de assistir futebol, é hora de jogá-lo, todos. Não quero assistir à próxima final da Copa, quero jogá-la.
Por fim: quanto tempo o cupim leva para devorar o bosque? Querido amigo, não tenho todas as respostas, só espero que antes que o bosque desapareça o lobo tenha conseguido dar uma boa trepada com a Chapeuzinho.

Isso é cinismo. Isso é Bukowski, isso é Fight Club. Isso é dizer com todas as letras: “Eu sou a merda do mundo fazendo de tudo para ser notada”. Isso é como eu me sinto boa parte do tempo.

O fracasso não tem a ver com perder, assim como o sucesso não tem a ver com ganhar. Tudo isso são ninharias que não importam nada quando você está a sós com o espelho. O fracasso tem a ver com não saber que é um fracasso. Tem a ver com ser um “mamífero” que não tem desejo de tocar as estrelas. Tem a ver com ser um ser sem dentes e garras que não tem coragem de catar a chapeuzinho.

A magia é ser o lobo insone rondando a civilização a espera de uma chance de meter os dentes em alguém. A magia é a raiva surda, o rancor, a vontade de esbofetear todo fã de Dan Brow ou Stepanie Mayer. A magia é a transformação. É amar um mundo que você sabe que deveria ser e não é. É a vontade de assaltar o supermercado tendo dinheiro para dizer que você pode.

Não quero passar uma procuração para os atores das novelas viverem os casos de amor, as viagens, as descobertas. Quero fazer eu mesmo. Quero jogar a final da copa. Não quero a promessa de um paraíso feito para mim após a morte. quero fazer um aqui e agora. Quero arrancar à força do mundo o que eu sei que mereço e socar a cara de qualquer um que queira menos que isso.

Magia é transformação. É impor sua vontade ao mundo e não parar enquanto ele não se curvar. E isso é sucesso. E por isso eu sou um mago. Porque nas minhas veias galopam cavalos vapor e as minhas mãos são a ferramenta de fazer paraísos.

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07/10

Revolução atéia

14:35 by cochise. Filed under: digressões

Estamos no horizonte de uma nova revolução dos direitos civis. Diante de uma luta por respeito e igualdade por uma minoria.
Os ateus estão começando a exigir o devido respeito.
No mar de hipocrisia composto por ecumenismo, democracia, estado laico e política os ateus querem se fazer ouvir.
A sociedade ocidental finge respeito à diversidade de credos, mas a verdade é que entendemos como liberdade de credos a liberdade de ser um cristão de uma denominação diferente da nossa. Aceitamos o espiritismo porque eles ainda são cristãos. Aceitamos a umbanda porque eles usam santos católicos e aceitamos o candomblé porque não entendemos que ele e a umbanda são coisas diferentes.
Aceitamos os judeus porque eles passaram pelo holocausto, mas só por causa disse, senão ainda seriamos antissemitas, assim como hoje somos antiárabes.
Ficamos com raiva quando se fala de tirar cruzes de tribunais ou imagens religiosas de escolas. Achamos um absurdo que ateus existam e tentamos convertê-los seja por militância insistente ou por ódio surdo.
É comum dizerem ao meu irmão que se “converteu ao ateísmo” com 12 anos que ele é muito jovem para tomar uma decisão dessas. Bem, se a religião é algo tão sério, grave e importante que é cedo para abandoná-la é cedo para adotá-la também. Ateus são considerados aberrações porque a religião é considerado estado natural do ser humano.
Ao estudar as ciências humanas muita gente tem problemas religiosos. Isso porque um cientista humano, seja historiador, seja sociólogo, seja cientista político tem a obrigação de analisar as religiões (vivas e mortas) como fenômenos sociais e as igrejas (vivas e mortas) como corpos sociais. Isso equivale a despir deus do manto de divindade, acertar-lhe uma pancada na cabeça e levar o cadáver para a mesa de dissecação.
A verdade é que a educação religiosa que recebemos desde a infância faz com que tenhamos dificuldade me analisar a igreja como um corpo social e a religião como um corpo ideológico, porque as recobre de uma aura sacra.
A epistemologia ao estudar a evolução do conhecimento é clara ao dizer que o mito é o resultado da abstração sobre a fetichização.
Explicando, na aurora da humanidade o pensamento não tinha evoluído acimado fetichismo. Que é uma palavra chique para descrever o que todos nós um dia fomos. Toda criança é fetichista ao achar que os objetos te alma. Toda criança antropomorfiza objetos inanimados, colocando rostos em sóis, imaginando que seus bichos de pelúcia são gente ou que seu cobertor o protege. O homem das cavernas era fetichista. Os povos mais primitivos ainda são. Mas com o tempo a sensação de impotência diante da natureza nos leva a criar fórmulas de conseguir favores dos objetos fetiche.
É por isso que se idolatrava a caça antes da caçada em algumas comunidades caçadoras. É por isso que fazíamos sacrifícios à chuva.
Com o tempo se criam fórmulas gerais, mais abstratas. E com o tempo as almas de um certo tipo são fundidas em um único ser. Todos os rios são apenas o espírito dos rios. Todos os cervos são o espírito dos cervos. As religiões indígenas da América do norte os chamam de Manitus. Ao se antropomorfizar os manitus nós temos os antigos deuses dos mais diversos panteões. Os egípcios ao longo dos séculos passaram por essa transição, tanto é que em documentos antigos eles chegam a ser representados como animais, em medianos como tendo cabeças de animais e nos modernos são muitas vezes representados como humanos, ficando a cabeça animal apenas como um recurso estético ou metafórico, mas não mais como uma necessidade.
A dita primeira religião monoteísta, o judaísmo primitivo, não o era. Era uma religião monolatrista. O povo de Abraão, Isaac e Jacó sabia que existiam outros deuses. YHWH era o deus deles, mas não o único no universo. Inclusive no antigo testamento há várias ocasiões em que personagens adoram a outros deuses. Sim, para nós o bezerro de ouro ou Moloch, ou Belzebu são demônios, mas essa é a nossa visão depois de mais de 15 séculos de cristianismo institucionalizado. Tudo indica que para Davi ou Salomão (não me lembro qual que aderiu ao culto de Moloch por curto período de tempo) e para todas as pessoas daquela época YHWH nunca foi o único deus, mas era o deus deles e o único que podia ser cultuado por eles.
O monoteísmo é um conceito que se desenvolveu por causa de um fator. Antropocentrismo.
Os judeus primitivos ao longo de gerações de monolatria e um grande isolamento cultural (note que não é um isolamento físico, mas um cultural causado por sua xenofobia) passou a ser óbvio que YHWH era o único deus deles. Algo semelhante ao que acontece com o PCdoB por exemplo. Um militante quase nunca o chama pelo nome, mas apenas por “O Partido”, como se fosse o único que existisse.
Então, quando uma religião extremamente xenofóbica se difundiu ao redor do mundo com o cristianismo o conceito de monoteísmo surgiu.
Mas adivinha…
A principal função da religião continuava ser proteger os homens do desconhecido mediante o comercio de favores.
Num mundo sem conhecimento científico a vida dependia de fatores inexplicáveis. Para lidar com isso uma entidade abstrata foi sendo criada nível após nível.
Quando a ciência começou a desvendar os segredos do mundo na Grécia antiga a religião perdeu força?
Sim e não. A Grécia ao sair do período micênico tem uma distância clara entre a religião e o estado, o que evita uma série de conflitos. Além disso a religião grega é muito mais medíocre e cheia de verdades que a nossa. As pessoas sabiam quem tinham sido os compiladores dos mitos, julgavam-se descendentes diretos de heróis e deuses. Há até quem diga que os gregos sempre acreditaram em seus mitos na forma de metáfora, e nunca como dogma tamanha a liberdade que eles tinham com eles, mas isso é especulação.
O problema começa apenas na idade média, quando a ciência faz a mesma coisa que os gregos tinam feito. Falar que a criação e organização do mundo poderia ser diferente da proposta pelos mitos de conforto.
Esse conflito é artificial e foi gerado por causa da relação estreita da igreja com a política. Uma igreja afastada da politica pode participar de debates teóricos sobre a criação e funcionamento do mundo. Uma igreja que usa ativamente seu poder cultural para controlar a população não pode admitir o questionamento de seus dogmas.
A religião sempre serviu para a mesma coisa ao longo do tempo. Para proporcionar a sensação de segurança diante do mundo desconhecido, para servir de intermediário na troca de favores e para que as pessoas se sentissem participantes e um mesmo grupo e identidade.
A grande diferença é que a igreja Católica assumiu posições estatais na Idade Média semelhante a que as igrejas tinam no antigo império do Egito, nas civilizações mesopotâmicas, ao contrário do que acontecia em Roma e Grécia.
Sendo assim o questionamento da religião não é um questionamento ao dogma ou ao mito, mas um questionamento ao poder político. E por isso foi tão combatido.
Só que o questionamento científico tem uma capacidade singular. Ele explica o mundo, estripando a principal função da religião. E mais que isso, ao aceitar a ciência se torna patente que o comércio de favores com divindades é apenas um autoengano confortante. O que estripa a segunda principal função da religião, sobrando apenas a parte da identidade. Isso rebaixaria a religião a um estilo de vida como por exemplo o movimento punk.

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06/10

Lei do direito autoral – Consulta pública

O MinC, ministério da cultura, além de ter contratado o Célio Turino para criar a política pública mais orgásmica da história também inovou ao abrir debate com a sociedade sobre pontos nevrálgicos da legislação cultural.

A bola da vez é a lei de direto autoral. A proposta que foi construída democraticamente está na internet para receber comentários, sugestões, críticas, etc.

qualquer cidadão pode opinar sobre o projeto que vai para o congresso. (se o congresso fosse assim o parão de qualidade seria outro)

É fácil achar as principais alterações, mas como todo blogueiro gosta de falar, aqui vão os meus pontos.

  • Art 46 – XVII – Obras abandonadas
    O texto não considera crime a reprodução não comercial de produtos fora de catálogo, como aquele disco dos Mutantes que você não acha para comprar ou as revistas do Homem Animal lançadas em 1990.
  • Art 8 – VIII – Normas técnicas e ABNT
    Abre brecha para que normas técnicas sejam protegidas por lei, provavelmente para permitir a ABNT a vender normas.
  • Art 8 – IX e Art 46 – III
    Torna livre o uso comercial de notícias publicadas em jornal por outro jornal.

Concordo plenamente com o primeiro, estou com um pé atrás do segundo e discordo plenamente do terceiro.

Além desses pontos ainda inclui a proibição do jabá (Art 110-B) e outras cerejas de bolo como criar um instituto de arrecadação de direitos para cópias xerox e subordinar os institutos à fiscalização federal.

Recomendo que todos participem. O mais que puderem. Mesmo que seja chato ler a lei. É importante para todos nós levar para lá os debates necessários.

Principalmente o sobre o prazo de proteção, porque 70 anos depois da morte do autor é um absurdo.

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12/09

Não há revolução

17:18 by cochise. Filed under: digressões

Não há revolução.

A rebeldia está totalmente integrada ao sistema a ponto dele não poder existir sem ela.

A moral e os bons costumes, constantemente afrontados o são com o espírito das revoluções. Ultrapassamos a fronteira com a sensação de estarmos trabalhando na libertação humana e com atro e áureo orgulho.

Beijar dez ou cem na noite, trepar vezes sem conta, se intoxicar de álcool e outros psicotrópicos.Tudo em oposição ao mundo careta, chato, velho.

Mas não há revolução. Não há nada transformador nisso.

Cronologicamente, nossas pequenas perversões não chegam aos pés dos clássicos. Sade sabe muito mais sobre isso que a nova geração. Antes de eletricidade, piercings, suspensão. Aliás, bota piercingis quem não tem culhões para torturar ou matar alguém.

(nesse ponto começo a pensar que críticos vão considerar esse texto um incentivo à violência)

Em essência, o que há de revolucionário no livre uso do corpo, próprio e alheio?

O que há de ousado ou minimamente transgressor? Sade poderia ser um pequeno burguês conservador. O corpo nunca foi o denominador de nada. O copo não está por trás de nada. O prazer sexual, estético, através da dor, etc, podem viver em qualquer dos mundos. Aliás a perversão combina mais com ambientes vitorianos que com a modernidade (ou pós).

A grande confusão diz respeito apenas ao fato da igreja católica e muitas das protestantes tratarem o corpo como tabu. Mas isso não faz com que o livre uso do corpo seja transgressor ou militância contra a hipocrisia ou pela liberdade. É apenas o livre uso do corpo. Essa máquina de morrer que nos carrega para cima e para baixo.

O som alternativo de hoje não está nem perto das experimentações da vanguarda de 1930. Não chega aos pés do experimentalismo psicodélico de 1970.

Não, não estou falando de qualidade subjetiva, mas de ousadia musical. A revolução pasteurizada e reproduzida em massa é situação.

Há tempos não se vê uma grande novidade.

O último reduto da criatividade acaba sendo, quem diria, a academia onde ainda se tem algum desejo de encontrar a inovação e o inédito. Uma criatividade cerceada pelo método, paralítica, que se arrasta entre provas documentais.

O pensamento não acadêmico busca ousar, mas há muito tempo deixou de medir sua ousadia por si mesma. Eles a medem pelo choque. Mas o choque não fala de ousadia. O choque fala de confrontar  as crenças.

Não, não é uma contradição.

Estamos hoje repetindo a mesma revolução do início do século passado e antes, porque nosso parâmetro de comparação é o choque. O choque sempre do mesmo setor que rejeita a mesma revolução secular.

Mas a revolução pasteurizada e reproduzida em massa é situação. Não há revolução. Há pelo menos 70 anos não há revolução.

O corpo e as igrejas judaicocristãs travam sua luta secular, mas isso não é revolução desde o século 17.

O cão corre atrás do próprio rabo em uma repetição infinita e não há revolução.

Há muito tempo não há revolução.

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11/09

Social Networks

22:12 by cochise. Filed under: digressões

Não gosto de nenhuma rede social.

Nenhuma.

O motivo é essencialmente simples. Não gosto de pessoas. Fácil, não? Gosto de idéias. e as redes sociais são todas construídas em torno de pessoas. Sua função principal é amizade/scrap/foto quando eu gostaria que fosse fórum. Nenhuma delas tem foco em discussão de temas mas sim comentar a festa de ontem e marcar a de amanhã.

O novo orkut foi lançado sem terem atualizado as comunidades para a nova versão. O Facebook tem grupos às moscas. Sua ferramenta que mais me atrai são as páginas que são algo entre o blog e o perfil, mas elas são exatamente isso, algo entre o blog e o perfil, algo muito distante de um fórum.

Um agregador, uma comunidade de fóruns, talvez fosse o mais o que gostaria. Então assinaria fóruns ao invés de ficar amigo de pessoas e teria na minha página inicial as atualizações deles.

O problema é que não funcionaria…

Não funcionaria porque não haveria ninguém. As redes sociais estão matando os fóruns. As comunidades, grupos e congêneres em redes socais são o cúmulo da peça desnecessária. Algo como o adesivo que você cola no carro, um complemento do perfil, não um lugar para debater qualquer coisa.

E os fóruns cada vez mais abandonados. Cada vez menos atividade. Um caso de desespero.

O twitter resume tudo a 140 caracteres, mas o que eu quero é um texto com QI acima de 120, o que precisa de no mínimo 200 palavras. Preciso de um Woofer que não seja uma piada.

Enfim… gostar de poetas que falam mais de idéias que de pessoas é algo que te afasta da modernidade umbiguista.

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10/09

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04/09

O óbvio ululante

21:49 by cochise. Filed under: digressões

Às vezes a gente simplesmente precisa falar. Mesmo que seja o óbvio ululante. Feito o que vou discorrer nessas linhas.

A determinação em primeira instância econômica:
O Brasil ao longo da ultima metade do último século passou por um gigantesco processo de concentração de renda, êxodo rural e favelização das populações. Desnecessário dizer que isso faz com que a inserção da mulher no mercado de trabalho deixe de ser uma questão de direitos e passe a ser de necessidade.
Casado com a diminuição do tempo de convívio familiar temos a universalização da educação com uma qualidade rasteira e a expansão da indústria cultural.
A proliferação dos televisores filha direta do boom dos eletrônicos dos anos 70 e 80 anda de mãos dadas com a formação de oligopólios de mídia e do tratamento do serviço de radiodifusão como veiculador de propagandas.
O falso ataque à liberdade de expressão
Os mecanismos de mídia desobedecem claramente à determinações constitucionais dos objetivos da radiodifusão porque precisam vender propagandas e os programas são apenas a ferramenta que valoriza ou não o segundo de propaganda. A valorização não é medida por uma qualidade intrínseca, mas pela audiência. E num ambiente de favelização, má formação escolar e redução do convívio familiar a audiência não prioriza os melhores programas, o que faz com que a programação seja erotizada e erotizante.
Toda tentativa de eliminar abusos cometidos pelas emissoras ao tentar vender mais propaganda é tratada como tentativa de censura ao invés de tentativa de enquadramento do serviço prestado com os preceitos constitucionais que o regem.
Voltando ao convívio familiar
Casas pequenas, falta de dinheiro e a única fonte de entretenimento acessível é a televisão. Crianças assistem programas com classificação indicativa acima de sua faixa etária, muito acima. A família inteira assiste as cenas de sexo nas novelas e os programas de domingo erotizados. A erotização infantil acontece num contexto de famílias fragilizadas pelas pressões econômicas pela sobrevivência e educação deficitária, gerando gravidez precoce e não planejada, que geram lares ainda mais desestruturados.
Pais jovens demais, vindos de um histórico de convívio familiar tênue, despreparados que ao longo da década de 80 e 90 usavam a televisão como babá e vêm os filhos como um impedimento à sua própria felicidade e realização resultam em um núcleo familiar cada vez mais frágil e conturbado
Os depósitos de crianças
Nesse ambiente as escolas servem como depósitos de crianças seja para que os pais possam trabalhar ou se ver livres delas. O ambiente familiar não é de educação, mas de agressividade. A erotização causada pela mídia faz com que adolescentes iniciem a vida sexual cada vez mais precocemente em ambientes de baixa renda confundindo manipulação mercadológica com liberdade.
As escolas, com déficit de orçamento, professores formados, infra estrutura passa a receber alunos sem a menor noção de disciplina ou interesse pelo aprendizado, o que faz com que a escola inverta sua agenda e sua prioridade deixe de ser formar cidadãos e passe a ser controlar os alunos.
Estatísticas mostram que os cursos superiores mais realizados por pessoas de baixa renda são os de licenciatura, que é uma atividade de baixa remuneração, o que nos diz que o professor médio vem de um lar fragilizado, tem um lar fragilizado e convive com alunos indisciplinados e desinteressados.
Boa parte dos professores sequer tem uma formação consistente. Boa parte deles vem de ensino técnico e cursou após a LDB97 cursos como o Normal Superior que tem uma qualidade claramente abaixo da média. Em disciplinas mais “avançadas” é comum encontrar bacharéis de áreas afins sem formação pedagógica dando aulas.
Reprodução e produção
Se por um lado o homem é reprodução do ambiente social, se é feito pelo mundo onde nasce sem liberdade de escolha, ele também é o agente que produz o mundo. Nessa relação dialética está a esperança que norteia a teoria marxista. Identificar os mecanismos de reprodução é um passo. Destruir suas engrenagens outro. Nesse sentido, é preciso aumentar o poder de compra, investir em educação (a saber formação dos professores na ativa e monitoria dos cursos de licenciatura, aumento dos salários a fim de reduzir a jornada do professor e garantir extra-classe), controlar a mídia para que essa cumpra seus objetivos constitucionais (a saber ter uma programação de caráter educativo, informativo e cultural) investir em planejamento familiar.

PS
E se me falar que funk é cultura eu digo que é o resultado de décadas de rebaixamento da capacidade intelectual por uma mídia emburrecedora, erotização precoce e famílias desestruturadas.

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