Óculos de Longo Alcance

Para Vistas Sem Relance

Archive for the 'digressões' Category

Não há revolução

Não há revolução.

A rebeldia está totalmente integrada ao sistema a ponto dele não poder existir sem ela.

A moral e os bons costumes, constantemente afrontados o são com o espírito das revoluções. Ultrapassamos a fronteira com a sensação de estarmos trabalhando na libertação humana e com atro e áureo orgulho.

Beijar dez ou cem na noite, trepar vezes sem conta, se intoxicar de álcool e outros psicotrópicos.Tudo em oposição ao mundo careta, chato, velho.

Mas não há revolução. Não há nada transformador nisso.

Cronologicamente, nossas pequenas perversões não chegam aos pés dos clássicos. Sade sabe muito mais sobre isso que a nova geração. Antes de eletricidade, piercings, suspensão. Aliás, bota piercingis quem não tem culhões para torturar ou matar alguém.

(nesse ponto começo a pensar que críticos vão considerar esse texto um incentivo à violência)

Em essência, o que há de revolucionário no livre uso do corpo, próprio e alheio?

O que há de ousado ou minimamente transgressor? Sade poderia ser um pequeno burguês conservador. O corpo nunca foi o denominador de nada. O copo não está por trás de nada. O prazer sexual, estético, através da dor, etc, podem viver em qualquer dos mundos. Aliás a perversão combina mais com ambientes vitorianos que com a modernidade (ou pós).

A grande confusão diz respeito apenas ao fato da igreja católica e muitas das protestantes tratarem o corpo como tabu. Mas isso não faz com que o livre uso do corpo seja transgressor ou militância contra a hipocrisia ou pela liberdade. É apenas o livre uso do corpo. Essa máquina de morrer que nos carrega para cima e para baixo.

O som alternativo de hoje não está nem perto das experimentações da vanguarda de 1930. Não chega aos pés do experimentalismo psicodélico de 1970.

Não, não estou falando de qualidade subjetiva, mas de ousadia musical. A revolução pasteurizada e reproduzida em massa é situação.

Há tempos não se vê uma grande novidade.

O último reduto da criatividade acaba sendo, quem diria, a academia onde ainda se tem algum desejo de encontrar a inovação e o inédito. Uma criatividade cerceada pelo método, paralítica, que se arrasta entre provas documentais.

O pensamento não acadêmico busca ousar, mas há muito tempo deixou de medir sua ousadia por si mesma. Eles a medem pelo choque. Mas o choque não fala de ousadia. O choque fala de confrontar  as crenças.

Não, não é uma contradição.

Estamos hoje repetindo a mesma revolução do início do século passado e antes, porque nosso parâmetro de comparação é o choque. O choque sempre do mesmo setor que rejeita a mesma revolução secular.

Mas a revolução pasteurizada e reproduzida em massa é situação. Não há revolução. Há pelo menos 70 anos não há revolução.

O corpo e as igrejas judaicocristãs travam sua luta secular, mas isso não é revolução desde o século 17.

O cão corre atrás do próprio rabo em uma repetição infinita e não há revolução.

Há muito tempo não há revolução.

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Social Networks

Não gosto de nenhuma rede social.

Nenhuma.

O motivo é essencialmente simples. Não gosto de pessoas. Fácil, não? Gosto de idéias. e as redes sociais são todas construídas em torno de pessoas. Sua função principal é amizade/scrap/foto quando eu gostaria que fosse fórum. Nenhuma delas tem foco em discussão de temas mas sim comentar a festa de ontem e marcar a de amanhã.

O novo orkut foi lançado sem terem atualizado as comunidades para a nova versão. O Facebook tem grupos às moscas. Sua ferramenta que mais me atrai são as páginas que são algo entre o blog e o perfil, mas elas são exatamente isso, algo entre o blog e o perfil, algo muito distante de um fórum.

Um agregador, uma comunidade de fóruns, talvez fosse o mais o que gostaria. Então assinaria fóruns ao invés de ficar amigo de pessoas e teria na minha página inicial as atualizações deles.

O problema é que não funcionaria…

Não funcionaria porque não haveria ninguém. As redes sociais estão matando os fóruns. As comunidades, grupos e congêneres em redes socais são o cúmulo da peça desnecessária. Algo como o adesivo que você cola no carro, um complemento do perfil, não um lugar para debater qualquer coisa.

E os fóruns cada vez mais abandonados. Cada vez menos atividade. Um caso de desespero.

O twitter resume tudo a 140 caracteres, mas o que eu quero é um texto com QI acima de 120, o que precisa de no mínimo 200 palavras. Preciso de um Woofer que não seja uma piada.

Enfim… gostar de poetas que falam mais de idéias que de pessoas é algo que te afasta da modernidade umbiguista.

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Felicidade Endócrina

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O óbvio ululante

Às vezes a gente simplesmente precisa falar. Mesmo que seja o óbvio ululante. Feito o que vou discorrer nessas linhas.

A determinação em primeira instância econômica:
O Brasil ao longo da ultima metade do último século passou por um gigantesco processo de concentração de renda, êxodo rural e favelização das populações. Desnecessário dizer que isso faz com que a inserção da mulher no mercado de trabalho deixe de ser uma questão de direitos e passe a ser de necessidade.
Casado com a diminuição do tempo de convívio familiar temos a universalização da educação com uma qualidade rasteira e a expansão da indústria cultural.
A proliferação dos televisores filha direta do boom dos eletrônicos dos anos 70 e 80 anda de mãos dadas com a formação de oligopólios de mídia e do tratamento do serviço de radiodifusão como veiculador de propagandas.
O falso ataque à liberdade de expressão
Os mecanismos de mídia desobedecem claramente à determinações constitucionais dos objetivos da radiodifusão porque precisam vender propagandas e os programas são apenas a ferramenta que valoriza ou não o segundo de propaganda. A valorização não é medida por uma qualidade intrínseca, mas pela audiência. E num ambiente de favelização, má formação escolar e redução do convívio familiar a audiência não prioriza os melhores programas, o que faz com que a programação seja erotizada e erotizante.
Toda tentativa de eliminar abusos cometidos pelas emissoras ao tentar vender mais propaganda é tratada como tentativa de censura ao invés de tentativa de enquadramento do serviço prestado com os preceitos constitucionais que o regem.
Voltando ao convívio familiar
Casas pequenas, falta de dinheiro e a única fonte de entretenimento acessível é a televisão. Crianças assistem programas com classificação indicativa acima de sua faixa etária, muito acima. A família inteira assiste as cenas de sexo nas novelas e os programas de domingo erotizados. A erotização infantil acontece num contexto de famílias fragilizadas pelas pressões econômicas pela sobrevivência e educação deficitária, gerando gravidez precoce e não planejada, que geram lares ainda mais desestruturados.
Pais jovens demais, vindos de um histórico de convívio familiar tênue, despreparados que ao longo da década de 80 e 90 usavam a televisão como babá e vêm os filhos como um impedimento à sua própria felicidade e realização resultam em um núcleo familiar cada vez mais frágil e conturbado
Os depósitos de crianças
Nesse ambiente as escolas servem como depósitos de crianças seja para que os pais possam trabalhar ou se ver livres delas. O ambiente familiar não é de educação, mas de agressividade. A erotização causada pela mídia faz com que adolescentes iniciem a vida sexual cada vez mais precocemente em ambientes de baixa renda confundindo manipulação mercadológica com liberdade.
As escolas, com déficit de orçamento, professores formados, infra estrutura passa a receber alunos sem a menor noção de disciplina ou interesse pelo aprendizado, o que faz com que a escola inverta sua agenda e sua prioridade deixe de ser formar cidadãos e passe a ser controlar os alunos.
Estatísticas mostram que os cursos superiores mais realizados por pessoas de baixa renda são os de licenciatura, que é uma atividade de baixa remuneração, o que nos diz que o professor médio vem de um lar fragilizado, tem um lar fragilizado e convive com alunos indisciplinados e desinteressados.
Boa parte dos professores sequer tem uma formação consistente. Boa parte deles vem de ensino técnico e cursou após a LDB97 cursos como o Normal Superior que tem uma qualidade claramente abaixo da média. Em disciplinas mais “avançadas” é comum encontrar bacharéis de áreas afins sem formação pedagógica dando aulas.
Reprodução e produção
Se por um lado o homem é reprodução do ambiente social, se é feito pelo mundo onde nasce sem liberdade de escolha, ele também é o agente que produz o mundo. Nessa relação dialética está a esperança que norteia a teoria marxista. Identificar os mecanismos de reprodução é um passo. Destruir suas engrenagens outro. Nesse sentido, é preciso aumentar o poder de compra, investir em educação (a saber formação dos professores na ativa e monitoria dos cursos de licenciatura, aumento dos salários a fim de reduzir a jornada do professor e garantir extra-classe), controlar a mídia para que essa cumpra seus objetivos constitucionais (a saber ter uma programação de caráter educativo, informativo e cultural) investir em planejamento familiar.

PS
E se me falar que funk é cultura eu digo que é o resultado de décadas de rebaixamento da capacidade intelectual por uma mídia emburrecedora, erotização precoce e famílias desestruturadas.

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Cada um com quais problemas?

Gosto da França. Do suave ar de Paris com a brisa do Sena e o cheiro de carros queimados.
Não, não é um conto pós apocalíptico. Aconteceu há um tempo atrás lembra? Assim como antes os alunos da Sourbonne fizeram barricadas a tiraram pedras na polícia.
Gosto dos chamados de greve geral que passaram pela Europa no século passado e na França nesse novo.
Nós, com nossa sabedoria de boteco, naturalizando a história repetimos “cada um com seus problemas” como se fosse uma máxima universal. Afogados em nosso pequeno e mesquinho egoísmo e agindo como se fosse a goisa mais esperta a se fazer.
Mas eu gosto do cheiro de carros queimados. Gosto de saber que o meu problema é seu problema se eu incendiar o seu carro por causa dele. E que se vários eus fizermos isso vai ser mais simples resolver o nosso problema do que nos prender.
É bom tirar da letargia e da segurança essas pessoas que ainda acham que se está bom para elas está bom, portanto as minorias podem sofrer a vontade.
Quam aceita que a injustiça aconteça pode reclamar quando ela recai sobre ela? Acho que não.
Também acho que o estado democrático de direito garanta o direito á propriedade dos carros mas não garanta os direitos que faltam aos incendiadores.
Dia a dia aumenta a necessidade de que se incendeie carros, porque dia a dia são roubados os direitos de quem não sai no jornal.
porque a dengue se tornou um problema apenas depois que a global da italianas acéfalas (srta. Arósio) pegou? Por que quem pode pagar por uma passagem de avião merece manchetes quando eles atrasam e quem anda de ônibus não?
Por que as pessoas vivem a vida dos artistas por procuração enquanto suas próprias vidas são a mecanização sem alma e sem sentido?
E por que, meu deus, por que acham errado incendiar os carros?

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Ana

Gosto de Ana. Gosto mesmo. Apesar dela ser uma maníaca-psicopata-homicida. Gosto dela porque ela é uma pessoa que está em busca de uma saída. Gosto porque eu estou em busca de uma saída.
Existem dores PseudoSSomáticas demais por aí, filosofia demais que ninguém entende, psicologia demais que ninguém sabe, entretenimento demais que todo mundo vê.
Ninguém leu Admirável Mundo Novo, mas devia ser leitura obrigatória ao completar dez anos, e de novo aos 12 e de novo aos 14 e de novo aos 16 e de novo aos 18.
Malhação é Pavlov, BBB é Pavlov, Cinema é Pavlov.
Ainda não damos choques em quem gosta de livros mas damos desprezo e solidão.
A política tem lógicas fisiocráticas e a estratégia militar é a anulação dos direitos humanos e o calabouço de torturas da justiça.
O amor, é apenas a profissão da rameira e ninguém lê o velho Will, apesar de todo mundo assistir a Zorra Total e as Video Cassetadas.
Sinceramente se fosse possível ir para as ilhas já estaria lá.
Mas é para falar de Ana, não?
Ana está a procura.Sejam vacas de plástico, bombas de tinta ou genocídio em Salvador.Esta a procura da última resposta. A para a pergunta “Por Que?”
Eu sei que Sartre escreveu quase oitocentas páginas para dizer que é para a libertação coletiva e provou por A+B+C+o alfabeto inteiro que essa libertação coletiva se dá através do comunismo. Sim, acredito no comunismo. É uma das frentes de luta a libertação coletiva. Mas como diria Marx, não existe cultura apartada de economia nem economia que não esteja casada com cultura. Na verdade os dois são apenas categorias de análise do memso fato social.
Talvez Ana se envolva com alguma revolução lá em frente… talvez ela faça isso ao recuperar a fé na humanidade.
Ou talvez ela use Pavlov para o bem. O que não seria libertação, mas poderia nos levar mais perto dela.
E sim, Ana não é uma mulher ou mesmo um personagem. É apenas vontade de poder. Vontade de poder focada na respota da pergunta “Por Que?”

PS
Bárbara. Até sexta você vai ser resenhada.

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Sistema 1 – Definições

Uma coisa que fazia com frequência antigamente e hoje quase não faço mais é ler filosofia. O problema é que não consigo mais passar da centésima página de um livro desses, porque começo a pensar, analisar, cruzar as ideias do autor com outros filósofos, cientistas e com o mundo moderno.
Então hoje enquanto lia Bertrand Russell (de novo) resolvi escrever as coisas para ver se da próxima vez fica mais simples.
Começando pelo começo
Pensara filosofia a partir do final do século XX analisar o que já foi pensado e decidir o que ainda vale a pensar pensado. Todos nós já estamos cansados de autores que vivem a explicar a história da filosofia, então vamos só dar umas definições básicas que vão ser os alicerces daqui para a frente.
A filosofia teoricamente pode abraçar todos os temas, mas historicamente,a medida que foi se aprofundando, foi se especializando e acabou gerando outras ciências. Física, sociologia, psicologia, etc. Nesse processo abraçou em definitivo as ciências humanas e o generalismo,deixando o mundo físico e as especificidades para as outras ciências.
Quando comecei isso a primeira coisa que fiz foi escrever um papel todos os problemas não resolvidos que eu consegui achar. Problemas que às vezes vão invadir campo da sociologia ou da psicologia, mas que vão deixar a física e seu complexo arcabouço de conhecimento de lado.
O objetivo é refletir sobre os problemas da alma, da vida e da sociedade.Coisas simples, feito como alcançar a felicidade, qual a validade da arte, ética e violência, e os fundamentos do amor.
Nesse primeiro só um pouco de metafísica para negar a metafísica e estabelecer as bases para o próximo.

Concreto, Abstrato, Sujeito, Objeto, Fenômeno
ou
Negando a Metafísica

Sou um materialista, e isso é toda a metafísica em que vou me meter. O mundo está aí para quem quiser ver. Todos os idealistas que encontrei parecem mais preocupados em compreender e justificar seu próprio sistema de compreensão do que o mundo em si. Se a filosofia se propõe a analisar, quiçá resolver, os problemas não resolvidos do mundo, ela não pode se fechar em si, explicando a si própria e ao pensamento. Para explicar o pensamento nós temos neurociência e psicologia.
Como materialista frio o mundo está aí. É factual e perceptível. Não faz sentido abandonar o mundo em busca de uma verdade abstrata acima dele,principalmente que vivemos nesse mundo material, e toda solução para aqueles problemas não resolvidos vai ter que ser feita aqui mesmo.
Então para começar, essa distinção. O concreto está aqui, tem existência por si e independente do nosso conhecimento ou vontade. O resto, tudo que não se encaixa nisso é abstrato. São formas de pensamento que existem apenas na consciência humana. Não podem existir se não forem pensados e não existem enquanto não estiverem sendo pensados.
Num exemplo simples e prosaico, pessoas se mudam de cidades e países. Isso é concreto e factível. Pessoas e mudanças são objetos, apesar da mudança ser um fenômeno (movimentação das pessoas em caráter permanente) ainda é um objeto concreto e factível.
Migrações são abstratos. São categorias de análise, abstrações para mensurar,quantificar, entender as mudanças de moradia das pessoas. As migrações não existem, exceto se um geógrafo olha para dados e a pensa.
Mas isso é um grande problema?
A metodologia científica permite colher dados brutos com aceitável proximidade e fidelidade ao objeto real. Não temos porque duvidar dos fatos colhidos da observação do ambiente, uma vez que se não for verdade, é uma ilusão universal, e portanto, na prática, real.
Se podemos confiar nesses dados, a dúvida fica só sobre o discurso construído em cima deles, ou seja, sobre as nossas abstrações. Essas sim, sujeitas a falhas e parcialidades. Contrariando os fenomenólogos que se embrenham nos caminhos tortuosos da metafisica, diria que o fenômeno não se dá entre o sujeito e o objeto, mas entre as abstrações e o sujeito.
Uma árvore é uma árvore, e por mais que em A Náusea o personagem se adimire de sua existência, não se pode negar que seja um ser vivo clorofilado com raízes e estrutura de celulose. Toda a experiência do fenômeno sedá dentro da consciência, porque é a relação de influência e paternidade entre a abstração e a consciência.

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Papo descritor 01 – A Saída de Dionísio

Iniciando um novo tipo de postagem…
É incrível o que uma webcam, um microfone de computador e um sistema Linux podem fazer.
O vídeo foi capturado com o Cheese, teve o áudio editado no Audacity e o vídeo editado no Kdenlive, ou seja, tudo em software livre. Só me falta uma câmera melhor e uma mesa com amplificador para o áudio ficar realmente bom.

PS
E aguardem novidades… muito em breve, tipo assim nessa madrugada ou amanhã cedo.

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Porque não gosto da crônica brasileira

A grande verdade assustadora e horripilante é que odeio Rubem Braga, Fernando Sabino, Luís Fernando Veríssimo e toda a nata da crônica brasileira.
Tenho dificuldade de ler. Gosto de manter distância.
Revelado o lado negro da vida as explicações rápido antes que comecem a chover machadinhas (canivetes não seriam o bastante)

Acho a crônica imbecil porque é tudo muito sem motivo. A gratuidade me desagrada. A grande impressão ao ler duzentas páginas de crônicas de duas páginas e meia é que é tudo muito gratuito. Os conistas não se dão ao trabalho de descer aos subsolos das mentes para achar as motivações por trás dos casos. Aliás, essa não é sequer a proposta do estilo. A cônica é um retrato de polaroid. Um instantâneo, não um tratado, nunca uma análise.
A magia da crônica que é deixar a metade subjetiva aberta para o leitor só me faz detestar o estilo.
Isso porque entre leveza e peso sempre escolhi o peso. A ação com motivo é o que move a minha vida. A gratuidade, me parece a breve bruma que o vento desfaz. A crônica é uma forma de fumaça baseada na falta de alicerces, competência e inteligência.
É duro? Sim. Mais do que devia, eu sei. Mas aí está a explicação para não gostar de contadores de causos e cronistas cuja principal preocupação é o fato em si, e não as engrenagens por trás dele.

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Vamos. Não custa nada. É só sentar, escrever alguma das suas angustias, insônias, anseios ou paixões e esperar que alguém leia e não entenda. É realmente muito simples.

Quem sabe um editor consiga um dia entender coisas como por exemplo a dificuldade que foi revisar aquele livro que tem todos aqueles erros de concordância propositais, ou ou descubra porque aquele outro livro não pode ter númerosn nas páginas.

Quem sabe um dia apareça alguém que entenda porque essa fixação por pessoas em seus limites sociais e morais. porque essa ânsia de desconstruir tudo que foi afirmado no capítulo 1.

Continue assim que vai continuar afirmando que tudo vale a pena se a alma não é pequena, e negando que no final das contas o escritor escreve para ser lido, e gostaria que pelo menos alguém aparecesse para dizer que entende. Não é a admiração que o escrior procura, mas a compreensão. Quer que alguém diga que odiou o livro, e na hora de explicar porque desconstrua cada farsa dentro dele.

É a grande diferença entre destruir e desconstruir, sabia? Para desconstruir é preciso entender. O livro é apenas uma grande máquina de fazer nada a espera de que alguém o desconstrua. Se alguém o fizer quer dizer que a autor finalmente ganhou um leitor. Um só um prêmio, uma dádiva. muitos é simplesmente impossível.

O escritor vive perdido dentro de seu labirnto. Minotauro faminto a espera de Teseu. quem conseguir o encontrar no meio desse labirinto, quem conseguir matar a obra e revelar que são apenas fumaça e espelhos, mostrar as engrenagens do Deus Ex Machinae ao invés de adorar o Ghost in the Shell é seu alfa e ômega.

É para esse leitor que o escritor escreve. Para seu nêmesis e renascimento. E é esse que nunca acha. Sequer encontram o labirinto. Sequer vêem a entrada. Perdido a morrer de velhice em seu labirinto o minotauro se devora cada vez mais. Cosnstrói um labirinto dentro de si mesmo, e cria caminhos cada vez mais complicados, para tornar a existência do labirinto cada vez mais óbvia para ver se alguém tem coragem de entrar nele.

Mas ninguém encontra o labirinto.

Ou encontra?

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