07

01/10

Saudades do Paraíso

2:59 by cochise. Filed under: Livros

Estava quase dormindo quando me veio uma súbita inspiração e fui escrever mais uns trechos de Alfa Beta Gama. Não publico porque falta o segundo tempo, já que o livro alterna presente e passado, e escrevi só sobre o presente hoje.

Mas estou falando isso não porque seja importante eu ter pegado isso para escrever de novo.

Por um motivo mais simples. Estou o tempo todo pensando sobre meus personagens e suas obras.

Alfa Beta Gama fala sobre as relações de poder. O personagem principal é um indivíduo Beta (ou gama) inconformado com sua situação que quer subir. Quer o respeito da matilha. O antagonista é um Alfa seguro, mas que se recusa a se aposentar.

O velho problema do manto que deve passar de geração em geração, mas que exige um parricídio para isso. Ou do pai a devorar seus filhos para manter o manto.

Estou contando uma das histórias mais velhas do mundo, sob a ótica de um qualquer, um zinho que se vê investido no papel de agente de leis acima dos homens, quaisquer sejam eles. O investigador do infanticídio de Cronos.

Enquanto pensava nisso pensava no futuro, que a ninguém pertence.

Sófocles foi censurado pela ditadura. A Teogonia se reveste de ares de romance pulp.

O tempo passa e num nível bem básico nada muda. Ainda somos mortais, insatisfeitos e sem muita noção de como resolver a nossa saudade do paraíso.

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04/09

Cafeína plus plus

6:00 by cochise. Filed under: Livros

Retomando o antigo costume, posto a atualização feita no livro.
Cafeína meu amor acaba de receber uma pequena atualização (e uma pequena homenagem à banda Mull)

Para ler o texto completo é o link aí em cima no cabeçalho ou esse aqui: Cafeína, Meu amor

Já para quem está atualizado é só ler aqui embaixo a atualização:

22/07/2008 Parada de beira de estrada sem nome. 11:23

Odeio dirigir em estradas. Sempre há o risco de um suicida te levar com ele. As estradas brasileiras não se comparam com as francesas. E por culpa única dos motoristas. Se o mundo acabasse não se justificaria tanta pressa. Não acabando não se justifica mesmo. Nesses últimos dias tenho me sentido velho. Mas não perto da morte. Aqui me sinto assim. É como se de uma hora para outra toda essa angústia fosse acabar e eu fosse entrar no outro lado do véu. Não tenho poder nenhum sobre quem vai encher a cara e me mandar para o além.
Se é estranho viver isso tudo desses dias esse desejo escondido de morrer só para ver como será por lá é assustador.
Que se danem os motoristas bẽbados. O que me incomoda é o pensamento fulgido de pisar fundo, respirar fundo e encarar de frente um abraço gélido.
Preciso urgentemente botar a cabeça no lugar.
Não estou com medo. Nenhum. Não vou cometer suicídio. O que me assusta é começar a pensar na morte como uma aventura e nada mais.
Falando sério e sem rodeios.
Acho que estou deixando de ser humano.
A essa altura já deve ter percebido que nunca fui muito normal. Mas sempre escondi bem isso.
Se eu fosse normal não teria problema nenhum em namorar as mulheres que já me amaram e ia procurar uma maneira de trabalhar com o meu pai ao completar 15 anos. Fosse eu normal não tomava café para dormir. Talvez o maior efeito colateral da minha insônia tenham sido as longas noites sozinho em casa.
Desde que entendo por gente uma das maiores preocupações da minha família é me manter entretido à noite ou me fazer dormir. Tive mais horas na frente do videogame que a maioria, mais histórias em quadrinhos que a maioria e mais problemas de matemática para resolver que a maioria. Chega um momento que não tem mais graça jogar videogame ou ler gibis. Acho que amadureci mais cedo do que devia porque vivi bem mais que as pessoas da minha idade. Aos 42 a maioria das pessoas passou 14 anos dormindo. Eu devo ter passado 4,5 ou pouco mais. Mais de nove anos a mais. Como se estivesse fazendo 51. se eu pensar assim talvez me justifique por ter saído do emprego.
Mas sempre escondi bem isso. Essa defasagem no tempo. Essa velhice antes da hora. Seja com doze seja com trinta sempre guardei as madrugadas lendo livros que não tem a ver com o serviço. Li Proust aos dezesseis, Dostoiéviski aos dezessete e aprendi integral aos treze. Porque uma casa é muito chata nas noites em que você não dorme. Curiosamente é esse lado que ninguém sabe que existe, esse notívago culto que tem aflorado esses dias e que fez com que eu me desse tão bem com Cristina.
E talvez que me aproximou da minha mãe.
Encontrá-la não vai ser fácil ou indolor. Mas acho que ela pode responder umas tantas perguntas e se eu não pude ser o parcero dela pelo menos vou poder ser o padrinho do filho dela.

22/07/2008 Belo Horizonte 23:33

Parece que o acaso anda a me vigiar.
Na verdade não faço ideia porque resolvi vir para esse hotel mambembe. quem sabe existe destino e a vida seja traçada pelos dedos de algum escritor que nos faz andar, respirar, viver e sofrer para entreter a audiência. O fato é que estou aqui há exatas quatro horas e há meia algum desconhecido do outro lado da rua começou a ensaiar com sua banda de rock. Uma música sobre o tempo pedir tempo e antigamente pedir velocidade e termina falando que já faz tanto tempo que não se vê uma grande novidade que quando veio veio pela metade.
eles são bons… Me lembram um pouco Sonic Youth, mas usam mantras, o que remete a algumas escolas do metal.
O que eu estou fazendo aqui senão perdendo tempo?
Estou protelando coisas há dias, mas angustiado com essa demora. Como disse a música ” Já não sou mais tão lento para a minha idade”. Talvez devesse simplesmente aceitar que o tempo pede tempo às vezes. Porque demorou tnato para essa novidade vir me visitar que veio pela metade. ainda falta muita coisa a fazer. E talvez sair do Rio tenha sido bom. Apesar de tudo de bom que pode haver lá é uma cidade cheia demais de passados e de histórias. Estou em um hotel que esqueci o nome de três andares e com certeza nenhuma estrela ouvindo uma banda que nunca vai ser tema da Malhação num bairro não muito apresentável de Belo Horizonte (ou cidade satélite similar que não sei o nome). Há três quarteirões daqui a estrada com seus caminhões continua acordada como sempre e há duas paredes daqui posso ouvir um motorista anônimo e uma prostituta anônima fazendo sexo. O colchão cheia a esperma velho e assim que deitei nele levantei e vim para essa escrivaninha. Tudo tem cheiro de estase e paralisia na minha vida, e um bando de adolescentes cheios de energia precisa dizer a mim, quarentão que o tempo pede tempo.
E agora eu sei que essa paralisia está longe de ser estagnação.

23/07/2008 03:02

Não vou dizer que farei isso. Mas gostei de pensar em virar empresaário e músicos alternativos.
Estive conversando com os “garotos” da banda. Adolescentes… Todos com mais de vinte. Preciso rever uns conceitos.
Às vezes é bom sentar no meio fio com a inseparável garrafa de café e ficar falando que a gente se perde no emaranhado de ruas e nem GPS acha a gente. Que falta um jardim no fundo da casa para sentar ao fim do dia e respirar o ar do dia do nascimento.
Não sei explicar como ou o ue foi conversar com eles. Só foi. Não serviu para me engrandecer como ser humano ou aprender coisas novas. Só para me deixar leve e relaxado. Feliz. Nem sempre é preciso um motivo e nem tudo tem que ser em nome de algo.
Meio zem isso, né?
Respire fundo. volte ao dia do seu nasimento e inspire o ar daquele dia. Abra os olhos viva esse fôlego.
(vou escrever um livro de auto ajuda dia desses)
Mais tarde vou ver Cristina e quero continuar com esse ar nos pulmões.

09:12

No carro. A um quarteirão da casa dela. Tremendo. Espero que a emoção seja saudade.

17:57

20

02/09

Pode-se falar em obra completa

11:06 by cochise. Filed under: Livros,futuro-hoje

Na falta de tempo e amontoamento de notícias não muito boas, consegui finalizar a revisão de Objeto e fazer a compilação que mencionei no post anterior.
A coletânea se chama Húmus Humano e tem os textos da O Homem Solitário, Objeto e Ambidestra e uma introduçãozinha de uma página. Para quem quiser tudo é melhor, porque comprando os três volumes separados se gasta R$98,48 e comprando o Húmus Humano apenas R$64,99
Para quem está a fim só de um, porque não gostou do outro ou porque a grana está curta, Objeto foi adicionado, com um comentário de quatro páginas no final ainda inédito e saiu a R$33,49.
No mais, descobri que se não considerar a infinidade de contos, poesias, ensaios e artigos do blog a minha obra completa tem apenas 243 páginas. Ou seja, mais ou menos a meta de Cafeína meu amor e Alfa Beta Gama individualmente.
Me desejem sorte com essas novas empreitadas.
Estou desejano sorte para todos nos.

19

02/09

Livros, livros a mão cheia

11:21 by cochise. Filed under: Livros

Bem. A novidade não conseguiu vir ontem de madrugada, mas chega agora de manhã. Estou lançando os meus livros através do Clube de Autores.

Já estão lá, O Homem Solitário e Ambidestra.

Até amanhã devo lançar Objeto e um volume único com os três.

O Homem Solitário sai pela bagatela de R$34,99 e Ambidestra por R$30,00.

Objeto deve ter o preço próximo ao do Homem Solitário, já que é do mesmo tamanho e o volume único deve sair por aproximadamente R$70,00.

Se tiver dinheiro sobrando, recomendo aguardar pelo volume único, se for comprar só um deles, a opção já está aí, ou pelo menos dois terços dela.

Antes que me perguntem, não, não vou retirar os livros do blog. Eles ainda podem ser lidos aqui.Assim que tiver um parzinho, inclusive pretendo colocar Ambidestra no blog.
O objetivo não é forçar ninguém a comprar, mas afirmar:
1 – Se acha que vale a pena ter em papel para ler na rede ou no banheiro, compre.
2 – Se acha que fiz um bom trabalho e mereço receber pelo trabalhão de criação, revisão e diagramação, compre.

Obrigado pela atenção.

Vejo vocês em breve.

01

12/08

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11/08

Porque gosto de Milan Kundera

21:41 by cochise. Filed under: Livros,digressões

Tá, o Kundera é um velho pervertido que tem cenas de corar até os cabelos… eu mesmo escrevi alguma coisa meio pornográfica em Objeto, mas nada que chegue perto de cenas de A Lentidão ou d’O Livro do Riso e do Esquecimento. (e apesar de para algumas pessoas isso funcionar como propaganda, esse não é o objetivo)
Ao longo de toda a obra, dá pra notar uma quase amargura, uma desilusão com o ser humano e mais especificamente com a juventude.
Não sei se porque ele é um tcheco e sabe que grandes m@#$% as pessoas, as melhores pessoas de um país, podem fazer movidas por seus nobres e generosos sentimentos. Talvez porque ele saiba que no fundo tudo se resume ao dilema apresentado em seu primeiro livro:

Nós não podemos viver um momento novamente e tomar outra decisão. O outro caminho via ser sempre desconhecido.

Então a gente, com todo esse despreparo e sem saber se está cometendo um imenso-enorme-gigantesco erro vai lá com fé enfiar o pé na jaca com toda a paixão e ímpeto da juventude.
E depois que as coisas saem de controle tenta correr atrás da ação como se fosse possível apagar ou reparar o passado.
Seria mais simples viver pensado que as nossas boas ações, as nossas vitórias são gravadas em mármore, mas no fim das contas são os erros que te perseguem na cama a noite. Que vem fazer visitas angustiantes.São as brigas que perdemos que nunca esquecemos, já dizia Jhon Ulhoa.
Para contornar o problema a gente se auto engana com conceitos como perdão divino, reparação e compensação, mas nada disso é mais que uma medidad de conforto psicológico.
É mais ou menos como acreditar que a cadeia serve para punir as pessoas. Nunca foi (aliás, foi na idade mádia) Se prendemos um assassino é para apartá-lo da sociedade a quem ele é um elemento danoso. Se o prendemos mesmo aos 72 anos por um crime que cometeu aos 20 é em caráter exemplar. Cadeia de acordo com os iluministas que crairam a nossa teoria prisional não é reparação ou compensação, mas apartação.

O Kudera tem esse quê de consciência exagerada e descrença. Isso me atrai nele. Esse duvidar, não da boa índole das pessoas, mas do resultado das ações no mundo.
Não importa a sua intenção. Seu sonho tem 99% de chance de se desvirtuar e virar um pesadelo, não por incompetência, mas porque algo dar certo em um sistema onde as escolhas são feitas onde nem se sabe que as está tomando e onde elas não podem ser alteradas depois, em momentos em que a análise está mais clara é a mais pura sorte. É mais que ganhar na mega sena.
Por isso no final das contas adoro esse velho pervertido apesar das cenas de sexo explícito.

29

05/08

Adendos

22:07 by cochise. Filed under: Livros

Avido bobo que só serve para anunciar o que foi mudado em Alfa Beta Gama.

Foi adicionada a página 5 e o trecho abaixo foi adicionado à página 4.

Se vai começar a ler, leia normalmente. Se já tiver lido dá uma olhaada no qe mudou.

Não vou avisar as atualizações normais (acrescentar páginas) por posts, apenas PSs de posts, mas alterações como essa da página quatro que adiciona coisas antes do fim, vou avisar, ok?

A cidade mais próxima ficava há sete horas de caminhonete (se não atolasse). O lugarejo era uma reunião de 37 casas e mais um monte de minifúndios no entrono. Carla mãe tinha oito irmãos, cinco mulheres e três homens.

A naturalidade com que o pai contou que ela tinha quatorze anos e ele tinha lhe dado estórgeno veterinário (usado para induzir o cio em vacas), para que ela amadurecesse mais rápido, casasse e parasse de dar despesa em casa e que se queria ficar com o bebê não iria fazer objeções o revoltaram a ponto de pela primeira vez na vida se sentir capaz de cometer um assassinato.

Nenhum livro de Gilberto Freyre, Celso Furtado, Euclides da Cunha ou qualquer documentário que tivesse visto na PUC-SP o tinham preparado para isso. Quando se inscreveu para sucedâneo de Projeto Rondom organizado pelo DCE tinha uma visão extremamente romantizada de tudo que aconteceria. Ninguém avisou que em certos momentos ser magnânimo, ser bom é a única alternativa que inclui dormir em paz e ter coragem de encarar o espelho. E que mais que orgulho, muito mais que orgulho se sente compaixão e dor, dor pura e simples por tudo que estava acontecendo.

Diante de todos os entraves do processo de adoção e do cartório mais próximo distar dois dias de viagem (se o carro não atolar), ao final dos 45 dias no Pará a registou em São Paulo como filha biológica. Sua apenas, apesar dos protestos de Suzana.

Carla sempre soube de sua mãe. E entendia porque seu pai tinha tantas deduções no imposto de renda.

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05/08

Do Veludo ao Velcro

14:48 by cochise. Filed under: Livros,digressões,futuro-hoje

Como estava discutindo outro dia… gosto da literatura que vai do veludo ao velcro… numa montanha russa quase insuportável…

Quero a ambivalência do sublime mesclado ao mundano. E como onde impera o imperativo somente se obedece vontade de poder, lá vou eu criar algo que vá do veludo ao velcro.

Então começo Alfa, Beta, Gama.

Está aí em cima. Espero que a história cresça o bastante para se tornar um livro.

Tem mais e vai ser constantemente atualizado…

No mais é uma obra sobre as relações de poder, pessoas alfa, betas e gamas. Sobre a maniera como as pessoas lidam com isso, a bem da verdade.

PS

Eu sei que não parece mais ainda sonho que um dia ao discutir a obra com algum leitor vamos discutir esse aspecto e não as cenas bonitas ou a postura ética dos personagens…

14

03/08

Lígia e Kanash (Temporariamente aqui)

17:14 by cochise. Filed under: Livros,futuro-hoje

Queria escrever uma história bonita com final feliz. Uma dessas bonitinhas como O Jardim Secreto ou Matilda que nos fazem acreditar. Talvez deva usar crianças como se costuma fazer nesses casos. E a história se passe em um país civilizado com menos problemas que o nosso. Talvez o que eu precise é de um trago de milk shake. Isso costuma curar essa necessidade de ser bonzinho e bonitinho. Ou não, já que não quero a cura eu nunca tomei milk shake por causa dessa vontade.

Existe um transtorno conhecido por “maníaco depressivo”, e como tudo nos dias de hoje precisa de um nome de impacto. Marketing é tudo e hoje ninguém quer ser maníaco depressivo. Por isso rebatizaram para biploar.
Na parte do “maníaco” a pessoa entra em um estado de mania, o que traduzido para um vocabulário não psicológico quer dizer uma alegria gigantesca. O oposto da parte do “depressivo”
A visão do maníaco se turva e ele é incapaz de de enxergar problemas, limitações, defeitos, etc. Ou seja, a mania costuma vir acompanhada de uma sensação inebriante e perda dos limites.
Você nunca vai ficar bêbado como um maníaco. E olha que ele nem bebeu.
Mas ainda há esperança. Mesmo quem não é bipolar, como se diz hoje, pode ser um maníaco em algum momento da vida. Basta a atitude certa e alguma cooperação do destino.
Mas afinal, porque tanta explicação? Porque nossa história começa com um momento de mania de Kanash, que aliás não é maníaco depressivo, Uma pequena loucura que mudou completamente a sua vida.
O conjunto de acasos necessário para levá-lo ao lugar certo na hora certa, no estado de espírito certo, no clima certo fazem com que esse início seja insustentável por qualquer tipo de causalidade (exceto talvez a sincronicidade) mas por experiência própria sei que esse tipo de coisa acontece com frequência.
Por fim preciso me apresentar. Meu nome é Cochise César, essa história está na minha cabeça há mais ou menos três anos e será completamente reescrita. Apesar de sempre me embolar com a narração pretendo manter esse estilo discursivo próximo ao utilizado n’O Homem Solitário e descaradamente inspirado em Milan Kundera.

Kanash vinha andando pela rua lendo seu livro. Era de tardezinha e o céu fechado inspirava chuva. O livro, que contribuia para sua felicidade inebriante era A Lua Vem da Ásia, de Campos de Carvalho. ele estava em um dequeles bairros que procuram imitar o American Way of Life. Casinhas com gramados, sem cerca.
Assim que começou a chover ele simplesmente se dirigiu atè a casa mais próxima e bateu.
— Sim? — atendeu uma mulher próxima aos quarenta com um par de alpergatas na mão e de chinelos atendeu. Além disso cheirava a sabonete e banho.
— Preciso que dê asilo político ao meu livro. Está sendo perseguido pela chuva. — Kanash disse mostrando o livro.
Sem entender absolutamente nada Lígia observou a figura até que bem alinhada mas que bateu na porta de uma total desconhecida para guardar um livro. Sem encontrar uma desculpa melhor soltou um “Estou de saída”
— Não sou eu que vou ficar, é o livro. Amo igualmente a chuva e o livro, mas a chuva é muito ciumenta.
Lígia analisou a figura, Sem cheiro de bebida, sem olhos injetados por causa de drogas, aparentemente lúcido. Niterói é uma cidade estranha.
— Sem problema. — E Lígia pegou o livro, levou-o até a estante e o colocou ao lado de um livro de fotos de Costeau.
Depois do primeiro impulso de rejeição por causa do anos de educação o córtex passa finalmente a funcionar e nos lembramos de tudo aquilo que acreditamos. Depois de considerar Kanash um louco percebeu que era só mais uma dessas pessoas alternativas de outro modo. Um desses fáceis de encontrar em saraus de poesia com saudade dos anos 70. Ou seja, provavelmente uma boa pessoa.
— Meu nome é Lígia. E o seu.
— Kanash. Sou novo aqui.
— Já decorou o endereço?
De modo algum. Se esconder sua casa um um endereço não vou encontrá=la de novo. Obrigado. A chuva me chama.

__________________________________________
Fico por aqui hoje.
Tem mais coisas no manuscrito, mas não vou digitar isso hoje. =)

14

03/08

Cansado… Fisicamente Cansado

14:31 by cochise. Filed under: Livros,digressões

Ontem foi um dia muito, muito punk. Ainda estou com algum cansaço de ontem acumulado.
Tanto é que quebrei a tradição recém instaurada de um ou mais post por dia. Não houve nenhum ontem.
Em compensação comecei a escrever o Quinto Livro (falta alguma coisa em Amanda ainda para continuar escrevendo esse livro)
Ele está caminhando bem. Provavelmente vai terminar.
Não faço a menos idéia de qual vai ser o título. Sei que é o último capítulo da Saga dos Tiutchev que começa com Amanda.

Aproveito a vontade e explico um pouco sobre a Saga dos Tiutchev, meu projeto de longo prazo que comecei a escrever antes de O Homem Solitário e ainda não tem nenhum capítulo pronto, apesar de já ter terminado quatro livros e publicado três (eu digitar Ambidestra está entrando na categoria de lenda urbana)

É um grande saga familiar em vários capítulos (Não sei quantos de cor. Vamos contar)

1 – Amanda Tiuthev, neta bastarda de Fiódor Tiutchev, poeta russo.
Ela é a mulher que agarra seus sonhos e descobre ao longo da vida o quanto é humana e falível. A mulher de aço que se quebra pelas esquinas e se descobre falível. (por essa descrição poética perceba que é o personagem que mais gosto)
Faz parte da Cúpula, uma organização secreta não governamental que realiza trabalhos “para proteger a humanidade de si mesmo”.
O incrível é que comecei isso antes de conhecer La Femme Nikita.
Personagens secundários principais:
Merlin Sebastian Arlingon, Márcia, Opal Otsawa

2 – Fábio Tiutchv, irmão gêmeo de Amanda. Fiel a seus princípios abandona a Cúpula muito cedo. Acredita que os fins não justificam os meios porque existem meios melhores, basta procurar.
Fundou a Fator M (Fábio Tiutchev Organizações para Mudança), que se tornou a maior empresa do mundo.
É o homem que foge de si mesmo e não se identifica com suas ações. O gestor da mega empresa que a usa para garantir a economia e as condições de vida da população onde atua e não consegue se sentir realizado em alcançar seus objetivos.
Personagens secundários principais:
Opal Otsawa

3 – Daimon (Na verdade Demian Sebastian Tiutchev) Filho de Amanda e Merlin.
Se torna presidente do Brasil no partido kamikaze (que se comprometeu a deixar de existir após os quatro anos de governo) PTN (Partido Transformador Nacional)
É o homem que se propõe uma tarefa e a faz. Talvez esse seja o livro mais político e menos artístico. Ele tem mais idéias minhas do que desenvolvimento de personagens.
Procurando o que falar de Daimon, só consigo lembrar da comparação com Sócrates. ele é o chato que mostra verdades. Por isso inclusive adotou o nome de Daimon. Sócrates era guiado por um.
Personagens secundários principais:
Opal Otsawa

4 – Merlin Sebastian Arlington
Esse livro eu tenho que escrever. Mas ainda nem comecei. Merlin é o homem que sente mais do que devia. Que carrega o mundo nas costas porque ele mesmo sofreu demais.
E o homem cabeça dura que sabe que não pode fazer as coisas sozinho, mas insiste para que os outros não paguem o mesmo preço que ele.
Ajudou a fundar a Cúpula, quando a mesma foi exposta assumiu sua direção.
Sente remorso por cada pessoa que já matou.
Personagens secundários principais:
Imagino que Opal, se falar sobre os anos pré cúpula
Sr. J (Ou Jeremias Tiutchev, pai de Amanda e Fábio)
Rikles (ou O Distribuidor) se falar da exposição da Cúpula

5 – Opal Otsawa (ela tinha que estar aqui, não é? está em todos os outros)
Japonesa superdotada. De colega de faculdade de Merlin, aos sete anos a mulher de Daimon e governadora de São Paulo, aos 50, passando por ser amiga de Amanda quando era coordenadora do UNICEF nas Américas aos 12 e conspiradora mor de Fábio dos 13 aos 40, sempre esteve ligada aos Tiutchev.
É a mulher que acha que o mais importante são as pessoas. E Faz conspirações e golpes psicológicos para que seus protegidos possam te o melhor destino.
Movida pelo seu senso de dever, manipula vidas para que tenham o melhor destino.
Não sei se esse livro sai, porque ele teria que contar as mesmas coisas de modo diferente e escrever isso é cansativo.
Personagens secundários principais:
Amanda, Fábio, Merlin, Daimon

6 – Lígia e Kanash (Ou Amanda II)
Filhos espirituais de uma Amanda septagenária, viúva e sem contato freqüente com seu filho e sua nora.
Não vou revelar mais porque senão perde a graça. ainda nem decidi quem afinal são os principais, se a Lígia e o Kanash ou se a Amanda.

Então, começando pelo SEXTO vou embarcar na Saga dos Tiutchev.
Crio que ao final não vá trabalhar em nenhum outro e essa saga fique a maior parte da minha vida na minha cabeça. Acho que ela foi pensada demais e tem uma trama muito complexa para que eu escreva sobre ela. Gosto da surpresa de não saber o que vai sair.
Aí em cima tem um link para o que está digitado de Amanda e em breve vai ter um para Lígia e Kanash também, mas não garanto o nome.
para quem quiser algo além do texto do livro tem isso sobre esse povo:
Prelúdios Diurnos (uma pequena crõnica com Amanda)
Guernica (poesia de Merlin)
Quem? (Poesia de amanda – Não, ela não é uma boa poetisa)

Apesar das lendas, pretendo lançar Ambidestra até 24 de abril, que é quando começa o Mercado da Carne. Quero ter a marca de quatro livros em um ano.

PS: procurando os links acima deparei com uma poesia muto boa que tina esquecido completamente que tinha feito. E ainda por cima não tinha publicado aqui. Só coloquei como comentário num blog e esqueci. Como sou distraído.
Considerem isso um bônus do destino:

14 Séculos

velho como o mundo
cada coração que me arrancaram
foi dez anos que envelheci.
com os olhos ardendo
das noites em claro,
o estômago ardendo
do café que bebi,
com a alma ardendo
da Verdade que sou

Espero

“Tudo foi esquecido e nada será reparado”
“O mundo não vale a pena”
“A visão do micoscópio é o ópio do trivial”
“É claro que não é importante”
“Como uma segunda pele um calo, uma casca, uma cápsula protetora”
“E nunca param de bmbardear Guernica

Espero o que?

espero tudo que sei
difícil de achar
fora do espelho.
desejo ir através do espelho.

Encho novamente o copo de café
E volto a escrever.

As citações são, respectivamente:
Milan Kundera – A Imortalidade
Qualquer deprimido
Engenheiros do Hawaii – Ilusão de Ótica
Norton Juster – Tudo depende de como você vê as coisas
Adriana Calcanhoto – Esquadros
Merlin Sebastian Arlington – Guernica

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