26

08/10

Silêncio

20:23 by cochise. Filed under: poesia

Você, querido cidadão respeitável que ganha quatro mil cruzeiros por mês
Você que se orgulha de não defender índio que bota fogo em playboy,
E fragorosamente se cala em contrário,

Você

O microfone está aberto ao abjeto pensamento.
Aberto somente ao abjeto pensamento.
Porque o microfone é seu.

A propriedade é um roubo!
se for minha, não se for sua.

O silêncio diz muito
O fabricado com paredes de concreto e choques nas genitais
O fabricado com folhas de jornal
O fabricado com diplomas de graduação
O fabricado em escolinhas, clubinhos, grupinhos particulares.

O mundo está la fora
E ele não se cala.

Aprenda a ouvir.

04

07/10

2:20 by cochise. Filed under: micro,poesia

Tudo será esquecido
Nada será reparado
Entre fragmentos de eternidade nossos pequenos segundos de beleza são a maior das divindades

03

02/10

Herdeiro

18:34 by cochise. Filed under: poesia

Não há sentido em uma montanha senão a escalar.
Não há sentido em uma parede senão a derrubar.
Não há sentido em uma vida senão a libertar.

Todo dia os vermes comem mais e mais cérebro
de um mundo podre por não saber voar.
Todo dia, cada vez mais podre, a vida
se ocupa de móveis e salas de jantar.

Os muros mudos não falam sonho ou verdade.
Meu mundo não quer se calar.

De patíbulo em patíbulo,
De prostíbulo em prostíbulo
Não cessa a liquidação.
De hora em hora,
De história em história
Não cessa a liquidação.

Liquida-se a vida.
Liquida liberdade.
Liquida verdade.

A realidade não cabe no reality show.
A vida não cabe na nota fiscal.
A liberdade não cabe na constituição.
A verdade não cabe no telejornal.

Grilhão de família
Herança de orgulho
Marcada em contratos
Expressa em atos:
Despeito e engulho
Do livre pensar

28

12/09

07

12/09

angústia

15:45 by cochise. Filed under: poesia

A angústia
filha augusta da razão
Toda noite sobrevém
Lençóis enrolados
insones
Filha dileta do pensar
A dor da dor futura.

É por ela que se detém
Cinzenta casa,
supremo fado
Cruenta faca,
por nossa mão cravada
Por precisar,
mais que animal;
Supremo criador,
suprema criatura;
Encéfalo biológico e místico.
Sejam feitos teus desejos que são meus!

Sejam satisfeitas as fomes que carregas
depois de saciado o estômago.

Seja obedecida essa angústia-fome
Seja aplacada insônia-angústia
Para ressurgir, em nós, de novo
A lembrança de ser mais que bicho
A certeza de ser mais que corpo
A consciência que é ser humano

19

11/09

Anoitecer

23:29 by cochise. Filed under: poesia

As moças que saem das lojas vestidas como se fossem para a festa
Os ratos que saem das tocas tentando esquecer que estão podres
As moças que voltam pra casa tentando esquecer que estão mortas
As putas que saem pras ruas tentando esquecer que estão vivas
Os jovens que saem pros bares tentando esquecer que são tédio

Uma a uma as portas se fecham
Um facho, um fecho, eco vazio
As portas que abrem são sonhos, cristais
Desejos de vida, lembranças do mundo
vodca, chop, voz violão
A rua estala, a noite já vem
A vida engasga, o sonho também
Pós seco e amargo pra bebida limpar
Vida seca e amarga pra noite limpar
Rachaduras no pŕedio, fissuras na carne
Quando foi que esquecemos o que é viver?
Vida atrofiada, com alcool reage
Contração da carne de alma infeliz

Os ratos debatem, sarjetas a parte
Sua necessidade de libertação
Querem ser asquerosos, daninhos, maldosos
Assim como toda civilização
Mas sendo sinceros, sujos, honestos
Em sua grande revolução

13

11/09

Aforismos crus

14:17 by cochise. Filed under: poesia

Um homem não conhece uma cidade até se perder nela.

E então pode ser tarde demais.

As pessoas são burras. Simplesmente.

Na blogosfera existem dois tipos de pessoas. Leitores e escritores.

Leitores procuram besteiras que as façam rir. Escritores outros escritores.

É preciso reeditar os manuais de civilidade.

Nossas crianças são um cúmulo de barbárie.

Quando o ser humano se orgulha de parecer animal mos perguntamos onde Darwin errou.

Essa juventude que nunca sonhou algo que não pudesse comprar fede.

Se permitir não gostar do lixo da moda sem experimentá-lo é um dos poucos prazeres em ser humano.

Não confundir seres humanos com macaquinhos do mercado.

Quem ainda entende Herman Hesse?

Quem é mais manipulado, o jornalista ou o epectador?

Não queria saber até onde podemos decair. É assutador.

Ser seu pior inimigo é o melhor negócio. Espere o pior e não se decepcione.

Comece a escrever em um lugar público. duas dúzias de gentes te pedem dinheiro. Acham que escritor é rico.

Os pores do sol mais bonitos acontecem quando não se pode vê-los.

Ódio de escritor dura três linhas. outros não chegam a duas letras.

08

11/09

Walter

7:17 by cochise. Filed under: poesia

Pesam os dias sob céu de chumbo
Anos nada, Céus irreais
Décadas de sonhos não dormidos
Herança de sangue e tristes ais

Galope de barbárie, Celulóide
Escalada de barbárie Digital
Rápido, admirável mundo novo
Velhos morituri no jornal

Peso de concreto evaporado

Vapor concreto e real

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05

11/09

a Arte

13:06 by cochise. Filed under: poesia

A arte é o gesto de colher a maçã

nunca o paraíso.

É um eterno vir a ser, a obra sempre inacabada

residente do futuro distante.

A arte é a liberdade de estar em outro lugar

vestindo outra roupa sendo outra pessoa.

Arte é a liberdade de trair o movimento

até o que você mesmo fundou.

A arte é o molotov que você não teve coragem de jogar,

o beijo que não pode dar,

o sonho nunca real.

A arte é o vazio

grande demais para o coração

transbordando por fora da pele,

inundando de nada

o tudo.

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20

10/09

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