Não há sentido em uma montanha senão a escalar.
Não há sentido em uma parede senão a derrubar.
Não há sentido em uma vida senão a libertar.
Todo dia os vermes comem mais e mais cérebro
de um mundo podre por não saber voar.
Todo dia, cada vez mais podre, a vida
se ocupa de móveis e salas de jantar.
Os muros mudos não falam sonho ou verdade.
Meu mundo não quer se calar.
De patíbulo em patíbulo,
De prostíbulo em prostíbulo
Não cessa a liquidação.
De hora em hora,
De história em história
Não cessa a liquidação.
Liquida-se a vida.
Liquida liberdade.
Liquida verdade.
A realidade não cabe no reality show.
A vida não cabe na nota fiscal.
A liberdade não cabe na constituição.
A verdade não cabe no telejornal.
Grilhão de família
Herança de orgulho
Marcada em contratos
Expressa em atos:
Despeito e engulho
Do livre pensar
